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OLIMPÍADA

Quem será herdeiro de Bolt e Phelps nas Olimpíadas de 2020?

Sem o supernadador e o ultra-velocista, todos procuram nomes para sucedê-los nos jogos de Tóquio. Alguns despontam, mas permanece a dúvida sobre se têm os atributos para assumirem a difícil tarefa

postado em 30/12/2019 10:37 / atualizado em 30/12/2019 11:23

(Foto: JEWEL SAMAD)
Nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, Michael Phelps atraiu os primeiros olhares de atenção, mas foi em Pequim, quatro anos depois, quando conquistou oito medalhas de ouro, que todos se deram conta de que estavam diante de um fenômeno da natação. Também foi em solo chinês que outro fora de série surgiu, só que nas pistas de atletismo: Usain Bolt. Mas o público só se dará conta de que esses dois gênios não estarão entre os competidores na Olimpíada de Tóquio quando o evento começar. É quando virá também a inevitável pergunta: quem poderá substituí-los?

 

No caso do nadador, um jovem americano desponta como o favorito para ocupar o posto. Caeleb Dressel, 23 anos, é o maior candidato a papa-medalhas nos próximos jogos. Especialista em provas rápidas, já soma 19 ouros de 24 medalhas em mundiais (Phelps tem 27 ouros, de 34 no total). Dressel é o atual bicampeão mundial dos 100m borboleta, com 49s50, tempo que rendeu a quebra do recorde que pertencia justamente a Phelps, desde 2009 — que conquistou três ouros olímpicos nessa prova.

 

No Rio, em 2016, Dressel dividiu o pódio com o ídolo nos revezamentos 4x100m livre e 4x100m medley, em que representaram os Estados Unidos. O próprio Phelps reconheceu que aquele jovem ao seu lado poderia sucedê-lo, caso esteja disposto a pagar o preço pelo tempo de trabalho e pelas dores que esse nível de desempenho exige.

 

(Foto: ODD ANDERSEN)
Nos 200m borboleta, em que Phelps também é tricampeão olímpico, um húngaro de 19 anos é cotado para o título olímpico em Tóquio. Kristof Milak foi campeão mundial na prova com 1m50s73, desbancando o recorde do americano, que durava uma década. Mas, nos 200 medley, que consagrou Phelps como o único tetracampeão olímpico da natação, não há ninguém com pinta de sucessor.

 

Se nas piscinas os sucessores de Phelps estão mapeados, entre os velocistas o estandarte de Usain Bolt é disputado por vários nomes. Nos 100m, prova que consagrou o jamaicano como o mais rápido do mundo, o candidato a protagonista é o norte-americano Christian Coleman, 23 anos, que cravou 9s76 no Mundial de Doha, se tornando o sexto mais rápido da história. Nos 200m, outro jovem americano desponta: Noah Lyles, de 22 anos. No revezamento 4x100m, a situação é precária, sobretudo para a Jamaica, que não chegou nem à final mundial sem Bolt.

 

E a incrível Simone?

 

Enquanto as estrelas da natação e do atletismo se despediam nos Jogos do Rio, a pequena e surpreendente Simone Biles levantava o público com sua altíssima capacidade técnica. Não à toa abocanhou quatro ouros nas provas de salto, solo, individual geral e por equipes, e um bronze na trave. Simone tem ainda a seu favor a simpatia. A gigante de 1,45m chegará a Tóquio com 23 anos como a mais condecorada da história do Campeonato Mundial. E pretende sair da Olimpíada como a melhor da história na ginástica artística: desde que despontou no cenário internacional, em 2013, aos 16 anos, acumulou 25 medalhas em mundiais, 19 delas de ouro. E esse número não é maior porque não competiu em 2017, já que se deu uma folga depois dos Jogos do Rio. Para Tóquio, Simone promete uma apresentação repleta de mortais com níveis altíssimos de dificuldade, além de acrobacias inéditas, como um triplo-duplo no solo e um duplo-duplo de saída na barra de equilíbrio – tal como fez no Campeonato dos Estados Unidos, em agosto passado. E embora esteja na ativa, e na plenitude, ela já deixa a dúvida no ar: por planejar se despedir de olimpíadas, surgirá em Tóquio alguém com jeito de sucessor para, em Paris, em 2024, ser capaz de carregar a herança de Simone?