Ainda que a violência não tenha sido a tônica no clássico de ontem, no caminho para o Estádio Independência, grupos de cruzeirenses e atleticanos se enfrentaram. Um dos momentos mais tensos foi por volta das 13h, nas proximidades da estação de metrô do Minas Shopping, na Região Nordeste da capital. De acordo com o Batalhão de Polícia de Eventos (BPE), membros da torcida celeste seguiam para a arena quando um grupo da Galoucura se aproximou.
“Houve um início de conflito, mas chegamos a tempo e conseguimos controlar a situação”, disse o comandante do BPE, coronel Antônio de Carvalho. Cerca de 15 torcedores do Atlético foram identificados, mas ninguém foi preso e nenhum objeto foi apreendido. No Barreiro, um grupo de cruzeirenses que aguardava o ônibus para seguir ir à arena do Horto entrou em coletivos convencionais. No caminho, houve embates.
O policiamento foi reforçado nos entorno do Independência e o acesso foi controlado em um raio de três quarteirões. Mesmo assim, pequenos tumultos foram registrados nas imediações. Um deles na Avenida Silviano Brandão, por volta das 15h.
Até o fim do jogo, pelo menos 21 pessoas foram presas. Entre os conduzidos à delegacia do estádio estavam cambistas e flanelinhas que atuavam na abordagem de torcedores à procura de vagas de estacionamento. Um dos cambistas foi identificado como Anderson Cardoso Pereira, flagrado em frente aos portões da Rua Ismênia Tunes. Havia um com mandado de prisão em aberto.
De acordo com o coronel Carvalho, a torcida cruzeirense – que ocupou 10% dos lugares – foi mantida no interior da arena após o fim da partida para evitar confronto. A saída só foi liberada a partir das 19h. As organizadas (houve confusão entre elas), acompanhadas pela PM, seguiram em metrô e coletivos.
Por volta das 13h, a torcida do Cruzeiro começou a se concentrar na Praça da Estação, no Centro, onde 12 ônibus escoltados por cerca de 90 policiais em 14 viaturas e em motos formariam comboios para conduzi-los ao Horto. Enquanto os torcedores bebiam e entoavam suas canções, o clima entre os policiais era tenso, com várias estratégias traçadas pelos oficiais para tentar impedir confrontos nas ruas estreitas do bairro, repletas de rivais. “A nossa tática é de guerra. Enquanto os ônibus se deslocam, as ruas serão isoladas”, explicava o capitão João Luiz da Matta, responsável pela operação.
Cerca de 700 cruzeirenses se reuniram na praça e seguiram em comboio pelo Complexo da Lagoinha e Avenida Silviano Brandão. Apenas o Portão 8 foi aberto para os celestes, separados dos atleticanos por muros de metal e guarnições de policiais com cães, no final da Rua Ismênia Tunes.
Pelo metrô a movimentação foi praticamente restrita a torcedores do Atlético. Não foram destinados vagões exclusivos. Ainda assim a segurança nas plataformas e acessos foi grande, com militares e agentes ferroviários.
BOMBA
Dentro do Independência, muitos atleticanos que estavam no setor Galo na Veia, embaixo de onde ficou instalada a torcida do Cruzeiro, relataram que vários objetos foram atirados, como copos de plástico com água, bitucas de cigarro e moedas. “Muita gente cuspindo também. E até uma bomba estourou bem pertinho de mim. Falamos com a Polícia Militar, que disse que nada poderia fazer. Mas virou festa, e ninguém fazia nada. Só um funcionário da BWA, que tentava, sozinho, evitar o problema”, frisou um torcedor que entrou em contato com a redação e não quis se identificar.
Ah, os brigões de sempre!