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FUTEBOL DE LUTO

Chapecoense saiu da Série D do Brasileiro para a disputa do primeiro título internacional

Em seis anos time teve uma grande escalada e deu uma guinada na sua história

Flávia Ayer
Em 16 de outubro, a última apresentação da equipe catarinense no Mineirão: no 0 a 0 com o Cruzeiro, goleiro Danilo, uma das vítimas da tragédia, defendeu pênalti cobrado por Ábila - Foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press

Jogadores, comissão técnica e a torcida da Chapecoense sonhavam altoEm seu melhor momento, o clube catarinense estava perto de seu primeiro título internacional, da Copa Sul-Americana, naquela que seria a mais importante conquista de sua históriaO voo para a Colômbia representava ainda a possibilidade de alcançar um outro patamar no futebol brasileiroO acidente aéreo que dizimou a equipe interrompeu o sonho da taça, mas não tira o brilho da equipe considerada a revelação deste anoMesmo longe de figurar entre os grandes clubes do país, a Chapecoense tem muito a ensinar a elesNuma ascensão meteórica, em seis anos subiu da Série D do Campeonato Brasileiro à Série A e ostenta o título de time menos endividado da elite do futebol nacional.

Com desempenho regular desde que estreou na elite, em 2014, o time comandado por Caio Júnior foi a grande surpresa do futebol brasileiro nesta temporadaAlém de fazer sua melhor campanha na Copa do Brasil (parou na terceira fase), a Chape chegou à final da Copa Sul-Americana ao eliminar nada menos que o argentino San Lorenzo na semifinal, num heroico empate por 0 a 0, na Arena Condá, em ChapecóUma defesa milagrosa nos acréscimos do goleiro Danilo, uma das vítimas da tragédia, deu sabor especial à classificação.

No ano passado, a equipe catarinense havia sido eliminada nas quartas de final da competiçãoA partida de hoje, em Medellín, era a última parada de um sonho considerado por muitos impossívelNo domingo, o time de Chapecó receberia o Atlético pela última rodada do Campeonato BrasileiroNa nona colocação, já havia garantido sua participação na Sul-Americana do ano que vem e superado times tradicionais como Cruzeiro, São Paulo e Fluminense
Ainda poderia conseguir vaga na Copa Libertadores se garantisse a taça da Sul-AmericanaEntre os destaques do time estavam o atacante Bruno Rangel, maior artilheiro do clube, e o experiente armador Cléber Santana, ex-jogador do Atlético de MadridCapitão da Chape, ele mereceu homenagens emocionadas dos colchoneros e do goleiro De Gea, com quem atuou.

GESTÃO Para além do futebol, a Chape é exemplo em gestãoLevantamento da Revista Época e do Itaú BBA deste ano indicou que, em 2015, o clube era o menos endividado entre as 20 equipes da Série AApoiado pelos torcedores, o clube, que quase faliu em 2005, sanou as contas e tem dívida de R$ 5 milhões.

A história da Chapecoense, aliás, sempre esteve intimamente ligada a seus torcedoresHá 43 anos, um grupo de apaixonados por futebol em Chapecó, cidade de 200 mil habitantes no Oeste de Santa Catarina, fundou a Associação Chapecoense de Futebol, com a pretensão de criar um time profissional para o municípioEmpresários, políticos e a população abraçaram a ideia, apelidaram a equipe carinhosamente de Chape e a apoiaram incondicionalmenteHoje, ele está entre os principais clubes do estado, ao lado de Figueirense, Avaí, Criciúma e JoinvilleA torcida acabou conhecida como “ChapeTerror”.

O primeiro título no Campeonato Catarinense veio em 1977Depois dele, mais três, em 1996, 2007, 2011
A Chape é a atual campeã catarinenseA virada na história veio em 2009, com a participação na Série DDaí em diante, foi uma escalada de conquistas, com o acesso, já no ano seguinte à Série CEm 2012, a passagem à semifinal da Terceirona valeu vaga na Série B de 2013No ano seguinte, o maior feito de sua história, com o acesso à elite do futebol brasileiroO fato surpreendeu até mesmo a diretoria do clube.


A ESCALADA DA CHAPECOENSE