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Decisão de Caio Júnior salvou a vida de goleiro da Chapecoense

Goleiro de 32 anos deveria estar no avião que caiu em Medellín na última semana

Agência Estado
Goleiro de 32 anos deveria estar no avião que caiu em Medellín no início da semana passada - Foto: Rodrigo Fonseca/Superesportes
Há cerca de três meses, Marcelo Boeck sentia uma mescla de tristeza e irritação e se perguntava o motivo de ter sido sacado do time pelo técnico Caio JúniorHoje, vê que a decisão do treinador salvou sua vidaO goleiro de 32 anos deveria estar no avião que caiu em Medellín no início da semana passada, mas escapou da morte graças ao treinador, que preferiu levar Danilo e Jackson Follmann para a partida contra o Atlético Nacional.

"Eu era titular e há uns três meses, o Caio Júnior optou pelo DaniloFica o peso por saber que eu poderia estar lá, mas não podemos deixar o sonho da Chapecoense acabar e ser enterrado junto com os corpos", diz o goleiro, que tem contrato até o fim do ano, mas gostaria de renovar o vínculo com o clube"Não pelo dinheiro, mas pelo caráter e pelo coraçãoEu vou pedir para ficar", explica.

Quando deixou o time para a entrada de Danilo, Boeck tentava encontrar motivos para a decisão do treinador"Pensei que era algo injusto, que eu não servia para nada, mas respeitei, até pela união que nós tínhamosHoje, a gente vê que talvez fosse algo planejado por Deus, pois muitas famílias não terão mais seu pai, filho ou marido e a minha quase foi uma delas", recorda, claramente emocionado.

O goleiro chegou à Chapecoense em fevereiro deste ano, após passagens por clubes de PortugalEle ainda fez parte do elenco do Inter campeão mundial e da Libertadores de 2006"Nessas horas que a gente vê que a fama e o dinheiro não valem nada se comparados à nossa vida", comenta.

Boeck e seu filho mais velho, de 6 anos, completaram aniversário na segunda-feira e celebram juntosHoras depois, veio a notícia da tragédia, que atinge não só o goleiro como também seus familiares
Era normal durante os treinos, os filhos dos jogadores irem até a Arena Condá para acompanhar a atividade dos paisTudo acabouO goleiro tentou explicar para o filho o que aconteceu.

"Meus filhos acham que estou treinando todos os dias, normalmenteEu chego em casa e eles começam a cantar 'vamos, vamos Chape'Contei para meu filho que os amiguinhos dele estão tristes e precisam de carinho, porque perderam seus pais e que ele precisa valorizar que tem o dele por perto, assim como valorizo minha família."

O jogador ficou sabendo da tragédia ainda pela madrugada e só viu "cair a ficha" pouco depois, quando sua mulher disse que se o acidente tivesse ocorrido pouco antes, quando ele ainda estava jogando, era ela quem teria que dar a notícia mais difícil da sua vida para os filhos.

Uma das características mais comentadas do elenco da Chapecoense é o bom relacionamento entre os jogadoresPara reforçar isso, Boeck conta que ficará como lembrança, a amizade e o carinho, não as cenas trágicas vistas recentemente.

"Por ser meu aniversário na segunda-feira, recebi muitas mensagens no WhatsApp do grupo que a gente criou entre os jogadoresMuita brincadeira, alegria e palavras sinceras, de amigoPor isso, quero que fique marcado isso", conta.