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Startup mineira promete solucionar 'pesadelos' como os de América, Portuguesa e Santos, punidos por escalação irregular

Recentemente, Peixe caiu na Libertadores por conta do 'caso Carlos Sánchez'

postado em 31/08/2018 18:19 / atualizado em 31/08/2018 18:40

JUAN MABROMATA/AFP

A escalação irregular de Carlos Sánchez na partida de ida contra o Independiente tirou o Santos da Copa Libertadores. O caso do meio-campista uruguaio, entretanto, é apenas mais um entre uma série de episódios recentes de punições por erros na utilização de atletas. Nos últimos anos, esse tipo de situação se tornou ‘pesadelos’ para clubes como Portuguesa e o próprio América.

Evitar casos de escalação irregular é um dos propósitos de um software desenvolvido pela startup mineira SporTI. A plataforma reúne informações sobre registros, mercado de transferências, súmulas, andamento de jogos e eventuais suspensões de jogadores. Atualmente, são cerca de 25 mil atletas cadastrados no sistema.

A Confederação Brasileira de Futebol 7 (CBF7) é um dos clientes da startup. Além de possibilitar a consulta ao banco de dados, o sistema também produz informes com notificação sobre suspensões de jogadores. Os documentos são entregues à arbitragem, que detecta eventuais irregularidades antes de a bola rolar. Com isso, casos como o de Carlos Sánchez seriam, teoricamente, evitados.

“A ideia da startup foi de um relacionamento que eu já tinha com a Federação Mineira de Futebol (FMF), por jogar campeonatos amadores com eles. A gente estava começando um negócio em que a ideia inicial era fazer o sistema de gestão de condomínios. Alguns ex-alunos estavam comigo nessa empreitada. Quando a Federação nos informou que precisava de um site novo, precisava gerenciar melhor as competições, eu sentei com o presidente desse campeonato que eu jogava e vi que era mais que um site. Aí a gente começou a desenvolver uma plataforma. Em 2016, a gente rodou a Copa Alterosa Esporte, com 3 mil atletas. No final do ano, o presidente da CBF7 foi ao nosso escritório, e a gente começou a operar em nível nacional em janeiro (de 2017). Aí a coisa começou a explodir”, conta o CEO da SporTI, Cristian Gomes.


A eliminação santista

Em 21 de agosto, Independiente e Santos empataram por 0 a 0 no jogo de ida das oitavas de final da Copa Libertadores, em Avellaneda. Horas depois, o clube argentino questionou a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) sobre a eventual escalação irregular de Carlos Sánchez pelos paulistas.

Quando ainda defendia o River Plate, em 2015, o meio-campista foi expulso por agredir um gandula durante a partida contra o Huracán, pela semifinal da Copa Sul-Americana. No final daquele ano, Sánchez pegou gancho de três partidas, além de ter de pagar multa de 3 mil dólares (cerca de R$ 11.700, na cotação da época).

Com isso, o uruguaio deveria cumprir suspensão - que posteriormente cairia de três para uma partida - na próxima competição sul-americana em que fosse inscrito. Como deixou a América do Sul para defender o Monterrey, do México, a partir de 2016, Sanchéz não havia disputado torneios da Conmebol desde a expulsão contra o Huracán. Dessa forma, a punição seria colocada em prática justamente na partida entre Independiente e Santos.

Como forma de defesa, a equipe paulista alegou que o sistema disponibilizado pela Conmebol, o Comet, não indicava que Sánchez teria uma partida de suspensão a cumprir. O argumento não foi aceito pela entidade, que determinou o placar de 3 a 0 pró-Independiente no jogo de ida. Na volta, o empate sem gols persistiu até os 42 minutos do segundo tempo, quando uma confusão generalizada tomou conta das arquibancadas e do gramado do Pacaembu. No fim das contas, a punição ao uruguaio foi decisiva para a eliminação do Santos do principal torneio continental.

Outros casos

ALE CABRAL/AGENCIA O DIA/ESTADAO CONTEUDO

O Boletim Informativo Diário (BID), sistema utilizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), disponibiliza informações sobre registro de atletas. Dados a respeito de eventuais suspensões a cumprir devem ser coletados pelos próprios clubes. Talvez por isso dois casos de escalação irregular ganharam notoriedade no futebol nacional nos últimos anos.

Em 2013, a Portuguesa perdeu pontos e foi rebaixada à Série B do Campeonato Brasileiro em função da escalação do meia Héverton na última rodada da Primeira Divisão. Com isso, o Fluminense - que detectou a irregularidade - se manteve na elite nacional.

No mesmo ano, o Flamengo perdeu quatro pontos na competição por conta da utilização do lateral-esquerdo André Santos. Se a Portuguesa não houvesse sido punida, o time rubro-negro é que seria rebaixado.

Em 2014, foi a vez de o América ser punido. O clube mineiro, que brigava pelo acesso à Série A, perdeu impressionantes 21 pontos por conta da escalação irregular do lateral-esquerdo Eduardo e caiu para a última posição.

Naquele ano, o jogador já havia atuado em competições nacionais por São Bernardo e Portuguesa antes de defender o América na Série B. A CBF, entretanto, determinava que nenhum atleta poderia jogar competições organizadas pela entidade por três equipes diferentes numa mesma temporada.

Depois, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) reduziu a pena para a perda de seis pontos. No fim das contas, o América encerrou o torneio na quinta colocação, um ponto do G4 - que garante vaga na Série A do ano seguinte. Ou seja: o acesso só não foi conquistado em função de um erro administrativo.

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