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Conversa com Ricardo Guimarães faz ex-presidente mudar de ideia para votar 'sim' em projeto de estádio do Atlético

Afonso Paulino diz que reunião foi fundamental para mudar posicionamento

Túlio Kaizer Roger Dias
Votação será na próxima segunda-feira; 260 conselheiros precisam votar sim pela continuidade do projeto - Foto: Reprodução/Projeto do estádio

Faltam poucos dias para que os conselheiros do Atlético decidam pela aprovação ou não do projeto do estádio do clube. À medida que o tempo passa, mais ansiosos ficam os torcedores. Enquetes mostram que a maior parte deles é à favor da arena. E cada mudança de opinião é comemorada nas redes sociais. Ex-presidente do Galo, Afonso Paulino tinha o ‘não’ como posição, mas, após conversa com o também ex-presidente Ricardo Guimarães, ele afirmou que votará ‘sim’ no dia 18 de setembro.

A posição inicial do ex-presidente, que geriu o clube entre os anos de 1989 e 1994, era negativa. De acordo com Afonso Paulino, ele tinha desconhecimento sobre o projeto e não queria ver o clube perder o Diamond Mall.

“Entendemos que o Diamond era o segundo maior patrimônio do Atlético, atrás apenas da sua torcida. As coisas não estavam bem encaminhadas.
Tinha de haver um projeto. Era preciso conversar, resolver as coisas da melhor forma, porque o grande ganhador deveria ser o Atlético. Não é má-fé, é desconhecimento. O clube vai dar a metade do Diamond e ficar com o estádio. Um clube que deve em torno de R$ 600 milhões vai se endividar com um estádio e ficar sem o shopping? Todos os estádio erguidos na Copa, com exceção do Corinthians, são deficitários. Não existia um comando. Tínhamos que conversar”, relatou.

A chance de entender melhor todas as arestas do projeto apareceu em uma conversa com Ricardo Guimarães, que comandou o Galo entre 2001 e 2006. Dono do BMG, que já garantiu ao Atlético R$ 60 milhões em compras de cadeiras cativas, ele explicou a Paulino o que gerava dúvidas e ainda pediu sugestões para que tudo fosse bem claro para todos os conselheiros.

“O Ricardo Guimarães nos recebeu de braços abertos. É uma posição de um administrador que conhece o ramo dos negócios. Ele fez um caderno, nos pediu para fazer mudanças e fez um segundo, com correções. Ele abriu as portas para debatermos. Corrigimos algumas coisas, como a concorrência da licitação, sem a participação da MRV. Transparência é fundamental.
Sentia que algo não estava certo, porque há muitos que tentam levar vantagem”.
 
Após considerar o projeto ‘transparente', Afonso Paulino afirmou que agora é mais um na corrente para que o ‘sim’ vença e o processo para a construção do estádio tenha sequência. “A partir do momento que as coisas foram explicadas, todos agora trabalham para o sim. Quando há pessoas bem intencionadas, o processo caminha”, concluiu.
 
O projeto

O projeto apresentado pela diretoria alvinegra orça a obra em R$ 410 milhões. O valor seria conseguido por meio da venda dos naming rights (que seriam adquiridos por R$ 60 milhões pela MRV) e de cadeiras cativas (60% do R$ 100 milhões previstos já estão garantidos pelo BMG).

Os outros R$ 250 milhões se referem à venda de 50,1% do Diamond Mall, shopping localizado na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Essa seria a contribuição do clube com a construção.

A venda de parte do shopping é o ponto mais polêmico do projeto. A oposição alega que os lucros com o shopping aumentariam a partir de 2026, quando o clube, por contrato, voltaria a ter direito a 100% da receita bruta do Diamond. Atualmente, a porcentagem anual destinada ao Atlético é de 15% - o que correspondeu a R$ 8,7 milhões em 2016. O restante fica com a Multiplan, empresa que administra o Diamond Mall.

O projeto do estádio, por outro lado, defende que o mercado de shopping centers tem caído anualmente em função do comércio online. Por isso, a venda seria positiva. Se a negociação for aprovada pelo Conselho Deliberativo do Atlético, o clube ainda ficaria com 49,9% do Diamond e teria o poder de veto garantido. Nos próximos quatro anos (período para a construção do estádio), a porcentagem da renda bruta destinada ao clube se manteria.

Leia, abaixo, o projeto apresentado pela diretoria do Atlético:

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