Mais Esportes

Sentindo-se em casa

Brasilienses aproveitam semelhanças com o Lago Paranoá para vencer primeira regata do Brasileiro da Classe Laser. Filho de Lars Grael estreia com o 14°lugar em Três Marias

O vento era só o que faltava. Se na quinta-feira – data de estreia do 38º Brasileiro da Classe Laser – a ausência de sopro acabou impedindo os velejadores da Radial Feminino e Masculino de pôr as pernas e a técnica nas águas da represa de Três Marias (Noroeste do estado), no segundo dia do campeonato de vela da categoria para um tripulante a natureza finalmente mostrou a que veio. Ventando regularmente, ontem foi possível realizar duas das três regatas necessárias para a validação da competição, de acordo com o secretário nacional da Associação Brasileira de Classe Laser (ABCL), José Carlos Reis.


A organização não perdeu tempo. Marcada para as 10h, a prova inicial começou pontualmente. Sentada numa das margens do lago com um binóculo

nas mãos, a professora Aurora Areis Rodovalho, de Brasília, observava apreensivamente o filho Felipe Areias, de 15 anos. “É o primeiro Brasileiro que ele disputa. Nós o acompanhamos em todas as competições para dar apoio em terra. É importante participar, e ele gosta muito”, comenta.

Menos de três horas depois, foram outros dois brasilienses que acabaram aportando com os melhores resultados da primeira regata do dia. Vencedor entre os homens, Bruno Lossio, de 20 anos, assimilou características do Lago do Paranoá – onde treina desde os sete anos de idade – com a represa mineira construída há 50 anos. “Estou acostumado ao regime de vento fraco, presente aqui. Ainda tem muita prova pela frente, mas espero que o resultado se repita.” Segunda colocada entre as mulheres, Luciana Alarcão, 16 anos, se surpreendeu com as distâncias percorridas em Três Marias, mas não desanimou. “Nessas horas a calma é um grande facilitador. Há vários iatistas de nível competindo, o que torna essa uma edição difícil”, avaliou.

DISTANTE A igualdade de condições, porém, não influiu no desempenho de todos os velejadores habituados ao Paranoá. Treinando no lago da capital federal desde garoto, o filho do medalhista olímpico Lars Grael, Nicholas Grael, acabou estreando no Brasileiro em 14° lugar.

As regatas da categoria Radial acontecem até amanhã, paralelamente ao Tiro da Canoa – corrida em que 50 pescadores da região disputam o título de remador mais rápido da região. Entre os dias 24 e 27 as provas serão entre os velejadores que utilizam velas Standart e 4.7. Quem perder menos pontos vence o campeonato, que também vale como seletiva para os para os mundiais da International Laser Class Association (ILCA).

E mais...

 TIETAGEM
Mesmo ficando em 57° lugar no primeiro dia, o mineiro Guilherme França foi cercado pelas fãs Isabela Fernandes, de 13 anos, e Lorena Frois, 14, assim que chegou da prova. Ele posou para fotos ao lado das garotas de Três Marias, que aproveitam o campeonato para conhecer a modalidade.

PARAPENTE
Um cinegrafista contratado pela Cemig roubou a atenção do público do Iate Clube Náutico Três Marias durante a manhã de ontem. Com uma câmera acoplada ao capacete, ele subiu ao céu de parapente para registrar as primeiras imagens do campeonato, o que também rendeu muitas fotos – feitas pelos curiosos expectadores – no solo.

 

* O jornalista viajou a convite da Cemig