O OUTRO LADO DO FUTEBOL MINEIRO

Taça MG Sub-23 no forno

Presidente da FMF, Castellar Modesto Guimarães Neto, revelou projeto ao Estado de Minas

postado em 27/08/2014 08:02

Renan Damasceno

Nos bastidores do futebol mineiro existe uma queda de braço entre Federação Mineira de Futebol (FMF), clubes e atletas para a definição de um novo calendário, que solucione a falta de atividades pós-Estadual e, ao mesmo tempo, seja um atrativo de público, renda e patrocinadores. Os presidentes de clubes alegam que, com a programação atual, não vale a pena assinar contrato longo ou manter equipe profissional o ano inteiro. Além disso, as taxas são altas, o que inviabiliza entrar em uma competição “apenas para disputar”.

Até 2012, a FMF organizava a Taça Minas Gerais, que deixou de existir por falta de interesse dos próprios participantes. Ela dava direito ao campeão a uma vaga na Copa do Brasil, mas como não atraía público ou investidores, os clubes desistiram de pôr dinheiro do próprio caixa. “Apenas para abrir o estádio, gastamos R$ 20 mil. Eu só consigo uma renda assim em jogo contra Atlético ou Cruzeiro, uma vez por ano. Nos outros, ficamos no prejuízo”, afirmou Franco Martins, vice-presidente da Caldense, um dos clubes mais bem organizados do estado.

O futebol profissional da Veterana foi desativado depois do Mineiro e só abrirá as portas novamente em novembro. “Somos um clube com muito patrimônio, não podemos entrar em dívidas. Para nós, só vale a pena um campeonato com custos reduzidos, como a Copa Paulista, em que a federação local banca as taxas”, explicou.

O time de Poços de Caldas disputou o Mineiro com folha salarial de R$ 180 mil. Como em outros clubes do interior, recorreu a jogadores experientes para evitar o rebaixamento, deixando de lado jovens promissores da cidade. O presidente da FMF, Castellar Modesto Guimarães Neto, revelou ao Estado de Minas um projeto que, segundo ele, foi reivindicado pelos clubes: a Taça Minas Gerais Sub-23. “O campeonato vai começar no segundo semestre de 2015 e estará aberto aos clubes profissionais. Estamos estudando a inscrição de até cinco jogadores mais experientes, para dar competitividade. É uma forma de os times se prepararem para o Mineiro e atrair torcedores e investidores”, explicou.

“Estamos estudando uma forma de deixar o calendário mais atraente e a Taça Minas Gerais Sub-23 é nossa aposta. Os jovens poderão pegar experiência e chegar preparado ao Mineiro. Com isso, o clube poderá negociá-los e melhorar a situação do caixa”, afirmou Castellar, que afirmou estar procurando patrocinador para bancar a competição - o que diminuiria as despesas dos participantes.

NA JUSTIÇA


Os contratos curtos acabam gerando uma avalanche de problemas. Muitos clubes, sem renda suficiente, não cumprem o acordo com atletas, que entram na Justiça. “A maior demanda que recebemos é por salários atrasados. Todos os anos recebemos dezenas de jogadores que trabalham um semestre inteiro sem receber”, afirmou o presidente da Federação dos Atletas Profissionais (Fenapaf), Juarez Alves Pimenta. “O problema é que o jogador, quando está atuando, não questiona, tem medo de retaliação. Só vai atrás de ajuda quando a situação chega ao limite”, completa.

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