Morre o jornalista Neuber Soares, que marcou época no Alterosa Esporte

Comentarista esportivo "defendeu" o Cruzeiro no tradicional programa de televisão de Minas Gerais

17/10/2021 08:20 / atualizado em 18/10/2021 17:30
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Neuber Soares na famosa bancada do Alterosa Esporte
foto: Maria Tereza Correia/EM

Neuber Soares na famosa bancada do Alterosa Esporte


A crônica esportiva mineira está de luto. Morreu na noite desse sábado (16) o jornalista  Neuber Lúcio Soares , notabilizado por defender o Cruzeiro na “Bancada Democrática” do Alterosa Esporte , da TV Alterosa . Segundo pessoas próximas, um infarto fulminante provocou o óbito do comunicador de 69 anos. Seu corpo foi velado e sepultado na tarde deste domingo no cemitério Parque Renascer, em Contagem.

Graduado em jornalismo pela Fafi-BH, em 1984, Neuber Soares também passou pelas editorias de polícia, cidades e política do extinto jornal Diário da Tarde , onde trabalhou de 1985 a 2006, além de ser comentarista esportivo no próprio DT e na TV Record. Ele era casado, tinha três filhas e residia no bairro Santa Mônica, entre as regiões da Pampulha e de Venda Nova, em Belo Horizonte. 
 

Momentos de Neuber Soares na TV Alterosa e no Diário da Tarde

 
 
Neuber representou o Cruzeiro no Alterosa Esporte na época de ouro dos programas esportivos em Minas. No fim dos anos 1990, com bom humor e uma pitada de sarcasmo, o jornalista rebatia as provocações dos americanos Otávio Di Toledo e Jair Bala (ex-atacante do Coelho), e dos alvinegros Dadá Maravilha (ex-centroavante do Atlético), Dudu Schechtel e Frederico Bolivar.

Nas redes sociais, torcedores do Cruzeiro prestaram homenagens ao jornalista e enviaram mensagens de pesar aos familiares. Profissionais da imprensa esportiva também se manifestaram, como o editor responsável pelo Alterosa Esporte, Leopoldo Siqueira.

“Neuber Soares. O que tinha bandeira na torcida celeste. O que não tinha ‘papas na língua’. O jornalista. O torcedor. Companheiro de grandes jornadas. O que tem nova bancada. Deus acolha. E fortaleça a família”.

Apresentador do Graffite, da Rádio 98 , Dudu Schechtel lembrou o período em que “rivalizou” com Neuber. “A TV Alterosa e o Alterosa Esporte me deram de presente um irmão! No início ele me dizia: 'Somos apenas colegas de trabalho. 'O tempo passou e um dia me disse: 'Agora pode me chamar de amigo'. Até chegar o dia de me dizer: 'Agora posso te chamar de irmão'. Descanse em paz 'Nóiber'”.

Atual representante do Cruzeiro na "Bancada" do AE, Hugão falou da sua admiração pelo comunicador. “Que dor. Quem me conhece sabe que eu sempre falei: 'Neuber Soares foi o maior representante do Cruzeiro na bancada'. As lágrimas escorrem pela sua partida mestre. Obrigado pelos conselhos, pelo exemplo e por ter sido minha referência”.

Procópio Cardozo, que foi zagueiro e treinador de Cruzeiro e Atlético, destacou a irreverência do jornalista. “Neuber fez história na crônica esportiva informando seu público com astúcia, esportividade e bom humor. Marcou época na televisão conquistando a todos com seu estilo irreverente. Sua partida entristece a todos cruzeirenses e amantes do futebol. Meus sentimentos à família”.

O perfil oficial do Cruzeiro no Twitter também repercutiu o falecimento de um grande torcedor. “Lamentamos com profundo pesar a morte do jornalista e grande cruzeirense Neuber Soares. Aos familiares, amigos e seguidores do trabalho de Neuber, nossos sinceros sentimentos neste momento de luto e tristeza”.

Criador do Canal Do Zeiro , do qual Neuber Soares participava como comentarista nas transmissões no YouTube, João Paulo Big se despediu do amigo. “Muito obrigado por tudo, mestre! Que Deus te receba de braços abertos e conforte a sua maravilhosa família”.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais colheu depoimentos de colegas de trabalho de Neuber Soares nas redações do Diário da Tarde e do Estado de Minas . O ilustrador Quinho descreveu o quão o repórter amava o Cruzeiro e que provavelmente estaria entristecido com a crise enfrentada pelo clube na Série B do Campeonato Brasileiro.

“Trabalhei com o Neuber na redação do DT durante anos. Ele era um sujeito alegre, mas se o Cruzeiro perdesse, ficava extremamente mal-humorado. Nessas horas, os colegas evitavam até dar um boa tarde para ele, para não levarem uma 'patada'. Imagino que, pela situação do time, o estado emocional dele não devia estar dos melhores. E quem conheceu o Neuber no dia a dia, sabe: ele levava a sério demais essa coisa de torcer”.


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