São Paulo demite técnico Fernando Diniz; Raí deixa cargo executivo
Treinador deixa o comando do clube paulista após 74 jogos
Redação
Fernando Diniz não é mais técnico do São Paulo - Foto: Divulgação/AFP
O São Paulo anunciou, na tarde desta segunda-feira (1), a demissão do técnico Fernando Diniz. O clube paulista, que já foi líder da Série A do Campeonato Brasileiro, vem de seis partidas sem vitória e caiu para a quarta posição na tabela. Diniz esteve à frente da equipe em 74 partidas, com 34 vitórias, 20 empates e 20 derrotas.
Outro a deixar o São Paulo foi o ex-jogador Raí, que ocupava cargo como executivo de futebol do clube. O ídolo são-paulino optou por se desligar.
As trocas de treinadores na Série A do Brasileiro
Vagner Mancini foi contratado pelo Atlético-GO em junho de 2020 para assumir a vaga deixada por Cristóvão Borges. Conseguiu fazer o time jogar bem e chegou a golear o Flamengo no Campeonato Brasileiro. Aceitou convite do Corinthians e deixou o time goiano em 11 de outubro. - Ramon Lisboa/EM/D.A Press
Após perder Vagner Mancini para o Corinthians, o Atlético-GO estudou o mercado e resolveu arriscar em um velho conhecido: o carioca Marcelo Cabo, de 53 anos. Ele já havia dirigido o Dragão em 2016 e 2017. A missão dele é manter o clube goiano na Série A. Ele chegou ao clube em 7 de novembro. - Atlético-GO / Divulgação
Anunciado pelo Athletico-PR em dezembro de 2019 para substituir Tiago Nunes, Dorival ficou no cargo até 28 de agosto. Ele não resistiu à sequência de quatro derrotas consecutivas da equipe no Campeonato Brasileiro. - Ramon Lisboa / EM DA PRESS
Eduardo Barros assumiu o Athletico-PR em setembro, na vaga de Dorival Júnior. No total, foram 14 jogos no comando da equipe, com quatro vitórias, cinco empates e cinco derrotas. Foi demitido em 22 de outubro. - Athletico-PR
Autuori começou o Campeonato Brasileiro no comando do Botafogo. O desempenho abaixo das expectativas fez a diretoria do clube carioca demitir o treinador, em 1° de outubro. Ele foi contratado para ser dirigente/treinador do Athletico-PR em 22 de outubro. - Botafogo / Divulgação
Roger Machado assumiu o Bahia em abril de 2019. Ficou no clube até 2 de setembro deste ano, no auge da pressão da torcida por sua demissão, após derrota por 5 a 3 para o Flamengo, em casa. Em 74 jogos, foram 30 vitórias, 22 empates e 22 derrotas. Hoje, está desempregado. - Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
O técnico Mano Menezes começou a temporada sem clube, após demissão do Palmeiras em dezembro de 2019. Em 08 de setembro de 2020, acertou com o Bahia, mas foi demitido no dia 20 de dezembro, após a derrota para o Flamengo. Ao todo, foram 24 jogos à frente da equipe, com oito vitórias, dois empates e 14 derrotas.
- Felipe Oliveira/EC Bahia
Após a saída de Mano Menezes, o Bahia contratou o técnico Dado Cavalcanti, que tem como missão salvar a equipe do rebaixamento à Série B. - Felipe Oliveira/EC Bahia
Bruno Lazaroni durou 27 dias no cargo de treinador do Botafogo. Em seis jogos, foram duas vitórias, dois empates e duas derrotas. Foi demitido após derrota do Botafogo para o Cuiabá por 1 a 0, no Rio de Janeiro, pela Copa do Brasil, no dia 29 de outubro. - Botafogo / Divulgação
O argentino Ramón Ángel Díaz, histórico técnico do River Plate, foi contratado pelo Botafogo em novembro deste ano. Ele deixou o clube em 27 de novembro, sem comandar a equipe em nenhuma partida. O clube não quis esperar a recuperação completa de uma cirurgia feita pelo treinador. - AFP
Em 27 de novembro, o técnico Eduardo Barroca foi anunciado como novo técnico do Botafogo com a missão de manter o clube na Série A. O treinador assume o time carioca pela segunda vez na carreira - a primeira foi na temporada passada. Depois de sair do Botafogo ele passou por Atlético-GO, Vitória e Coritiba, seu último trabalho (foi demitido no início do Brasileiro, com quatro derrotas em quatro jogos). Ele chega para assumir o lugar deixado por Ramon Díaz, que nem estreou pelo clube. - Vítor Silva/ Botafogo
Felipe Conceição deixou o América em janeiro de 2020 para acertar com o Red Bull Bragantino. O início foi promissor, com o título do Troféu do Interior do Campeonato Paulista. Em agosto, foi demitido pelo Bragantino após goleada do Fortaleza por 3 a 0. Após dirigir o Guarani, acertou com o Cruzeiro para a próxima temporada. - Ramon Lisboa/EM/D.A Press
O paulista Maurício Barbieri, de 39 anos, foi anunciado pelo Red Bull Bragantino em 4 de setembro para substituir Felipe Conceição. A missão dele é manter o time na primeira divisão do Campeonato Brasileiro. - Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Depois de surgir com belo trabalho no Athletico-PR, Tiago Nunes foi contratado pelo Corinthians em novembro de 2019. Estreou apenas em 2020. Não conseguiu o desempenho esperado com o clube paulista e foi demitido em setembro. - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
Dyego Coelho assumiu o Corinthians como interino e ficou no comando até ser substituído por Vagner Mancini. Em sete jogos, uma vitória, três empates e três derrotas. Deixou o clube na zona de rebaixamento para a Série B. - Rodrigo Coca / Corinthians
Jorginho foi contratado pelo Coritiba em 21 de agosto. Ficou no cargo até 25 de outubro. Em 13 jogos, foram três vitórias, quatro empates e seis derrotas. O desempenho irregular do time custou o cargo do carioca. - Coritiba / Divulgação
Em outubro deste ano, o Coritiba anunciou a contratação do técnico Rodrigo Santana. Ele chegou para assumir a vaga deixada por Jorginho. No entanto, o ex-treinador do Atlético foi demitido em 13 de dezembro, com apenas 11% de aproveitamento: foram dois empates e quatro derrotas. - Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Rodrigo Santana foi substituído pelo auxiliar técnico Pachequinho, que comandou a equipe do Coritiba por apenas duas partidas: derrotas para Botafogo e Atlético. Ele foi afastado após mudança na presidência do clube. - Divulgação/Coritiba
O Coritiba contratou o paraguaio Gustavo Morínigo para o lugar de Pachequinho. Ele chegou ao clube com a missão de evitar a queda para a Série B. - Divulgação/Coritiba
Durou pouco a passagem de Domènec Torrent pelo futebol brasileiro. O espanhol foi anunciado pelo Flamengo em julho de 2020 para substituir Jorge Jesus. Quatro meses depois, foi demitido após goleada sofrida para o Atlético, por 4 a 0, no Mineirão. O ex-auxiliar de Guardiola foi demitido mesmo com o clube na briga por todos os títulos da temporada (Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores).
- Alexandre Vidal / Flamengo
Um dos nomes mais comentados da nova geração de treinadores, Rogério Ceni demonstrou que consegue fazer muito com pouco material humano. No Fortaleza, tornou-se ídolo ao conquistar a Série B (2018), a Copa do Nortesde (2019) e dois Estaduais (2019 e 2020). Agora, ele entendeu que era a hora de dar um salto e aceitou a proposta do Flamengo. Na bagagem, ele leva o temor de repetir o que aconteceu no Cruzeiro, quando foi demitido pela pressão dos jogadores mais experientes. - Alexadre Guzanshe/EM/D.A Press
Odair Hellmann começou a temporada no comando do Fluminense. Em 7 de dezembro, recebeu proposta irrecusável do Al Wasl, dos Emirados Árabes Unidos, e deixou o tricolor. O treinador deixa o Flu após exatos 50 jogos, com 24 vitórias, 12 empates e 14 derrotas, totalizando um aproveitamento de 56% de aproveitamento. Foram 75 gols marcados e 47 sofridos no período. - MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC
Para substituir Odair Hellmann, o Fluminense apostou no auxiliar Marcão, que tenta manter o time na parte de cima da classificação em busca de uma vaga na Libertadores. - Maílson Santana/Fluminense
Em 11 de novembro, o Fortaleza anunciou a contratação de Marcelo Chamusca para substituir Rogério Ceni. Ele deixou o Cuiabá, da Série B, para assumir o novo desafio. Chamusca comandou a equipe em nove jogos. Foram quatro derrotas, quatro empates e apenas uma vitória. Ele acabou demitido no início de janeiro. - Leonardo Moreira/Fortaleza EC
Ney Franco ficou no comando do Goiás apenas três partidas neste Campeonato Brasileiro. Com início abaixo das expectativas, foi demitido. Depois, assumiu o Cruzeiro na Série B, e também não conseguiu fazer o time jogar bem. Hoje, está desempregado. - Alexandre Guzanshe/EM/D.A Pres
Thiago Larghi assumiu o Goiás em agosto de 2020 e ficou apenas 38 dias no clube. Em seis partidas, ele somou uma vitória, dois empates e três derrotas. Com Enderson Moreira no mercado, a diretoria resolveu demitir o jovem técnico de 40 anos em 28 de setembro. - Ramon Lisboa/EM/D.A Press
Enderson Moreira foi contratado pelo Goiás para substituir Thiago Larghi, mas durou apenas dez jogos no comando da equipe. Foram três empates e sete derrotas. Ele foi demitido em 17 de novembro. Em 7 de janeiro, ele foi contratado pelo Fortaleza. - Rosiron Rodrigues/Goiás
Após a demissão de Enderson Moreira, o auxiliar Glauber Ramos assumiu o comando da equipe com a missão de tentar salvar o Goiás do rebaixamento. - Reprodução
Coudet foi anunciado pelo Internacional em dezembro de 2019. A passagem pelo futebol brasileiro durou pouco. Mesmo levando o Colorado à liderança do Campeonato Brasileiro, pediu demissão do clube em novembro para assumiu o Celta, da Espanha. Abel Braga foi o nome escolhido pelo Inter para substituí-lo - Ricardo Duarte/Internacional
Abel assumiu o Vasco em dezembro de 2019 e deixou o clube em março deste ano após início ruim de Campeonato Carioca. Agora, ele ganha uma chance no clube no qual é ídolo, o Internacional. Chega com o objetivo de manter o Colorado no topo da tabela do Brasileirão. - Ramon Lisboa/EM/D.A Press
Vanderlei Luxemburgo voltou ao Palmeiras nesta temporada. Vitorioso com o clube nos anos 1990, ele começou bem a temporada vencendo o Campeonato Paulista. No Brasileiro, viu o time patinar no início e acabou demitido em outubro. No início de janeiro, ele assumiu o comando do Vasco. - THIAGO RIBEIRO/AGIF/ESTADAO CONTEUDO
Abel Fernando Meira Ferreira, de 41 anos, chegou ao Brasil para o seu maior desafio na carreira. Foi anunciado pelo Palmeiras em outubro, conquistou o título da Copa Libertadores e busca também a taça da Copa do Brasil. - Palmeiras /Divulgação
Depois de liderar isoladamente o Campeonato Brasileiro, o São Paulo atingiu a marca de seis partidas seguidas sem vitória. Praticamente fora da disputa pela taça, o tricolor se viu obrigado a demitir o técnico Fernando Diniz, que estava no clube desde setembro de 2019. O treinador deixa o clube sem conquistar nenhum título. Foram 74 jogos, com 34 vitórias, 20 empates e 20 derrotas. - AFP
Daniel Paulista foi anunciado pelo Sport em fevereiro deste ano. O início ruim de Campeonato Brasileiro foi determinante para a queda do treinador, que levou o time a uma vitória, um empate e três derrotas. Hoje, dirige o Confiança. - Paulo Paiva/DP
Em 24 de agosto de 2020, Jair Ventura foi anunciado como novo técnico do Sport com a missão de manter o clube na Série A. Substituiu Daniel Paulista, que não resistiu aos maus resultados. - Ramon Lisboa/EM/D.A Press
Ramon Menezes começou de forma empolgante o Campeonato Brasileiro com o Vasco. O time carioca chegou à liderança da competição, mas caiu repentinamente. O ex-jogador acabou demitido do cargo. - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
O português Ricardo Manuel de Andrade da Silva Sá Pinto foi contrato pelo Vasco em outubro deste ano para substituir Ramon Menezes. A primeira experiência do treinador no Brasil não foi boa. Foram 15 partidas à frente do time cruz-maltino, com apenas três vitórias, seis empates e seis derrotas. - AFP
Antes líder do Brasileirão, até com folga na tabela, o São Paulo caiu para o quarto lugar, a sete pontos de distância do Internacional, agora o primeiro colocado.
As demissões foram decididas em reunião realizada pela diretoria nesta segunda-feira, um dia depois da dura derrota para o Atlético-GO, por 2 a 1, fora de casa. Foi o sexto jogo da equipe sem vitória no Brasileiro. Em 2021, o São Paulo ainda não venceu. O último triunfo aconteceu no dia 26 de dezembro, sobre o Fluminense.
Desde então, o time paulista foi eliminado pelo Grêmio na semifinal da Copa do Brasil e acumulou dois empates e quatro derrotas no Brasileirão. Na mais dolorosa delas, foi goleado pelo Inter, adversário direto na briga pelo título, por 5 a 1. O resultado marcou a pior derrota da história do São Paulo em seu estádio.
A cada tropeço, o time queimava "gordura" na liderança da tabela, que chegou a sete pontos, e se afastava da liderança. A perda de rendimento contrastou com a boa fase então vivida pela equipe de Diniz, quando chegou a acumular oito triunfos em 11 jogos, com direito a vitórias contundentes sobre rivais na briga pelo troféu, como Flamengo (4 a 1) e Atlético-MG (3 a 0), pelo Brasileirão. Pela Copa do Brasil, houve ainda duas vitórias seguidas sobre o mesmo time carioca.
A grande série de resultados elevou o São Paulo naturalmente à condição de favorito tanto da Copa do Brasil quanto do Brasileirão. Ao mesmo tempo, amenizou as críticas contra Diniz, que passou a convencer os torcedores sobre a eficácia do seu estilo de jogo, conhecido pela constante troca de passes, a partir da defesa até o ataque.
O estilo imposto por Diniz desde que assumiu o time, no fim de setembro de 2019, dividiu a torcida. Foi elogiado por quem gosta da sua cobrança por muita posse de bola e ofensividade. Mas odiado por quem reclama da falta de resultados, o que aconteceu também em seus clubes anteriores - Athletico-PR e Fluminense.
Mas isso parecia mudar na reta final de 2020, em razão da boa sequência de vitórias e da chegada ao topo da tabela. O chamado "dinizismo" aliviou as reclamações e gerou esperanças no torcedor, antes incomodado com a postura do treinador, considerado teimoso. Porém a ascensão veio por terra neste começo de 2021, com a série de tropeços.
A irregularidade já coloca em risco até mesmo a chance de se classificar diretamente para a fase de grupos da Copa Libertadores. Em quarto lugar, o São Paulo tem cinco pontos de vantagem sobre o Fluminense, o quinto colocado - somente os quatro primeiros entram na fase de grupos.
Diniz era o segundo técnico mais longevo entre os times da Série A, atrás apenas de Renato Gaúcho, contratado em setembro de 2016 O treinador, que chegou ao São Paulo em setembro de 2019, deixa o time com um aproveitamento de 54,9%, com 34 vitórias, 20 derrotas e 20 empates.
Raí, por sua vez, era o principal defensor do técnico no clube. Diversas vezes veio a público para assegurar a permanência de Diniz à frente da equipe. Ídolo da torcida, ele ocupava a função de diretor-executivo desde dezembro de 2017. Mesmo com a mudança na gestão do São Paulo, com a saída de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, para a chegada de Julio Casares, Raí havia sido mantido no cargo. Mas também não resistiu a série negativa recente do time.