O Craque do ano do Troféu Telê Santana, o armador Montillo é a aposta do técnico Vágner Mancini para a nova temporada. Depois do amistoso contra o Mamoré, em Patos de Minas, o treinador foi enfático ao dizer que pretende contar com o jogador neste ano. Quase suplicou à cúpula celeste pela permanência do craque na Toca, no mesmo dia em que a imprensa paulista voltou a ventilar a suposta reabertura do diálogo entre Cruzeiro e Corinthians pelo atleta.
O clube mineiro nega qualquer novidade sobre o assunto. Mas o gerente de futebol Valdir Barbosa avisa que nenhum jogador é inegociável. “Não sei, porém, qual é o pensamento do presidente (Gilvan de Pinho Tavares), até porque não houve mais nenhuma proposta”, pondera.
De acordo com o presidente em exercício do Timão, Roberto Andrade, as conversações foram retomadas pelo empresário do jogador, Sergio Irigoitia. Valdir Barbosa confirma. O representante de Montillo abriria mão de R$ 4 milhões de luvas e, dessa forma, a proposta corintiana subiria de R$ 20 milhões para R$ 24 milhões. Procurado pelo Estado de Minas, Irigoitia não quis falar sobre o assunto e desligou o telefone antes mesmo de ser questionado.
Se houver outra proposta, não custará nada ao Cruzeiro estudá-la, segundo Valdir. Enquanto isso, o jogador permanece no clube. Ele tem contrato até o fim de 2015 e a diretoria cobrou que ele o cumprisse, apesar da manifestação pública dele em defesa da transferência para a equipe paulista. Na semana passada, Montillo afirmou que continuaria em Minas. Os dirigentes buscam parceiros para financiar mais um aumento salarial, diante das investidas dos corintianos, que ofereceram salário em torno de R$ 500 mil, contra os R$ 180 mil que ganha no clube mineiro.
“Eu tenho escalado o Montillo. Peço muito para que ele fique. É diferenciado. Até mesmo em um jogo tecnicamente muito abaixo é o cara que faz as jogadas, prende a bola, dá qualidade. Mas em negociações eu não entro. Fica entre o Montillo e a diretoria. Eles são adultos, que se resolvam”, afirmou o técnico Vágner Mancini, que dará início, hoje pela manhã, aos preparativos para a estreia do Cruzeiro no Campeonato Mineiro contra o Guarani, domingo, às 17h, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas.
DESFALQUES Mancini adiantou que deve manter na estreia a formação que venceu o Mamoré (2 a 1) no sábado. “O time não vai fugir do que vimos. Ainda temos dificuldade de opção. Não pode jogar o Fábio, não pode jogar o Roger. Vamos ter 90% na estreia, se não for os 100%.”
Mesmo liberado pelos tribunais de Justiça desportiva, o goleiro Fábio será poupado preventivamente, porque levou o terceiro cartão amarelo na decisão contra o Atlético no ano passado. Já o armador Roger foi expulso na mesma partida. Mancini também não sabe se poderá contar com o lateral-direito Jackson, o volante Diego Arias e o atacante Fábio Lopes. Os três não tiveram suas documentações regularizados. O prazo determinado pela FMF para que eles possam jogar contra o Guarani termina na sexta-feira.
Os três não enfrentarão o Nacional de Nova Serrana, em confronto válido pela primeira rodada e adiado para o dia 16. É que o prazo de inscrição de jogadores para essa partida terminou na quarta-feira.
Perrella fixou preço
Ainda presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella havia fixado em R$ 15 milhões de euros o valor mínimo pelos direitos econômicos do armador Montillo no fim do ano passado. O dirigente disse na época que só negociaria o jogador com clubes do exterior, justificando que não reforçaria adversários no Brasil, como Corinthians, Flamengo ou São Paulo.
E teria assinado um documento, prevendo a venda. Os papéis, porém, tinham validade até 31 de dezembro de 2011. Ao fixar o preço, o ex-presidente celeste abriu o leilão pelo atleta e sobrou para o atual mandatário, Gilvan de Pinho Tavares, administrar os conflitos. Seduzido pela proposta do Timão, o argentino manifestou publicamente o desejo de sair. A diretoria afirmou que ele teria que cumprir o contrato até 2015, mas prometeu aumento salarial, em negociação com empresas que explorariam a imagem do ídolo celeste.