Flamengo

Visitante ilustre

Flamengo faz a festa da galera no interior de Minas e a expectativa é de casa lotada

Renan Damasceno - Enviado Especial


Lateral Léo Moura foi um dos mais festejados pelos flamenguistas presentes ao treinamento do time
Juiz de Fora – “Neste estádio vesti pela última vez, oficialmente, a camisa do Flamengo. Zico.” A placa de bronze, com uma foto autografada, logo na entrada do Estádio Radialista Mário Helênio, em Juiz de Fora, é uma prova da identificação da principal cidade da Zona da Mata mineira com o rubro-negro carioca. Como um filho ilustre, que vez ou outra troca a praia pela casa de campo, o Flamengo enfrenta o Campinense, hoje, às 22h, pela segunda fase da Copa do Brasil, com expectativa de mais de 25 mil torcedores. No jogo de ida, na Paraíba, vitória rubro-negra por 2 a 1.

Com a interdição do Engenhão – por problemas estruturais na cobertura –, e o período de exclusividade do Maracanã para a Copa das Confederações, no mês que vem, Juiz de Fora se tornou opção viável para os clubes cariocas. A distância de apenas 184 quilômetros e a paixão dos juiz-foranos pelos clubes cariocas ajudam na adaptação.

Aprovado pela Fifa como Centro de Treinamento de Seleções (CTS) para a Copa do Mundo'2014, o Estádio Mário Helênio passa por pequenas reformas desde o início do ano. No início do mês, o Ministério do Esporte aprovou projeto de modernização de R$ 800 mil – que pode ser ampliado para R$ 2,5 milhões –, que a prefeitura vai usar para adequar o local às exigências da Fifa.

As reformas começam em agosto e incluem a troca do gramado – para a espécie bermuda celebration, a mesma do Mineirão – , instalação de placar eletrônico, reforma de vestiário, monitoramento completo e catracas eletrônicas (sempre que o estádio recebe mais de 10 mil torcedores, a prefeitura precisa alugar catracas). As delegações da Suíça, Rússia e Austrália já mandaram representantes para visitar a cidade para avaliar as instalações. A Suíça, que disputa as Eliminatórias Europeias, já indicou Juiz de Fora como prioridade.

ATRAÇÃO

O Mário Helênio é uma espécie de porto seguro do Flamengo, protagonista de momentos marcantes do estádio. Na inauguração, em 1988, o rubro-negro venceu o time do Argentinos Juniors por 2 a 1. Em 2 de dezembro do ano seguinte, na goleada por 5 a 0 sobre o Fluminense, o Galinho de Quintino vestiu a camisa vermelha e preta pela última vez. Em 1990, venceu o Goiás, por 1 a 0, na primeira partida da decisão da Copa do Brasil, abrindo caminho para o título.

Para atrair mais uma vez o filho ilustre – o clube esteve pela última vez na cidade em 2007, quando superou o América-RN – , a cidade tomou a iniciativa. “No dia em que a prefeitura do Rio anunciou a interdição, mandamos documento deixando nossa cidade à disposição. Eles ligaram, o Jaime (auxiliar técnico do Flamengo) visitou o local, e gostou de como o estádio estava”, comentou o secretário de esportes, Francisco Canalli, que recebe hoje a visita de auxiliares do Fluminense. O Vasco fez preparação semana passada na cidade e jogou amistoso contra o Tupi. Botafogo e Cruzeiro são os outros dois times que podem confirmar presença em Juiz de Fora.

A expectativa de público hoje é superior a 25 mil torcedores, já que a prefeitura local, com algumas adaptações, conseguiu a liberação para 31.863, ante os 20 mil permitidos para o Campeonato Mineiro. Nos próximos dias, o Flamengo deve confirmar o estádio como palco da partida contra a Ponte Preta, dia 29, pela segunda rodada do Brasileirão.

PERSONAGEM DA NOTÍCIA
. MOACYR TOLEDO, 80 anos,
. ex-ponta de lança do Tupi e administrador do Estádio Mário Helênio

Ex-jogador do Tupi lembra jogo em que marcou Pelé


Ex-jogador do Tupi lembra jogo em que marcou Pelé
A história do futebol de Juiz de Fora se confunde com a trajetória de um senhor educado e prestativo que conhece cada metro do Estádio Mário Helênio. Moacyr Toledo, o Toledinho, ponta de lança do perigoso Tupi da década de 1960 – que ficou conhecido como “Fantasma do Mineirão”, pelas vitórias sobre os grandes da capital –, é responsável, há mais de uma década, pela administração do estádio. No hall principal, um quadro relembra o grande momento de sua carreira: o empate do Tupi com a Seleção Brasileira, por 1 a 1, em Caxambu, na preparação para a Copa do Mundo'1966. Na foto, ele marca ninguém menos que Pelé. “Estava sentado no restaurante, jantando com o time depois do jogo, e vi uma movimentação do lado de fora. Quando olhei, era o Pelé, que foi logo perguntando: 'Quem é aquele galeguinho que me deu trabalho no campo?'. Quando respondi, ele me entregou a foto, parabenizando o time pelo jogo. Nunca vou me esquecer da educação do maior jogador de todos os tempos”, relembra.

BETIM NA VOLTA COM O CRAC-GO

Ainda pela Copa do Brasil, outros oito jogos, sendo seis de volta, acontecem esta noite. Às 20h30, o Betim recebe o CRAC-GO, na Arena do Calçado, em Nova Serrana. Na ida, o time mineiro foi derrotado por 3 a 2, e agora joga com a vantagem do empate em 0 a 0 para se classificar à próxima fase. No mesmo horário o Paysandu, que fora de casa venceu por 1 a 0, recebe o Naviraiense. Mais cedo, às 19h30, em Goiânia jogam Goiás e Santo André. Na ida, os goianos venceram por 3 a 2. Já o Criciúma, em Santa Catarina, joga com o São Bernardo. Na ida, empate em 1 a 1. No Estádio Centenário, em Caxias do Sul, às 22h, o Internacional pega o Santa Cruz, depois do empate em 0 a 0 no Recife. O Luverdense, que venceu no primeiro jogo por 2 a 0, vai à Arena Fonte Nova, no mesmo horário, encarar o Bahia. Outras duas partidas são de ida. Às 19h30, se enfrentam Salgueiro e Vitória, em Pernambuco. Já às 21h30, o Coritiba vai a Manaus, encarar o Nacional.