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'Cruzeiro tem moral para falar de alguém?', dispara presidente do Atlético-GO sobre 'caso Renato Kayzer'

Adson Batista ironizou tom da carta do Cruzeiro sobre postura do Atlético-GO

Redação
Adson Batista disse que Cruzeiro 'não tem moral' para contestar postura do Atlético-GO - Foto: Reprodução/TV Sagres O presidente do Atlético Goianiense, Adson Batista, rebateu duramente neste sábado a nota divulgada pelo Cruzeiro acerca da transferência do atacante Renato Kayzer para o Athletico Paranaense. O jogador estava emprestado aos goianos até o fim do Brasileiro e tinha vínculo com a Raposa até março de 2021. 




Dos R$ 5 milhões ofertados pelo Athletico-PR, o Cruzeiro, detentor de 70% dos direitos, receberá valor proporcional de R$ 3,8 milhões, enquanto o Vasco, dono de 20%, ficará R$ 1,2 milhão. Os 10% restantes ficariam em posse do próprio jogador.

No comunicado, a direção cruzeirense informou que precisou recorrer à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) para que o Atlético-GO liberasse o atleta para se transferir em definitivo para o Athletico-PR.

O contrato de empréstimo previa que o Atlético-GO tinha a opção de igualar a proposta do Furacão para ficar com Kayzer. O Cruzeiro alega que fez três notificações pedindo um posicionamento dos goianos sobre a compra ou a liberação do atleta, mas não obteve retorno. Diante disso, pediu mediação da CNRD e conseguiu parecer favorável para concluir a transação com os paranaenses.



Na nota divulgada em seu site oficial na tarde de sábado, o Cruzeiro lamentou o descumprimento do acordo por parte do Atlético-GO. “O Clube reitera seu dever de honrar todos os seus compromissos e acredita que os contratos devam ser cumpridos com boa-fé, lealdade e honestidade, lamentando que o Atlético-GO ainda esteja tentando dificultar a negociação, desrespeitando as cláusulas do pacto por ele próprio celebrado”.

Ao comentar a nota, o presidente do Atlético-GO usou inicialmente de ironia, tendo em vista o histórico de acordos descumpridos pelo clube mineiro em gestões recentes.

Eu vou chorar né? Eu vou chorar. O Cruzeiro tem moral para falar alguma coisa de alguém? O Cruzeiro não tem moral para falar nada de ninguém não. O tanto de coisas erradas que ele faz. Eu não fiz nada errado. Eu defendi o Atlético Goianiense. Respeito a entidade do Cruzeiro, eu respeito muito, sempre tivemos uma boa relação com o Cruzeiro, com o Benecy (Queiroz, supervisor), que é uma pessoa muito séria, que está lá há 200 anos. Mas, infelizmente, eles não agiram corretamente”, disse Adson Batista.

O dirigente deu a entender que recorrerá da decisão liminar da CNRD. “Nós estamos com o nosso jurídico atento e fazendo as coisas legalmente. Vamos ver pra frente quem é que vai ter problema. É evidente que o jogador, ele hoje mudou de lado por uma proposta irrecusável, e ele tem as razões dele, infelizmente, porque ontem ele tinha uma ideia e hoje ele já teve outra. E já está na hora disso acabar, eu não suporto mais viver nessa agonia, nesse desgaste. E o Atlético-GO é maior do que isso”.



Adson informou que esgotou todas as possibilidades de convencer Renato Kayzer a ficar no Atlético-GO. Mas, como o jogador decidiu ir para o Athletico-PR, não seria prudente igualar a proposta de compra dos direitos econômicos e criar um impasse.

O presidente disse que só exerceria a compra se Kayzer aceitasse a proposta salarial do Atlético-GO por um novo vínculo de três temporada, o que não ocorreu. 

"A situação do Kayzer foi hiper, mega desgastante, e é bom eu deixar muito claro aqui que comigo as coisas são sérias. Eu procurei defender o Atlético a todo custo e fiz isso a todo momento. As pessoas ficam falando 'ah, por que não depositou a multa?' Não adianta depositar, porque depois se o jogador não assina comigo, eu vou jogar dinheiro no lixo. Porque o jogador é soberano, ele e o empresário dele é soberano (sic). Ele precisa estar com você e aceitar a sua proposta. O Atlético-GO ofereceu mais um de R$ 1 milhão em luvas para o senhor Kayzer, fez um salário, o maior do clube historicamente, quem não vou nem te falar, um contrato de três anos. Eu venho há dois meses trabalhando isso, muito, vocês podem confirmar com ele”.

Adson prosseguiu: “O problema é que virou um leilão danado e, infelizmente, tem clube que eu não vou aqui acusar golpe, porque eu sou maior que isso, o Atlético é maior que isso. Para ser ainda maiores do que somos, nós não podemos acusar golpe. Mas tem clube que não tem escrúpulo, não tem o mínimo de respeito e não tem seriedade com as coisas. É um clube que conversa com você num dia, te dá um tapa nas costas e te empurra para o abismo. Isso para mim não me interessa. Kayzer é passado, eu fiz de tudo para que ocorresse. Infelizmente, o jogador chegou quase que chorando para mim, dizendo que resolveu a vida dele e da família dele. Agradeço até a postura dele ter vindo jogar porque 99% não joga. Ele veio jogar contra empresário, contra Cruzeiro, contra tudo. Ele veio jogar. Não vamos misturar as coisas. Realmente o dinheiro fala mais alto”.


Kaizer se despediu do Atlético-GO na derrota deste sábado, por 4 a 3, para o Atllético, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Dinheiro que chega em boa hora


O dinheiro da venda de Kayzer chegará em boa hora para a diretoria celeste, que ainda não havia conseguido recursos para colocar em dia a folha salarial de agosto, com vencimento no quinto dia útil de setembro.
 
O Cruzeiro também tinha pressa para fechar a negociação porque Renato Kayzer poderia assinar pré-contrato com outro clube no fim do mês, pois tinha vínculo com a Raposa somente até 31 de março de 2021.
 
Renato vivia no Atlético-GO a melhor fase da carreira. Em 16 partidas na temporada, ele marcou 10 gols - cinco no Campeonato Goiano (7 jogos), dois na Copa do Brasil (4 jogos) e três no Brasileirão (5 jogos). Na Série B de 2019, contabilizou sete gols em 33 jogos.


 
No Cruzeiro, o atacante atuou apenas seis vezes na temporada 2019 sob o comando do técnico Mano Menezes. Sua contratação foi anunciada em março de 2018, após passagem de destaque pelo Tupi no Campeonato Mineiro (cinco gols em 11 partidas).