Interior

O que pensam os clubes sobre a volta da cerveja

Retorno das bebidas alcoólicas depende da sanção do governador Fernando Pimentel

Thiago Madureira

Comercialização de cervejas foi permitida nos estádios do Brasil durante a Copa do Mundo do ano passado
O retorno das cervejas aos palcos do futebol mineiro depende da sanção do governador Fernando Pimentel, que deve analisar o caso em 15 dias. O petista prometeu examinar o tema com atenção redobrada: “Vamos conversar com as autoridades na área da segurança pública, vamos ver o parecer delas e se for possível sim, mas não posso garantir neste momento. Eu mesmo não tenho opinião a respeito. Devo dizer que sinto que o clima nos estádios melhorou muito depois que a venda de bebidas alcoólicas foi limitada. Um ambiente mais de paz, sem conflitos internos. Mas isto não quer dizer que a gente não possa examinar o projeto com um olhar mais tolerante”, destacou, em entrevista coletiva nessa quarta-feira.


Se o governador ainda não tem uma opinião formada, os três grandes clubes do estado mostram entrosamento fora das quatro linhas e avaliam de forma positiva, sob diversos aspectos, a volta das bebidas alcoólicas às arenas mineiras.

América, Atlético e Cruzeiro entendem que, mesmo com a proibição que atualmente vigora, os torcedores nunca se afastaram da cervejinha gelada antes e depois dos jogos, já que bares e ambulantes comercializam o produto nas proximidades dos estádios sem nenhuma ação da vigilância.

“A proibição nunca impediu que os torcedores tivessem acesso ao consumo de bebidas na parte externa dos estádios. Na prática, o que se vê são vendedores ambulantes e bares faturando com a venda de bebidas sem gerar nenhuma receita para os clubes”, entende o presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho Tavares.

Quem divide da mesma opinião do mandatário celeste é um dos presidentes do América e autor desse projeto na Assembleia Legislativa, Alencar da Silveira Jr. “Hoje, o torcedor fica bêbado do lado de fora e entra mesmo assim. A gente tem exemplo em outras arenas mundo afora e Minas Gerais vai dar exemplo também”, observa.

Outro ponto importante é o financeiro. Com a autorização da venda das bebidas, os clubes teriam uma margem de lucro maior nos jogos em casa. As vendas dos bares dos estádios compõem uma fatia ainda aquém da rentabilidade que poderia atingir. O diretor jurídico do Atlético, Lásaro Cândido da Cunha, entende que a medida será positiva tanto para clubes quanto para consumidores.

“Hoje os clubes perdem receita em uma proibição sem sentido. Em todos os jogos, as cervejas são vendidas ao lado dos estádios, sem controle, sem nenhuma fiscalização. O futebol está mudando, temos que dar comodidade ao torcedor, trazer as pessoas para dentro do estádio”, frisa.

Com a venda de cerveja nas ruas da Pampulha e do Horto, o torcedor adotou o hábito de entrar nos estádios poucos minutos antes das partidas, o que, em alguns casos, gera transtornos. “Como eles ficam consumindo bebidas na parte externa, deixam para passar pelas roletas faltando poucos minutos para o início dos jogos, o que provoca tumulto”, afirma Gilvan.

Talvez o aspecto mais controverso do projeto é a possibilidade do aumento de violência. O diretor jurídico do Galo contesta essa tese. “Temos que contextualizar as estatísticas de violência que são expostas. Não estamos mais falando de estádio antigos, sem monitoramento, sem câmeras. É um erro fixar estes parâmetros em um novo contexto. Hoje a cerveja é liberada em todos os lugares do mundo, por que aqui não?”, questiona Lásaro.

Aprovado em dois turnos na Assembleia Legislativa, o projeto do retorno da cerveja permite a venda e o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios durante o primeiro tempo das partidas e nos 15 minutos correspondentes ao intervalo. A regra se estende a uma área de 500 metros em torno dos estádios. Ficará sob responsabilidade dos gestores das arenas definir os locais nos quais a comercialização e o consumo de bebida serão permitidos, sendo vedada a prática nas arquibancadas e cadeiras.