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INJÚRIA RACIAL

'Não é um pedido de desculpas real', diz segurança sobre investigados por injúria racial em Cruzeiro x Atlético

Adrierre Siqueira da Silva e Nathan Siqueira da Silva alegaram não serem racistas e, na tentativa de se defenderem, citaram que têm parentes e cabeleireiros negros

Roger Dias
O segurança Fábio Coutinho foi vítima de injúria racial - Foto: Reprodução/TV Galo

Vítima de injúria racial após o clássico entre Cruzeiro e Atlético nesse domingo, no Mineirão, o segurança Fábio Coutinho falou sobre o pedido de desculpas feito pelos suspeitos, os irmãos Adrierre Siqueira da Silva e Nathan Siqueira da Silva. Segundo a vítima, não houve sinceridade na fala dos investigados, que alegaram não serem racistas e, na tentativa de se defenderem, citaram que têm parentes e cabeleireiros negros.



Fábio Coutinho alega que a dupla de torcedores não mencionou no depoimento à polícia o que realmente ocorreu no fim de semana: “Eles continuam afirmando que queriam acessar a saída de emergência e nossa equipe não deixou. É mentira. Eles queriam ter acesso à tribuna de imprensa. E o outro jovem disse à polícia que me chamou de palhaço, não de macaco. O que eles disseram não foi o que aconteceu de fato. Falou também que um dos nossos seguranças xingou a mãe dele, o que é mentira. Devido a isso, não é um pedido de desculpas real.
Esse pedido de desculpas serviria para eles, mas não com sinceridade”, disse ao Superesportes/Estado de Minas.

Para ele, o pedido de perdão deveria vir com sinceridade: “Não guardo raiva, não guardo rancor, isso não é compatível à minha pessoa. Pedir desculpas via redes sociais, rádio ou TV é fácil de fazer. A advogada deles entrou em contato comigo e disse que ambos queriam me ver pessoalmente para pedir desculpas. Não que seja oposição da minha parte e quem sou eu para fazer oposição. Mas você dar um aperto de mão ou um abraço ficaria muito vazio se eles não refletirem de fato o que ocorreu”.

O segurança afirma que o objetivo no momento não é processá-los. Ele garante que quer tocar a vida de forma tranquila: “Não fiquei abalado pessoalmente nesse episódio, até porque tenho que continuar meu trabalho. Essa questão de processá-los vou deixar seguir naturalmente. Eles podem falar: 'Foi chamado de macaco e agora quer tirar dinheiro da gente?'. Eu não tenho em mente nesse momento fazer isso. Pode ser que isso aconteça (processá-los). Mas estou tranquilo e com a cabeça boa. Fiquei chateado ao ver as imagens e o sofrimento das pessoas ao meu redor. Isso me abalou.
Se, de fato, eles se arrependeram, é com eles e com Deus. Mas não houve arrependimento diante da fala deles. Ambos continuam apontando uma verdade que não vai ao encontro do que aconteceu. Se a verdade deles é que prevalece, então não precisa desse encontro comigo”.



O caso

Após o empate por 0 a 0 no clássico desse domingo, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro, as arquibancadas do Mineirão viraram “praça de guerra”. Em meio à confusão, Adrierre Siqueira da Silva se dirigiu ao segurança Fábio Coutinho com menosprezo e disse: ‘Olha a sua cor’. As imagens foram flagradas pelo jornalista Lucas Von Dollinger, da Rádio 98FM. Já o jornalista Fael Lima, da TV Alterosa, registrou o momento em que o mesmo torcedor deu uma cusparada no rosto do profissional.

Irmão de Adrierre, Nathan Siqueira da Silva também é suspeito de ter cometido injúria racial por supostamente ter chamado Fábio Coutinho de 'macaco'. Nathan nega e alega ter dito 'palhaço', não 'macaco'. Os dois pediram desculpas e alegaram que não são racistas. Para isso, utilizaram justificativas como, por exemplo, dizer que têm parentes negros e vão a cabeleireiros negros.

O caso viralizou nas redes sociais momentos depois do clássico.
Nessa segunda-feira, um inquérito foi aberto pela Polícia Civil para investigar o ocorrido. A pena vai de um a três anos de reclusão e multa.


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