Interior

Mão alvinegra na taça

Antônio Melane

Jô e Ronaldinho Gaúcho, mais uma vez, foram as grandes figuras atleticanas em campo
A imaginação de quem foi ao Independência na tarde de ontem previa um dos grandes duelos do futebol brasileiro, no primeiro jogo da grande final do Campeonato Mineiro de 2013. De um lado, o Galo, imbatível jogando em sua casa, encantando sua torcida e crescendo a cada desafio. Do outro, um Cruzeiro também em alta, com 16 jogos invicto, sendo apenas um empate, com a melhor campanha da primeira fase do Estadual e tentando retomar o título mineiro. Queria premiar as mães cruzeirenses com outra vitória e um espetáculo nota 10 no campo do inimigo. Mas ficou apenas no desejo, porque quando a bola rolou, o que se viu foi mais um show alvinegro: 3 a 0.


O resultado do clássico exige uma reflexão. A principal delas é que hoje o Atlético tem um time muito bem preparado para jogos decisivos, como pregou o seu técnico, Cuca, ao afirmar, depois da vitória por 2 a 1 sobre o Villa Nova, no encerramento da fase de classificação: “Agora vamos em busca dos títulos. Voltam jogadores importantes e estamos preparados”. Só faltou dizer que sua equipe está preparada para o que der e vier. Eliminou o São Paulo da Copa Libertadores, com uma maiúscula vitória por 4 a 1, na quarta-feira, e ontem tirou a vantagem celeste. Agora pode perder até por 2 a 0 que será o campeão.

Já o Cruzeiro vai passar uma semana de cabeça quente, tentando digerir a derrota no clássico e corrigir os erros apresentados. O técnico Marcelo Oliveira terá de trabalhar muito para dar o equilíbrio que faltou ontem, especialmente na frente, já que o futebol de Borges e de Dagoberto não passou de tentativas. Assim é impossível vencer.

A caminhada do Galo foi longa para chegar a esse estágio. Usou muito o fator motivador: “Se queres ter vitórias, prepara-te para as lutas”. E como se preparou. Usou de todas as armas possíveis, com um time qualificado, equilibrado e preparado. E buscou outras armas. Ronaldinho Gaúcho entrou em campo com sua mãe, Miguelina, a homenageando com o grito da Massa. E foi, mais uma vez, o maestro, a estrela da companhia, armando boas jogadas, lutando muito e comandando o time, ao lado dos também destacados Jô e Diego Tardelli. Além disso, o placar do estádio, várias vezes, prestou homenagem às mães, com imagens e som que tornavam o ambiente ainda mais favorável a uma vitória atleticana. Afinal, apenas pouco mais de 1.500 cruzeirenses estavam no estádio. O clima ficou bem propício.

SUPERIORIDADE Com a bola rolando, o Atlético foi superior durante todo o tempo. O Cruzeiro foi como uma mãe que tudo oferece para não decepcionar o filho. E em grande parte da partida, não foi aquele rival que se esperava, especialmente no segundo tempo, quando jogou com 10, depois da expulsão do zagueiro Bruno Rodrigo, aos 9min. Vão dizer que com um a menos é impossível reagir. Muitos times provam que essa não é uma verdade, mas não na situação desse clássico. O Atlético foi seguro nos 90 minutos. O único bom momento celeste foi a bola chutada por Diego Souza na trave, quando estava 1 a 0. De resto, foi Galo pulando alto no seu poleiro.

Logo no começo, em jogada rápida, Marcos Rocha passou para Ronaldinho Gaúcho, este para Jô, que chutou a esquerda de Fábio: 1 a 0. O Atlético poderia ter feito pelo menos mais dois na primeira etapa. Foi prejudicado pela arbitragem, já que Ronaldinho, e depois Réver, foram puxados na área, em pênaltis não marcados. Na segunda etapa, com Gaúcho pedindo para cadenciar o jogo, o Galo fez mais dois. O segundo com Tardelli, pegando uma sobra e chutando no canto esquerdo de Fábio, e no terceiro, Jô testou na trave e Marcos Rocha completou, sem chance para Fábio. Aí, foi só comemorar.