Futebol Nacional

PARABÉNS, COELHO!

Em meio a quedas e ascensões, América completa 101 anos de história nesta terça

Desde 1912, ano de sua fundação, Coelho conquistou 20 títulos oficiais e o status de terceira força de Minas. Resultados do último ano, porém, não agradaram a torcida

postado em 30/04/2013 07:00 / atualizado em 30/04/2013 18:10

Arquivo/EM/D.A Press


Terça-feira, dia 30 de abril de 2013. Na presente data, o América celebra 101 anos de história. Entre glórias, fracassos, sucessos e tropeços, o clube do Horto consolidou-se como a terceira força de Minas Gerais, atrás somente dos gigantes Cruzeiro e Atlético. A trajetória nos últimos 365 dias, porém, não apresenta muitas coisas para se comemorar, já que o Coelho amargou a oitava posição tanto na Série B de 2012 quanto no Campeonato Estadual deste ano. Assim, o time alviverde quer levar em consideração apenas os momentos bons para tentar se reerguer na sequência da temporada.

GALERIA DE FOTOS DO TÍTULO MINEIRO DO AMÉRICA EM 2001

GALERIA DE FOTOS DO TÍTULO DA COPA SUL-MINAS DE 2000

Não há como falar de bons momentos no América sem citar as longínquas décadas de 1910 e 1920. No quarto ano após a sua fundação, ocorrida em 1912, o então grupo formado por jovens da elite mineira conquistava o primeiro Campeonato Estadual. Assim ocorreu nas nove edições seguintes, completamente dominadas pelo esquadrão americano. Despontava ali, então, o maior artilheiro da história da agremiação. Com 167 gols, é Satyro Taboada quem lidera o ranking dos goleadores alviverdes.

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A sequência do América só foi barrada em 1926. Na ocasião, o título estadual ficou dividido entre os rivais Cruzeiro e Atlético. Ali começou a decadência do clube, que mandava seus jogos no Estádio da Alameda, na Avenida Francisco Sales, bairro Santa Efigênia. Somente em 1948, já com o Coelho estabelecido como mascote pelo cartunista “Mangabeira” e diante da casa reformada para 15 mil torcedores, é que o time voltou a vencer o Campeonato Mineiro. Nove anos depois, em 1957, o feito foi repetido.

Desbancando o Campeão Brasileiro


Em 1971, o América montou um de seus melhores times da história. O esquadrão verde e preto era liderado por Jair Bala, considerado o maior jogador que já passou pelo clube. Ao seu lado estavam Juca Show e Pedro Omar, até hoje bem lembrados pela torcida. O resultado dessa sintonia foi o título do Campeonato Mineiro de forma invicta. Em 22 jogos, foram 16 vitórias e seis empates. Com 14 gols, o mesmo Jair foi o artilheiro. Entre os principais confrontos, destacam-se os dois contra o rival Atlético, que mais tarde seria Campeão Brasileiro. A vitória americana aconteceu em ambos: 2 a 1 e 1 a 0.

Rebaixamento à Série B em 1978


Por sete anos seguidos, o América se manteve na elite do Campeonato Brasileiro. Em 1973, por pouco o clube não chegou ao quadrangular final da competição (terminou em 7º). Só que o fracasso veio à tona em 1978. Com o 68º lugar de 74 participantes da Primeira Divisão, o rebaixamento à zona de acesso foi decretado. Depois disso, o desempenho do Coelho nas principais competições nunca mais foi o mesmo.

Pingue-pongue na década de 1990

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Após muito tempo na Série B do Brasileiro, o América voltou à Primeira Divisão beneficiado por uma mudança no regulamento em 1993. Ao todo, 12 equipes subiram e nenhuma foi rebaixada. Além disso, os integrantes do Clube dos 13 estavam imunes à queda. Com 14 pontos em 14 jogos, o Coelho fez uma campanha razoável e ficou à frente de Bragantino, Vasco, Sport, Fluminense, Bahia, Botafogo e Atlético, mas foi castigado por ter sido um dos quatro últimos do Grupo D, já que os times das chaves A e B estavam livres do descenso.

O primeiro título nacional do América

Foram quatro anos seguidos até o retorno à divisão principal do futebol brasileiro, em 1997. E a volta não poderia ter sido melhor. O América dominou a Série B com 14 vitórias, quatro empates e apenas cinco derrotas. De quebra, contou também com Tupãzinho, artilheiro da competição com 13 gols. Diante de um Estádio Independência com mais de 12 mil pagantes, Celso fez o gol da vitória sobre o Vila Nova de Goiás que deu o título ao Coelho.

A sorte, porém, voltou a se afastar do América na temporada seguinte. Em 1998, o empate com o Palmeiras por 1 a 1, pela última rodada do Brasileirão, no Independência, sacramentou o retorno à Segunda Divisão.

Campeão da Copa Sul-Minas em 2000


Apesar dos altos e baixos, o fim da década de 1990 foi positivo para o América. Além de ter sido convidado a disputar a Copa João Havelange, em 2000, o time foi campeão da Copa Sul-Minas no mesmo ano após desbancar o rival Cruzeiro na decisão em duas partidas, no Mineirão – vitória em ambas por 2 a 1 e 1 a 0. Na competição nacional, que aconteceu no segundo semestre, o desempenho foi um batalhado 19º lugar, com sete vitórias, seis empates e 11 derrotas.

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Título estadual, vacas magras e a redenção

Em 2001, o América conquistou o Campeonato Mineiro. Parecia o início de uma temporada razoável na Série A. Apenas parecia. O muro alviverde começou a desmoronar com mais um rebaixamento à Segunda Divisão, no mesmo ano. Três anos depois, a agonia aumentou com a queda à Série C e o início das grandes dificuldades financeiras. Por pouco o clube não fechou as portas.

O pesadelo maior ocorreu em 2007. Jamais o América havia sido rebaixado à Segunda Divisão do Campeonato Mineiro. Nesse ano, porém, todos os problemas vieram à tona. A queda foi inevitável. Euller, o “Filho do Vento” e ídolo do clube, prometeu ajudar no que fosse preciso. E cumpriu. O retorno à “Primeirona” foi imediato, logo no ano seguinte.

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A união passou a ser fundamental na agremiação. Os conselheiros americanos, empresários bem-sucedidos em sua maioria, colocaram à disposição não somente os recursos financeiros, mas também os próprios corações. Em 2009, veio a quinta colocação bem-recebida no Campeonato Mineiro. Ela permitiu que o América disputasse a Série C do mesmo ano, competição positivamente aproveitada na sequência, com nove vitórias, dois empates e três derrotas. Assim, o Coelho voltou à Série B.

Série A: ascensão e queda meteórica

Foi muito rápido. Logo que chegou à Série B, o América se manteve entre os primeiros colocados. E assim caminhou do início até o fim. O quarto lugar ao término da competição permitiu que os comandados de Mauro Fernandes disputassem a Série A em 2011.

Na elite, a história se mostrava diferente. Eram duríssimos os páreos contra São Paulo, Corinthians, Fluminense e Internacional, além dos conhecidos rivais Cruzeiro e Atlético. Mesmo com apenas oito vitórias em 38 jogos, o América encantou em determinados momentos. Levou a melhor sobre os três primeiros colocados – Corinthians, Vasco da Gama e Fluminense – e terminou o torneio em 19º lugar.

De 2012 até 2013: sem motivos para comemorar


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O fato de o América ter eliminado o Cruzeiro na semifinal do Campeonato Mineiro e dado início a uma ótima campanha na Série B do Brasileiro deu esperanças ao seu torcedor em 2012. O esboço de uma grande campanha estava pronto. Parou por aí. No Estadual, o elenco de Givanildo Oliveira sucumbiu perante o Atlético na decisão. Já no torneio nacional, após o time figurar as 15 primeiras rodadas no G-4, a queda de rendimento aconteceu. Givanildo foi demitido. Passaram pelo comando os técnicos Milagres, Mauro Fernandes, Cláudio Prates e, por fim, Vinícius Eutrópio. Este foi mantido para 2013.

Eutrópio começou do jeito que todo técnico gosta. Foi dado a ele bastante tempo para planejamento, preparação e montagem da equipe. No entanto, os resultados não foram satisfatórios. Vinícius foi demitido na quinta rodada do Campeonato Mineiro. Paulo Comelli foi chamado às pressas para tocar o barco no meio do caminho. A primeira fase do Estadual já passou e o América não se classificou. Agora é tempo de repensar, reformular e reconstruir o projeto. Claro, sem esquecer de consertar os erros cometidos no início.

Hoje, os dirigentes, a comissão técnica e os jogadores pregam a palavra de que o foco principal do América em 2013 é a ascensão à Série A. O time tem tempo para se preparar e contratar os reforços necessários, já que a Série B começa apenas no dia 25 de maio. É apresentando os resultados dentro de campo que o Coelho poderá fazer as pazes com a pequena e apaixonada torcida. Muitas emoções ainda estão porvir.

Principais títulos oficiais do América (20 troféus)

Nacionais (2 troféus)


Série B do Brasileiro: 1997
Série C do Brasileiro: 2009

Interestaduais (1 troféu)

Copa Sul-Minas: 2000


Estaduais (17 troféus)

Campeonato Mineiro (15 vezes) - 1916, 1917, 1918, 1919, 1920, 1921, 1922, 1923, 1924, 1925, 1948, 1957, 1971, 1993 e 2001

Taça Minas Gerais: 2005

Módulo II do Mineiro: 2008


Maiores Artilheiros do América


1 – Satyro Taboada - 167 gols (1922 a 1935)

2 – Gunga – 109 gols (1955 a 1961)

3 – Petrônio – 106 gols (1948 a 1954)

4 – Harvey – 89 gols (1951 a 1953; 1957 a 1958)

5 – Jair Bala – 78 gols (1964; 1971 a 1972)

6– Palhinha – 77 gols (1987 a 1992; 2000 a 2002)

7 – Ernani Charuto - 76 gols – (1954 a 1959)

8 – Murilinho – 75 gols – (1947 a 1951)

9 – Zuca – 73 gols (1958 a 1961)

10 – Euller – 72 gols (1988 a 1993; 2006 a 2007 e 2009 a 2011)

11 – Samuel – 72 gols (1965 a 1970)

12 – Fábio Júnior - 70 gols – (2010 a 2013)