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SANTA CRUZ

Santa correndo 'por fora', saídas, patrocínio... Itamar solta o verbo antes de estreia

Em longa entrevista coletiva, técnico coral respondeu sobre vários assuntos e adiantou que ainda quer 'pelo menos' mais seis reforços

postado em 17/01/2020 19:55 / atualizado em 17/01/2020 20:21

(Foto: Marlon Costa/Futura Press)
Mais uma vez, o técnico do Santa Cruz, Itamar Schülle, falou ‘na lata’ o que tinha a dizer. Antes da estreia oficial do Tricolor no próximo sábado, diante do Petrolina, em jogo que acontece no Arruda pela rodada de abertura do Campeonato Pernambucano, o comandante coral “soltou o verbo” na coletiva de imprensa. 

Em uma entrevista longa, de quase meia hora, na tarde desta sexta-feira Itamar disse que o Santa Cruz, por enquanto, ainda ‘corre por fora’ nas competições se comparado aos concorrentes. Também justificou as saídas do volante Júlio Romão, do meia Diogo e do atacante Pedro Maycon - todos contratados, apresentados ao torcedor tricolor, mas liberados do plantel por opção técnica ainda na pré-temporada -, revelou conversas com o presidente Constantino Júnior sobre nomes de atletas que os patrocinadores do Santa Cruz colocaram na mesa, além de outros assuntos abordados. 

Confira, na íntegra, a entrevista coletiva.

Expectativa para estreia 

“Eu acho que a gente tem que estar muito preocupado é com o nosso trabalho, com o que a gente tem feito, respeitando o adversário, que é uma equipe forte, rápida, com meio campo experiente e jogadores velozes na frente. Uma zaga bem alta, com Nildo, que já foi jogador meu, tem laterais que descem com bastante intensidade. O Petrolina fez dois jogos muito consistentes com o Juazeiro e o último acabaram vencendo com tranquilidade. É um adversário difícil, mas temos que estar preocupados conosco, com o nosso trabalho. 

Aspecto físico 

A gente passa dificuldade até pelo nosso preparo físico, porque tem atleta que chega mais cedo, outro que chega no decorrer da competição e outro que vem depois. Então hoje, na realidade, nós temos três grupos treinando. Nós temos o grupo A, B e C. Então isso tudo requer demanda, requer trabalho, requer atenção para que, com o decorrer dos próximos 10 dias a gente possa ter um grupo só. 

Avaliação do plantel

É um grupo pequeno e muito dedicado. São soldados no exército com muita vontade, e isso que é importante. Não adianta eu ficar pensando no que não tenho. Eu me alegro com aquilo que a gente tem. Dificuldade nós passamos e vamos superá-las. Nós temos soldados valentes, trabalhando sempre, se dedicando. São com esses ingredientes a gente vai começar a competição. Aquele que entrar em campo vai dar o seu melhor. E exército é assim, você não olha para onde você vai. Soldados abnegados são assim. Você não sabe para qual lado você vai ter que ir, você só sabe que vai ter que defender a sua pátria. 

Evolução esperada

(Foto: Marlon Costa/Futura Press)
Nós todos sabemos que o Santa Cruz está em processo de evolução. Eu sei, o torcedor sabe, a diretoria sabe que nós precisamos de atletas. Nós precisamos ainda de, pelo menos mais uns seis reforços. Nós não temos praticamente nada de jogadores de frente, e qualquer coisa que acontece nós temos que improvisar, como no último jogo-treino. Mas são situações que ocorrem e você não tem muitas opções. Mas um soldado, como eu disse, não escolhe. Ou você vai ser último a levar o tiro ou o primeiro, mas tem que estar pronto. Esses são os soldados do Santa Cruz, onde a gente precisa do apoio da torcida. 

Reforços e concorrência

Nós temos conversado diariamente com a direção. Ontem eu conversei demoradamente com o presidente e ele está lutando muito para trazer esses reforços. É claro que a gente tem um patamar completamente diferente em relação aos nossos concorrentes. O grau de investimento de concorrentes do Santa Cruz aqui no Campeonato Pernambucano, não tem nem comparação. Você vai dar x para um atleta vir jogar aqui e os concorrentes dão 10x, 12x. 

O Santa Cruz corre por fora hoje, mas vamos jogar com humildade, com trabalho, visando as competições que temos e lembrando que o principal objetivo é subir para uma Série B. Nós temos trabalhado sabendo, claro, da responsabilidade com o Campeonato Pernambucano, Copa do Nordeste e outros. Tudo que o Santa Cruz vai disputar tem nossa responsabilidade. Mas temos que ser bem claros sabendo que os nossos concorrentes tem uma condição bem melhor de trazer, reforçar, contratar. Mas o Santa Cruz está correndo. 

Pedido por reforços a Ceni e Valentim 

Hoje de manhã eu conversei por um bom tempo com o Rogério Ceni para eu saber melhor de um atleta, para ver se ele estava dentro daquilo que a gente quer ou se a gente não quer. A gente ouvir isso do treinador, não tem nada melhor. Depois eu conversei com o técnico do Botafogo (Alberto Valentim) sobre uns atletas. Esse feedback é muito importante, de ter essa indicação e orientação desses profissionais que me ajudam bastante para que eu tome algumas decisões, junto, é claro, com a direção. Mas eu procuro minimizar o erro.

Ajuda do patrocinador 

Já conversei com Tininho e ele conversou comigo sobre esse patrocínio, sobre a ideia do patrocinador, que é bem abrangente, e sobre alguns nomes que o patrocinador já têm colocado, ou vai colocar. Então, tudo isso aí está sendo visto. Parece que amanhã eles vêm dar as boas vindas pelos atletas, e a gente fica feliz porque vê pessoas, empresas querendo investir no Santa Cruz. Mas quanto aos atletas e quem são, é com o próprio presidente. Me passaram os nomes, mas eles ficam à critério da diretoria sobre esses detalhes. 

Reformas do Arruda

(Foto: Marlon Costa/DP)
A pintura ficou muito bonita. O vestiário também está muito legal, com banheira de gelo e banheira de água quente. Está ficando realmente muito bom. O estádio por dentro está ficando muito bom, muito útil de ser trabalhado e muito organizado. Claro que não está todo pronto, mas praticamente pronto. 

Quanto ao gramado, eu perdi uma aposta com o presidente. Eu apostei com ele um churrasco que não ia estar pronto e ele disse que estaria pronto. Como tem hierarquia, eu não posso fazer nada, eu perdi a aposta. Mas eu acho que o campo está bem melhor do que era no ano passado. Mas ainda requer cuidado, de tempo, porque ainda tem algumas irregularidades. No momento não podemos dizer que ele é o campo ideal para gente jogar. A bola ainda quica bastante, porque o chão está muito duro, mas me falaram que com o jogo vai melhorar. Mas são as dificuldades que a gente vai ter que passar. 

Saída de atletas e aproveitamento da base

Eu vejo assim: todos tiveram as suas oportunidades. Às vezes um atleta dá certo em um clube e no outro não dá. Mas a gente tem que buscar sempre o que os atletas fazem. Nós temos que tirar informações. A gente tirou informações na Ponte Preta, que nos passou todo o histórico do Júlio Romão. Todos os detalhes extra campo e dentro de campo nós buscamos. Fomos para os treinos. 

‘Você viu o André (volante da base) da base jogar?’ Da qualidade do André para o Júlio… A diferença é que o André é mais jogador. E o Júlio não é atleta do Santa Cruz, e o André é. Não vou tirar o lugar de um menino de base e pagar bem mais caro e trabalhar um atleta que não é seu. Temos que trabalhar com o que é nosso e com quem tem qualidade e tem potencial. Só que também você não pode onerar o clube e ter 40 atletas. 

Torço para que o Júlio se dê bem, mas eu não posso ficar com ele e tirar o espaço de um menino que é da base. E assim é também em relação a outros atletas. O João Cardoso (meia que disputou a Copa São Paulo) é muito bom jogador e que precisa maturar. Daqui a pouco ele vai ser um titular do Santa Cruz e ser negociado. Então ele não pode perder esse espaço para um outro atleta onde o clube vai pagar mais caro.

João Cardoso vai se tornar uma realidade para o clube, mas o Santa Cruz precisa ter agora um atleta que resolva. E os meninos serem a composição disso. Todos esses casos do Romão, do Diogo e do Pedro Mayco, são assim. São jogadores que têm potencial, são jogadores com qualidade e torço para que dêem certo. Mas o momento do Santa Cruz é priorizar a vinda desses atletas da base que a gente tinha avaliado e gostado, subir esses atletas para o profissional, não tirar o espaço deles e sim eles olharem para o lado e verem um Didira, um Paulinho, e buscarem a referência deles em jogadores que conquistaram coisas. É isso que a gente pensa ter no Santa Cruz.