Atlético

ENTREVISTA

Presente e futuro no Atlético, respaldo da torcida, atritos e mercado: Thiago Larghi abre o jogo em entrevista exclusiva

Interino revela se já teve conversa com diretoria sobre permanência

postado em 13/06/2018 08:00 / atualizado em 12/06/2018 23:19

Leandro Couri/EM/D.A Press
 Em fevereiro, o então auxiliar Thiago Larghi assumiu a difícil missão de dar novo padrão de jogo ao Atlético depois da repentina demissão de Oswaldo de Oliveira. Em meio aos fracassos na Copa do Brasil e na Copa Sul-Americana e à derrota para o Cruzeiro na decisão mineira, o treinador vem tentando implantar sua filosofia. Nesta quarta-feira, ele fecha esse primeiro ciclo no jogo contra o Ceará, às 21h45, no Independência, pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro. Fluminense de Paraíba do Sul, ele está satisfeito com o trabalho até o momento. “Vemos progressão significativa na equipe, que hoje propõe o jogo e sabe se defender”, afirma o treinador, que continua se esquivando sobre seu futuro à frente do Galo. Ele conversou com o Estado de Minas e o Superesportes sobre o momento do time, sobre a projeção para o Brasileiro e Copa do Mundo.

Você assumiu o cargo interinamente em fevereiro e hoje encerra seu primeiro ciclo à frente da equipe. Que conclusões tira a respeito desse processo?

Assumi a equipe numa condição que, de fato, não esperava. Foi uma mudança muito rápida em que procuramos estabelecer um modelo de jogo mais simples possível para tentar fazer os primeiros jogos. A equipe se comportou bem nos quatro ou cinco primeiros jogos, conseguimos vitórias e uma progressão. Mas depois sentimos a necessidade de evolução num jogo mais bem construído. A primeira fase foi mais de transição, em que compactamos melhor o time, e depois começamos a propor mais o jogo, construir as saídas de bola vindo de trás. Com a qualidade, percebemos que o time assimilou e atingimos bons resultados. Na decisão do Mineiro, a perda do título ocorreu porque ficamos com um a menos com 10 minutos. O jogo contra o Vasco, no início do Brasileiro, foi um reflexo desse resultado. Mas nos demais jogos vimos um controle e domínio da posse de bola. Apesar da eliminação na Copa do Brasil, os dois jogos contra a Chapecoense foram bons. No primeiro, dominamos do início ao fim. O segundo foi equilibrado e acabamos perdendo nos pênaltis. A progressão no time fica muito clara e vem ocorrendo. Esperamos terminar o Brasileiro entre os seis primeiros e atingir essa meta.

Embora a equipe tenha sido eliminada de duas competições importantes, perdido o Estadual e sofrido críticas e pressão, seu nome tem sido poupado pela torcida. Isso lhe dá mais tranquilidade para continuar implantando suas ideias?

Desde o primeiro momento, procuramos um trabalho comprometido com o clube. Hoje, estou na condição de técnico e considerado interino sem problema. Quero entregar o melhor. É um trabalho de honestidade e entrega e os jogadores, percebendo isso, aderiram ao processo. A evolução do jogo dentro de campo foi sentida pela torcida, o que ajuda a dar tranquilidade ao trabalho. Sabemos das dificuldades no futebol e para você conseguir algo grande demanda tempo, paciência e analisar os progressos e não os resultados. Esses progressos conseguimos perceber dentro de campo.

Leandro Couri/EM/D.A Press


Você já teve conversa com a diretoria para permanecer depois da Copa? E caso não permaneça, continuaria como auxiliar ou daria um passo na carreira em outro clube?

Ainda não teve essa conversa e acredito que vamos ter, mas independentemente disso, quero fazer o melhor pelo clube sempre. Estamos focados nesse jogo contra o Ceará. Fazer boa campanha em casa é importante e, se vencermos, vamos manter a segunda posição. O meu desejo hoje é continuar no clube, sem nenhuma dúvida.

Grandes clubes estão apostando em treinadores jovens, como o Corinthians (Osmar Loss) e o Flamengo (Maurício Barbieri) e o próprio Atlético, com você. Como você vê o crescimento e potencial dessa nova safra?

Estamos mostrando que, apesar de jovens, somos competentes. O trabalho do Osmar Loss e do Barbieri ainda está no início, mas os dois têm um histórico positivo. Acho que, independentemente da idade, a capacidade do profissional é que vai determinar se tem condições de seguir o trabalho. Todos têm sim o potencial para trabalhar.

Ao longo do período no Atlético, você deu o recado ao colocar jogadores de nome no banco, como Leonardo Silva, Elias, Róger Guedes e Cazares. Essa decisão foi difícil para administrar? Como foi esse diálogo com todo o grupo?

Como treinador, tenho que fazer o melhor para a equipe. Nem sempre acerto, mas intenção é sempre acertar junto com minha comissão técnica. São grandes jogadores, mas quando foi necessário, tive que tirá-los do time. E vimos a maior parte retornar ao time e brilhar como estão brilhando. São ciclos, faz parte, pois o jogador precisa de tempo. O treinador também precisa de tempo. O Róger Guedes, por exemplo, mostrou porque seria titular e vem jogando bem. O Leo também mostrou e nunca deixou de ser nosso capitão. Sempre ressaltei que não vamos trabalhar com 11 titulares e sim com 16 ou 18 jogadores que podem rodar entre eles. Por causa da Copa do Mundo, o calendário está apertado. E no terceiro ou quarto jogo, o atleta perde performance e é quase que inevitável essa troca.

O Atlético fez mudanças profundas no futebol e pessoas sem tanta experiência assumiram cargos importantes, como o próprio presidente Sérgio Sette Câmara, o Alexandre Gallo (diretor de futebol) e você no comando do time. Acredita que essa falta de bagagem prejudicou o time em certos momentos?

Posso falar por mim somente e acho que sim, mas em coisas pontuais. Só podemos falar de evolução ao ver como o time joga e percebemos que o time vem jogando bem, sabe o que fazer com a bola e sem a bola. Mas, em certos momentos, faltou experiência a mim na tomada de decisões, mas em coisas pontuais. No somatório das coisas, acho que não fez diferença. Em relação ao presidente e ao diretor, acho que eles estão se entregando bastante. Vejo que eles tentam fazer o melhor, pois pegaram o clube em outras condições. O desejo é de manter os jogadores, se reforçar, mas dentro das condições financeiras. E isso eles estão fazendo.

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press


Jogadores como Róger Guedes e Luan demonstraram insatisfações publicamente ao serem substituídos com frequência. Como tem lidado com essas questões com um grupo jovem, mas com experiência?

Com naturalidade. Isso não é uma coisa que acontece comigo. Pelo contrário, acontece com treinadores experientes. A gente tenta entender o jogador, porque sabemos o quanto ele sofre pressão por não ter feito o melhor. Nosso grupo é maduro e experiente. Internamente, a gente lava a roupa suja, resolve essas questões e pensa no próximo jogo.

Róger Guedes tem sido um dos atletas mais importantes do Atlético nos últimos jogos e recebeu proposta tentadora do mundo árabe. A manutenção dele significaria a chance de evoluir e alcançar um objetivo maior no futuro?

Minha função seria trabalhar a possibilidade de ele se desenvolver, jogando bom futebol, levando a conseguir espaço em um clube maior, numa liga mais importante. Ele tem capacidade para jogar em qualquer clube da Europa. Se pudermos ajudá-lo e ele equacionar a situação com a diretoria, certamente ele atingirá seus objetivos. Ele é jovem, já venceu um Brasileiro e está sendo líder, mostrando potencial grande para conseguir coisas maiores.

Como você pretende acompanhar os jogos da Copa para evoluir na função?

Vou ver todos os jogos, gravar e analisar com minha equipe de trabalho. Espero muito do Brasil, que fará uma Copa muito boa. Torço pelo Tite e acredito que a chance de título é real. Aposto também na Espanha, por causa de seus jogadores de meio-campo polivalentes que defendem e atacam o tempo todo. A Alemanha vem forte pelo trabalho bem feito na federação, tendo paciência na progressão. A França também vem forte, porque manteve o treinador da Copa anterior. E a Argentina também, pela qualidade de seus jogadores e do Sampaoli. Essas cinco são favoritas.

Você está há menos de um ano em Belo Horizonte. Como é sua relação com o torcedor atleticano no dia a dia e com a cidade?

Está sendo ótimo. Belo Horizonte é uma cidade boa e me sinto em casa, pois metade de minha família é mineira. O carinho dos torcedores é muito positivo e ajuda a elevar minha autoestima quando os resultados não vêm. Vou acreditar nessa energia importante que vem do torcedor. Esperamos fazer o melhor trabalho para fazermos ótimo Brasileiro e conquistar o título em dezembro.

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