MINEIRÃO

Torcedores relatam problemas de acessibilidade no Mineirão; Assembleia Legislativa debaterá tema

Audiência pública será realizada nesta terça-feira, às 14h30

postado em 26/08/2019 16:53 / atualizado em 26/08/2019 17:33

<i>(Foto: Arquivo pessoal)</i>
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizará, nesta terça-feira, às 14h30, uma audiência pública para debater "problemas relacionados à acessibilidade" no Mineirão. A reunião, agendada a partir de um requerimento do deputado Professor Cleiton, será realizada no Plenarinho I da Assembleia e tem a finalidade de "discutir e votar proposições" da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Um dos convidados para a audiência é Leônidas Rabelo de Vasconcelos Bisneto, presidente da torcida Cruzeiro Eficiente. De acordo com ele, as reivindicações dos torcedores com deficiência já foram apresentadas ao Mineirão antes do agendamento da audiência pública.

"A principal reivindicação é sobre acessibilidade. Também com relação à educação das pessoas que ficam na frente dos assentos para pessoas com deficiência. Temos reclamação também com relação a ingressos. Várias vezes somos informados que os ingressos para cadeirantes acabaram, mas vemos assentos vazios no estádio. Estou lá todo jogo. Já entramos em contato com o Mineirão. Falam que vai resolver, mas não resolve", disse o Leônidas.

Dificuldades de locomoção  

Outro convidado para a audiência pública, o empresário e conselheiro do Cruzeiro, Christiano Rocco Carneiro, é membro do coletivo voluntariado Cruzeiro Social. Ele sempre vai ao estádio acompanhado da filha Isabella Rocco, de 16 anos, que tem Síndrome de Down, e do pai Everaldo Carneiro, de 76 anos, que tem dificuldades de locomoção. Rocco relatou que teve dificuldades no acesso da família durante o jogo Cruzeiro e Santos, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro.

"No Mineirão, a torcida visitante sempre é privilegiada. Eles colocam uma barreira na esplanada e os torcedores do Cruzeiro são obrigados a dar uma 'volta olímpica' em torno do estádio. Inclusive as pessoas com deficiência", relatou.

O cruzeirense disse que tentou acessar o estádio de uma forma que fosse mais cômoda para seus familiares, mas foi impedido.

"Precisava levar meu filho Danilo, de 3 anos, para a entrada G2, onde ele iria entrar como mascote, com os jogadores. Mas tinha a bendita da barreira. Estava com uma criança de colo, meu outro filho Théo, de 1 ano, com meu pai e minha filha Isabella. Mesmo eu explicando, com toda educação, eles disseram que se liberasse para mim ia abrir um precedente para outros torcedores quererem passar. Não é questão de precendente, é questão de direito! Eles estão descumprindo uma lei. Foi uma saga, meu pai andando. Sem suporte, sem cadeira, sem funcionário. Por fim conseguimos. Vários torcedores se sensibilizaram. Quando chegamos no nosso setor, meu filho já tinha entrado", disse Rocco.

Palavra do Mineirão

A assessoria de comunicação da Minas Arena, concessionária que administra o Mineirão, informou ao Superesportes que recebeu o convite para a audiência pública na utlima sexta-feira e ainda não confirmou participação no evento. 

Sobre as reivindiações dos torcedores, a Minas Arena afirmou que atende às normas e requisitos de acessibilidade universal e que o Mineirão possui 622 assentos dedicados às pessoas com deficiência e acompanhantes, oito elevadores, rampas, 38 banheiros acessíveis para usuários de cadeiras de rodas e 53 vagas exclusivas para veículos que conduzam ou sejam conduzidos por pessoas com deficiência.

Sobre a visibilidade, a assessoria do Mineirão disse que faz campanhas constantes para que os torcedores respeitem os direitos e lugares das pessoas com deficiência.

A assessoria informou, por fim, que cumpre a legislação determina o pagamento de meia-entrada aos cadeirantes (Decreto nº 8.537/2015) e que, durante os eventos no estádio, há vários funcionários que trabalham com cadeiras de rodas para auxiliar pessoas com deficiência e dificuldade de locomoção. O estádio tamém mantém o programa Mineirão Eficiente. Com o plano, o torcedor com deficiência adquire um cartão que dá acesso a todos os jogos e permite acesso facilitado ao setor vermelho, inclusive para um acompanhante.

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