Cruzeiro

Atletas dizem que falta de diálogo com presidente motivou entrega de carta

Ironia de Gilvan de Pinho Tavares gerou insatisfação entre atletas do Cruzeiro

"A gente tentou contato com ele e não conseguiu", disse Wellington Paulista
Nesta quarta-feira, os jogadores do Cruzeiro concederam as primeiras entrevistas coletivas depois de entregarem à imprensa uma carta de repúdio às ironias do presidente Gilvan de Pinho Tavares sobre os salários atrasados. Segundo o zagueiro Victorino e o atacante Wellington Paulista, a falta de diálogo com o mandatário celeste foi a causa da manifestação pública.


Victorino esclareceu que os jogadores formularam a carta muitos dias antes da divulgação. “Queríamos falar com o presidente, mas ele não pôde vir falar com a gente. Também esperamos para enviar a carta para imprensa, esperamos muito tempo, até o ponto que não deu mais para aguentar. O tema foi tratado internamente, mas não tivemos resposta do presidente e, assim, o grupo decidiu enviar a carta”, disse.

“A gente tentou contato com ele e não conseguiu. Por isso, preferimos entregar a carta”, ratificou Wellington Paulista, que apontou a ironia de Gilvan como a motivação para a carta. “O negócio da carta não foi o salário atrasado. Lógico que a gente quer que fique em dia. Ainda bem que já colocaram em dia, todos estão com dinheiro no bolso. Agora é trabalhar forte para estrear bem no Mineiro”, complementou.

No último dia 19, Gilvan de Pinho Tavares ironizou o atraso no pagamento de salários aos atletas: “essa miséria que os jogadores ganham, se atrasar três dias, faz muita falta”.

Na manhã desta terça-feira, os jogadores, liderados pelo capitão Fábio, entregaram à imprensa uma carta de repúdio às ironias do presidente. À noite, os salários foram quitados.

Na próxima semana, o clube deverá pagar os salários de janeiro. Enquanto aguarda, Victorino espera que novos atrasos não aconteçam. “Vamos ver agora. A gente está hoje bem, semana que vem já tem de pagar outro salário. Foi uma irregularidade um mês. O Cruzeiro há muitos anos não atrasava o salário, tomara que seja do mesmo jeito daqui para frente”.

O zagueiro uruguaio ressaltou que o atraso nos salários não provocou queda de rendimento na preparação da equipe para a temporada 2012. “O grupo falou muito disso. Apesar dos atrasos e tudo que poderia acontecer, tínhamos de fazer boa preparação para encarar o ano que vai ser muito forte e duro. Não atrapalhou nos treinamentos. O grupo se entregou por inteiro nos treinos e na pré-temporada”, salientou.