Cruzeiro

Caso Montillo vira trunfo de Gilvan para desvincular sua imagem à de Zezé Perrella

Ex-presidente foi xingado pela torcida no último jogo de 2011, atual mandatário foi ovacionado pelos torcedores no primeiro treino aberto de 2012

Gilmar Laignier

Perrella comemorou com Gilvan e os vices a vitória nas eleições do clube, no ano passado

O presidente do Cruzeiro Gilvan de Pinho Tavares foi eleito com o apoio de Zezé Perrella e sua cúpula, mas, curiosamente, a gestão do atual mandatário tem sido aprovada pelo torcedor, enquanto a administração do último se encerrou sob forte rejeição. Os homens fortes da diretoria de futebol celeste foram mantidos, a maioria dos reforços contratados tem ligação com a Série B e o clube perdeu um dos principais ídolos do elenco atual, o volante Fabrício.


A manutenção de Montillo no elenco, portanto, virou o maior trunfo de Gilvan para iniciar sua gestão em alta com a torcida. Mais do que isso, o novo presidente desvinculou sua imagem da última diretoria, da qual era vice de Zezé Perrella. “A torcida está entusiasmada com a nova política de manutenção de jogadores no clube”, admitiu o novo mandatário, nessa quinta-feira.

A política de venda de jogadores da dinastia Perrella era um dos fatores mais criticados pela torcida. Outra crítica era em cima de uma possível falta de transparência da diretoria nas vendas e contratações. Com Gilvan, o Cruzeiro não revelou o parceiro que comprou os 50% do atacante Kieza por 1 milhão de euros, única venda do clube até agora, e também não divulgou o valor recebido pelo empréstimo de Farías ao Independiente-ARG.

Há quatro dias, o Superesportes realizou uma enquete na página do Cruzeiro para o torcedor avaliar o início da gestão Gilvan de Pinho Tavares. Apenas 12,29% dos 8.559 internautas consideraram ruim o início da administração do novo mandatário, por pensar que “segurar Montillo era obrigação”.

No primeiro treino aberto do Cruzeiro na temporada, na última semana, 1.500 torcedores compareceram à Toca da Raposa I e ovacionaram Gilvan. Um contraste com a última partida do Brasileirão do ano passado, quando, mesmo goleando o rival por 6 a 1, a torcida xingou Zezé Perrella por diversas vezes no decorrer da partida.

Zezé tinha razão?


Se Gilvan está em alta com a torcida por segurar Montillo, Zezé Perrella parece ter profetizado, no último mês, as consequências para o clube, caso o craque argentino não fosse vendido. Em 5 de dezembro do ano passado, o ex-mandatário afirmou que era a favor da negociação de Montillo e, se ela não ocorresse, o Cruzeiro fatalmente atrasaria salários. De fato, o clube celeste está em débito com o vencimento dos jogadores.

”Infelizmente, o futebol é deficitário e não existe outra maneira de manter as contas em dia a não ser com a venda de jogadores. Foi assim que mantivemos o clube saneado e conquistamos vários títulos nesses 17 anos. Se não vendermos, não temos como pagar os nossos compromissos. Se alguém mudar essa política, os salários não serão pagos em dia. Acho muito difícil segurar o Montillo”, disse Perrella, na ocasião.