O presidente do Atlético, Sérgio Sette Câmara, considera que a chegada de reforços, além de qualificar o grupo e suprir carências apontadas pelo técnico Jorge Sampaoli, poderá significar lucro financeiro para o clube no futuro. O dirigente rechaçou comentários sobre alto gasto em momento de crise financeira provocada pela pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, os investimentos, principalmente em jogadores jovens, representarão, em caso de sucesso, arrecadação e caixa nas próximas janelas de transferência.
O maior investimento desde a chegada de Jorge Sampaoli, até o momento, é o atacante Marrony, de 21 anos, que teve 56% dos direitos econômicos adquiridos ao Vasco, que ainda ficou com 14% - o alvinegro mineiro terá que comprar a parte do cruz-maltino caso não negocie o atleta até o início de 2023. Outra contratação alvinegra, o volante Léo Sena, 24, do Goiás, custou R$ 4 milhões pela mesma parcela.
Sérgio Sette Câmara disse que os clubes brasileiros, devido à paralisação dos jogos por causa da COVID-19, tiveram recursos em escassez e dependem da negociação de jogadores para quitarem as folhas salariais. Especialmente no momento em que o futebol foi suspenso por causa da COVID-19, o que provocou falta de arrecadação com bilheteria. E a aposta está em atletas jovens e com potencial de revenda no futuro.
“Os clubes têm duas grandes receitas, televisão e venda de jogador. Embora a gente esteja em um período complicado, também para a janela de transferência, apostamos em um time forte, com jogadores experientes. Mas também com jovens atletas que podem, no futuro, gerar receita para o clube. Sempre olhamos para isso”, afirmou o mandatário alvinegro, em entrevista ao programa Donos da Bola, da TV Bandeirantes.
Sette Câmara comparou o caso de Marrony ao de Róger Guedes, que foi emprestado pelo Palmeiras, teve rápida passagem pelo Galo (disputou 12 partidas e fez nove gols) e acabou negociado ao Shandong Luneng, da China, por 9,5 milhões de euros (cerca de R$ 43 milhões na cotação da época, em julho de 2018), e o Atlético recebeu 2,5 milhões de euros (R$ 11,3 milhões na época) como compensação por liberar o goleador.
“No caso do Marrony, se você contrata um jogador por 3 milhões de euros, ele chegar e acontecer - claro que há o risco de dar zebra, ninguém tem bola de cristal -, e virar um xodó como no caso do Róger Guedes, imagina quanto valerá esse jogador. O Róger Guedes ficou no Atlético por seis meses ou menos, e só fez acontecer em dois ou três meses, pois no início teve dificuldades. Ele foi vendido por 9,5 milhões de euros. Futebol é um negócio maluco”, exemplificou.
O presidente ainda citou casos de outros jogadores contratados na atual gestão, como o lateral-direito Guga, de 21 anos, que teve 70% dos direitos econômicos adquiridos ao Avaí por 1,8 milhão de euros (R$ 7,8 milhões na época da compra, em 2019), e o zagueiro Igor Rabello, 23, comprado ao Botafogo, em janeiro de 2019, por R$ 13 milhões (por 70%). Para Sette Câmara, são atletas com valor de mercado que podem render boa receita em caso de venda. O dirigente usou números para comprovar que, durante o seu mandato, o alvinegro lucrou muito com negociações para o exterior.
“Algumas pessoas falam que gastamos muito em contratações, mas não pensam em quanto eles podem render para o clube, como o Guga, o Igor (Rabello) e outros. Desde 2018, quando assumimos, qual o valor do elenco de lá até hoje? Nos últimos dois anos, vendemos mais de R$ 200 milhões em jogadores, foram R$ 100 milhões por ano. Em termos anuais, é a maior venda histórica do clube. E não fizemos tanto investimento como agora. Então, creio que esse número vai aumentar”, previu o dirigente.
“Se vendermos o Guga por 4 milhões ou 5 milhões de euros, teremos cerca de 30 milhões de reais, um lucro de 23 milhões, 22 milhões de reais. Eu pago o meu parceiro, que tem a parte dele, e fico com outra parte, talvez 15 milhões. Na operação em que trouxemos o Igor Rabello, se for vendido por 5 milhões, 6 milhões ou 7 milhões de euros, não é absurdo, principalmente se ele fizer um bom Campeonato Brasileiro”, projetou o mandatário alvinegro.