A chegada do treinador deu ânimo novo na Toca da Raposa II. Se nos últimos dias o clima de incerteza fez com que os treinos fossem quase em silêncio, ontem já se viu atletas animados, correndo bastante, além dos costumeiros gritos de incentivo ou reclamação do novo comandante.
A cobrança, aliás, é uma das marcas de Celso Roth, como ele próprio destaca. Porém, refuta o rótulo de “sargento”. “Não tem nada disso, sargento, capitão, o que tem de haver é comando, organização, não só no futebol, mas na vida. Temos de estar preparados para qualquer coisa e você só fica preparado se tiver disciplina. Nada funciona sem comando e sem disciplina”, diz ele, destacando que vai jogar quem estiver melhor e provar isso nos treinamentos.
Roth também descartou a fama de priorizar as equipes fechadas, que pouco atacam. “Não tenho essa marca de defesas sólidas, mas sim de ter um time equilibrado. Se as coisas andam juntas, funcionam juntas. O meu pensamento é ter setores equilibrados e, se conseguir, teremos uma defesa firme e um ataque que vai chegar. Essa é minha ideia de ver futebol e vai continuar assim”, declara.
Com o time eliminado precocemente tanto no Campeonato Mineiro quanto na Copa do Brasil, caberá ao novo técnico não só reorganizar a equipe como elevar a autoestima dos jogadores. Dizendo-se pronto para realizar o trabalho, ele mostra confiança. “Treinador só entra neste tipo de situação, chega para ajeitar a casa. O desafio é grande, difícil, mas já ficou mais ameno depois da boa recepção que tive e também da conversa com a diretoria.”
Nesse diálogo, obviamente, um dos assuntos foi a contratação de reforços. Os nomes ou mesmo as posições estão sendo mantidos em sigilo, mas é certo que o Cruzeiro vai buscar atletas. Um deles seria o volante Elias, atualmente no Atlético-GO.
De qualquer forma, ele lembra que a fase do clube não é tão boa como em outras temporadas, tendo havido troca de comando, além de os recursos financeiros estarem escassos. “O Cruzeiro passa por um momento de mudança e isso causa um certo desequilíbrio. Se troca é o treinador é porque está desequilibrado tecnicamente. Então, nossa missão é trabalhar para fazer o melhor possível. Se tivermos o mérito de disputar o titulo, ótimo”, afirma.
Conhecimento Somando duas passagens pelo maior rival do Cruzeiro, o Atlético, o treinador se diz bastante feliz em voltar a Belo Horizonte e considera um privilégio a chance de trabalhar no clube do Barro Preto. “Aceitei o convite muito por sempre ter apreciado o Cruzeiro, toda vez que vinha ou estava aqui como adversário, sempre gostei da estrutura, da forma como o clube trata as coisas”, diz.
Se ontem ainda estava conhecendo a maioria dos atletas, hoje ele comanda treino em dois períodos e já pretende começar a armar o time para a sequência da temporada. O desafio maior é estrear com o pé direito. “O jogo de domingo é hiper-importante, pois estaremos jogando em casa. É uma decisão, não apenas pela nossa necessidade, como também pela própria fórmula dos pontos corridos”, afirma.