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Torcedoras combatem homofobia e racismo em jogos do Atlético no Independência

'Grupa', coletivo de atleticanas, relata dificuldade de levar adesivos da campanha às partidas; responsável por operações e segurança do estádio justifica

postado em 21/10/2019 16:58 / atualizado em 21/10/2019 19:05

<i>(Foto: Reprodução/Grupa)</i>
Mais que ajudar o time, torcer é uma forma de combater intolerância. Com esse ideal, a Grupa, coletivo de mulheres torcedoras do Atlético, tem promovido, no Independência, campanha contra a homofobia e o racismo no futebol.

“O ambiente do estádio deve ser aberto a todos. Temos na Grupa pessoas que são LGBT e que não se sentem confortáveis de ir ao estádio justamente por esse ambiente agressivo e homofóbico. Acreditamos em um futebol que respeite a diversidade”, explicam as torcedoras, que, coletivamente, responderam perguntas do Superesportes.

Pelas redes sociais, o coletivo se posiciona com frequência em questões sociais. Nos estádios, a campanha consiste em distribuir adesivos contrários à LGBTfobia e ao racismo a torcedores do Atlético. “São distribuídos fora do estádio a quem tiver interesse em aderir à campanha. No geral, a aceitação tem sido muito positiva”, contam.

Problemas de acesso


<i>(Foto: Reprodução/Grupa)</i>

Integrantes da Grupa, porém, relatam dificuldade de entrar no estádio com adesivos - seja colados no próprio corpo ou em cartelas. Os problemas com a equipe de segurança do Independência apareceram logo quando a campanha contra homofobia se iniciou, no empate por 2 a 2 entre Atlético e Fortaleza, em 21 de julho.

“O argumento seria de que não são permitidas manifestações políticas no interior do estádio. Algumas torcedoras conseguiram manejar a situação e entrar com os adesivos, outras tiveram que descartá-los”, contam. O mesmo ocorreu em partidas seguintes.

Nos adesivos, estão estampadas frases como: “Homofobia é crime! Denuncie!”, “Espalhe o vírus do amor até ele curar o preconceito!” e “Todxs contra a homofobia!”. Em outra peça, há menções a Cazares e Paçoca - atletas negros respectivamente dos times masculino e feminino - e os dizeres “Racismo é crime! Denuncie”.

 

Diante das dificuldades, as torcedoras entraram em contato com o Independência. A questão, no entanto, ainda não foi resolvida. “É importante enfatizar que nem o Estatuto do Torcedor e nem o regulamento do Brasileiro proíbem o acesso com esse tipo de material”, disseram.

Ao Superesportes, o gerente de operações e segurança do Independência, Helber Gurgel, falou sobre o caso. Segundo ele, não deve ser vetada a entrada de torcedores com adesivos colados ao próprio corpo.

“Estou buscando informações para saber porque e em que momento o segurança não permitiu que qualquer torcedor que quisesse entrar com um adesivo grudado ao corpo (entrasse no estádio). Estamos avaliando, tanto Independência quanto o Atlético”, garantiu.

Gurgel, porém, disse que eventuais distribuições de adesivos dentro do estádio dependem de autorização prévia do Independência. “É um espaço particular. O que ocorre com o adesivo? Fixa isso em qualquer parede e local, e vou ter dificuldade para limpar, para poder retirar esse material. Se a pessoa quer, de forma particular, fazer (campanha) aqui dentro, ela vai ter que negociar e resolver com a Arena”, disse.

No Twitter, após a publicação da reportagem, a Grupa disse que havia entrado em contato seguidas vezes com a BWA - que administra o Independência -, mas não obteve resposta semelhante à dada por Gurgel.


Combate à LGBTfobia e ao racismo


No ambiente do futebol, casos de LGBTfobia são frequentes e naturalizados. Em junho, o mês do orgulho LGBT, diversos clubes do país não se pronunciaram, embora se posicionem em outras causas sociais. Em Minas Gerais, Atlético e Cruzeiro também se calaram. Entre torcedores das duas principais equipes do estado, é frequente o uso de cânticos ou gritos homofóbicos e machistas como tentativa de menosprezar os rivais.

Atlético e Cruzeiro só se posicionaram mais firmemente em agosto, depois que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) informou passaria a punir clubes e atletas em caso de LGBTfobia.

O combate institucional de clubes e federações ao racismo é mais antigo e recorrente. São frequentes, porém, casos como o que envolveu o volante Fabinho, do Ceará, na derrota por 2 a 1 para o Santos, na Vila Belmiro, no último dia 17.

Conforme relatou o meia Thiago Galhardo, um santista direcionou insultos a Fabinho, em episódio que também envolveu xenofobia. “O cara querer menosprezar o Fabinho, menosprezar a mim, fazer ato racismo para ele, chamar de negão e vagabundo. O futebol perde a essência, o brasileiro tem que se controlar mais. O cara beber, xingar a gente... Acho que ele tinha que estudar mais. Falar que o Ceará joga no Norte... Ou eu não entendo muito, acho que estudei de sacanagem”, disse.

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