O Superesportes ouviu ídolos históricos do clube e eles foram unânimes em dizer que, diante da posição tomada pelo argentino, resta ao Cruzeiro negociá-lo, ainda que o vínculo vá até agosto de 2015. Para eles, manter Montillo na Toca, insatisfeito, seria criar um problema para todo o ano.
Mas a decisão de Gilvan não é fácil, pois a pedida inicial do clube é de 15 milhões de euros (R$ 36 milhões), enquanto a oferta corintiana é bem inferior: 8 milhões de euros. Além disso, o Cruzeiro é detentor de apenas 60% dos direitos econômicos. O percentual restante está nas mãos de investidores, sempre mantidos em sigilo pelo ex-presidente Zezé Perrella.
Veja a opinião de Dirceu Lopes, Marcelo Ramos, Nonato e Roberto Gaúcho sobre esse caso:
DIRCEU LOPES – defendeu o Cruzeiro entre 1964 e 77
Ele (Montillo) não está errado. Ele é um jogador que não teve uma projeção muito alta para ganhar tanto dinheiro. Naturalmente, ele deve ter tido ao longo da carreira um salário mediano. Ele despontou no Cruzeiro e agora é que poderá faturar mais alto. Infelizmente, a época do romantismo do futebol, da qual eu fiz parte, sem essa preocupação excessiva com dinheiro, acabou.
Manter um jogador insatisfeito no plantel não é bom. Curiosamente, estive na Toca hoje (quinta-feira) e pude vê-lo. Ele estava com o semblante fechado. Todos vieram me cumprimentar e ele passou calado. Sé depois que foi lá e falou comigo. Está visível a insatisfação dele.
Na minha época, não havia isso. Nunca quis sair do Cruzeiro. O Cruzeiro sempre foi o time do meu coração e isso era o mais importante. O mundo agora é outro.
Ele tem muito carinho da torcida. Depois do nosso time, ele foi um jogador que teve um carinho tão grande como o do Alex. O Alex não ficou devendo nada nem a mim e nem ao Tostão. O Montillo não chegou a tanto, mas chegou perto.
NONATO – defendeu o Cruzeiro entre 1991 e 97
Quando você faz esse tipo de declaração (pedindo para sair) e não sai, você acaba tendo uma rejeição grande. Ele sempre se comportou muito bem, sempre foi claro com a torcida e isso tem que ser considerado também. Acho que, se ele ficar, vai continuar se dedicando.
MARCELO RAMOS – defendeu o Cruzeiro em 1995/96, 97/2000 e 2001/03
Não sei se vai ter clima com a torcida (caso ele fique). Claro que o torcedor fica sentido. Já passei por essa situação e é normal que isso aconteça. Ele foi um cara que sempre se entregou com a camisa do Cruzeiro e nunca se omitiu. O torcedor tem que ver mais por esse lado do que pela saída dele. Ele não está indo embora porque não gosta ou não respeita o Cruzeiro. Ele está indo porque precisa pensar em sua vida particular, em sua família.
Dá para contornar a situação de ter um jogador insatisfeito no elenco, mas é muito difícil. Se ele não está satisfeito, é melhor não manter. Cada um tem que estar onde quer. A primeira decisão tem que ser do jogador. Se eu fosse dirigente, deixaria sair, mas dentro das condições boas para o clube. Se ele deu uma declaração dessas, tem que deixar sair.
ROBERTO GAÚCHO – defendeu o Cruzeiro entre 1992 e 97
Eu tive proposta do Corinthians em 1996, logo depois de conquistar a Copa do Brasil pelo Cruzeiro contra o Palmeiras, e não fui porque tinha muita identificação. Mas quando o jogador pede para ir embora, pode vender porque pode dar problema.
O Montillo é craque e vai fazer muita falta, porque Roger é jogador para 20 minutos. Vai cair muito o nível do Cruzeiro. Mas quando o jogador diz que não quer ficar, vai trazer problema. Joguei bola e isso vai é atrapalhar. Ele pode ficar até a metade do ano, mas o Cruzeiro terá que vender, pois ele causaria problema, ficaria insatisfeito. Quando um jogador não está com tesão de jogar num clube, não tem jeito.