Futebol Nacional

ENTREVISTA

Passagem no Cruzeiro, sucesso no Santos, sonho com a Seleção: Bruno Henrique abre o jogo

Campeão dos principais torneios amadores de BH, ex-atleta celeste e sem formação nas categorias inferiores, o mineiro é um dos destaques do Brasileiro e sonha com a Seleção

postado em 03/12/2017 16:00 / atualizado em 03/12/2017 16:07

SANTOS / DIVULGAÇÃO

Dos campos de terra em Belo Horizonte para o templo sagrado da Vila Belmiro, onde brilharam Pelé, Coutinho, Pepe, Robinho e Neymar, entre outros. A rápida trajetória do mineiro Bruno Henrique, de 27 anos, destaque do Santos e cotado para o prêmio de melhor jogador do Campeonato Brasileiro, é uma mostra de que o futebol pode levar um simples cidadão do sonho à realidade em pouco tempo. Nascido e criado no Bairro Concórdia, na Região Nordeste de Belo Horizonte, o atacante, que custou R$ 13,5 milhões aos cofres santistas, vem colhendo os frutos e ganhando prestígio. Líder em assistências do Brasileiro, com 11, ao lado de Gustavo Scarpa, do Fluminenses, o jogador curte o momento positivo e sonha com a Seleção. “Para ser convocado, um jogador tem que estar em seu melhor momento. E eu estou”, afirma o camisa 27, que não teve passagem por categorias de base e começou no Inconfidência, multicampeão em torneios amadores da capital. Bruno Henrique foi contratado pelo Cruzeiro em 2012, quando tinha 21 anos, mas não foi aproveitado. Logo vieram as passagens por Uberlândia, Itumbiara e Goiás até chegar ao Wolfsburg, da Alemanha, onde disputou até a Liga dos Campeões no ano passado, mas não se adaptou. A passagem pelo Santos, no entanto, tem sido diferente, com gols e fama. Ele conversou com o Estado de Minas sobre a ascensão na carreira e os planos para o futuro.

INÍCIO DE CARREIRA
Desde novo queria ser jogador. Aos 6 anos, vivia com esse sonho em mente. Fiz testes em algumas categorias de base, mas não deu certo. Até que fui ser jogador com 21. Quando tinha 19, quase desisti. Fui trabalhar como auxiliar de escritório numa escola para ajudar minha família em casa. Quando disputei a Copa Itatiaia, fui visto pelo Cruzeiro e fizeram contrato comigo de um ano. Logo fui emprestado para o Uberlândia para ganhar experiência.

AUSÊNCIA DE BASE
Acho que não houve dificuldade por isso. Hoje em dia, muitos jogadores ficam anos nas categorias de base de um clube, passam pela Seleção Brasileira Sub-17 ou Sub-20, mas não têm sucesso quando chegam no profissional. Essa questão é muito relativa. Posso ter precisado de algumas coisas, algum fundamento, mas o que manda é o futebol hoje. Se você não jogar e demonstrar competência quando é necessário, você não serve.

RELAÇÃO COM BH
Sempre tenho contato com meus familiares e amigos. Sempre vou para Belo Horizonte quando tenho folga. Considero ainda que moro aí, já que tenho casa e adoro me encontrar com os amigos, principalmente os de infância. Sempre que minha família me vê jogar no estádio, o gosto é diferente. Nos jogos contra Cruzeiro e Atlético, havia muitos amigos me vendo, gente que sempre torceu e vibrou pelo meu sucesso. E eu pude fazer grandes jogos (teve grande atuação contra o Galo e fez um gol em cima do Cruzeiro). Isso ocorre desde 2015, quando jogava no Goiás e vinha jogar contra Cruzeiro ou Atlético. É frequente e me deixa feliz.

FRUSTRAÇÃO COM O CRUZEIRO?
Não existe mágoa. Até entendo, porque sair do futebol amador e ir direto para o Cruzeiro era uma responsabilidade grande. Mas eu sabia do meu potencial e sempre tive na cabeça que me tornaria um bom jogador. Eles me deram uma chance, fizeram contrato comigo e me emprestaram para o Uberlândia para pegar experiência que eu nunca tive. Não existe frustração. Foi apenas um ano de contrato. Se fosse um pouco maior, eles teriam me aproveitado mais.

FUTEBOL AMADOR
Ganhei tudo pelo Inconfidência. Fui campeão da Copa Itatiaia, Centenário, Kaiser, Corujão... As pessoas viam em mim alguma diferença. O que eu fazia dentro de campo não era normal para um jogador amador. Todos acreditavam que haviam um potencial em mim. E pude confirmar isso quando me tornei profissional.

SUCESSO NO SANTOS
Eu já me identificava com o Santos muito antes de ser contratado. Sempre vi o Santos jogar, desde a época do Robinho e depois do Neymar. Eu já me via jogando aqui. É um clube que me recebeu muito bem e me deu suporte para tudo. Pela minha identificação com a equipe, tudo isso me fez acreditar que poderia mostrar o futebol que estou apresentando hoje. Sinto-me muito bem aqui, pois sou muito respeitado pelos torcedores.

ÍDOLOS
Não há nem o que falar do Neymar. É uma referência no Brasil e no mundo. Mas tenho o Robinho como ídolo. Vi ele jogar no auge, no Santos, pedalando, marcando belos gols e sendo decisivo. Todos falavam dele. Essa condição de ele ser ídolo cresceu dentro de mim e despertou em mim a certeza de que poderia buscar o mesmo sucesso.

FRUSTRAÇÃO NA EUROPA
A passagem pelo Wolfsburg (em 2016 e 2017) foi legal. Mesmo com os contratempos e dificuldades, me recordo de lembranças boas, como ter disputado a Liga dos Campeões, principalmente num jogo com o Real Madrid, em que vencemos por 2 a 0, na Alemanha. Foi pouco tempo, já que fiquei um ano, mas isso foi o diferencial. Não tive grandes problemas lá. Mas a pior coisa quando você está fora de seu país é não jogar. Não fui usado da maneira que gostaria e poderia ajudar. O idioma (alemão) também complicou muito. Mas a oportunidade foi boa pelo aprendizado e pela experiência.

SELEÇÃO
Todo jogador pensa em vestir a camisa da Seleção Brasileira. O jogador que tem esse sonho tem que estar no melhor momento. E eu estou! A oportunidade ainda não foi dada pelo Tite, mas fico feliz por ter sido sondado. Mas quem sabe no futuro... Se a chance aparecer, pretendo aproveitá-la da melhor forma.

OBJETIVOS EM 2018
Quero conquistar títulos. Tenho de continuar fazendo o que fiz em 2017. Se mantiver o nível, creio que vou consegui-los. Nosso time é bom para isso.

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