“Estou morando em uma casa de lutadores organizada pelo Belfort. É um sonho viver aqui, temos uma estrutura excelente e os maiores eventos de MMA acontecem no país. Além disso, o Vitor nos ajuda muito. Ele dá muita força para todos”, contou Romulo em entrevista ao Superesportes.
Romulo Romano começou a treinar jiu-jitsu na adolescência e cresceu assistindo às lutas de Vitor Belfort no UFC e também no extinto PRIDE. Como os eventos de MMA ainda eram pouco divulgados no país, ele acompanhava a maioria das lutas em fitas cassete.
“Aquele foi um outro tempo. O esporte ainda era conhecido como vale-tudo e pouco prestigiado. Acompanhei a carreira de muitos ídolos como o Belfort e queria fazer igual. Desde moleque meu sonho sempre foi me tornar um grande lutador”, confidenciou.
O belo-horizontino tentou ir para os Estados Unidos diversas vezes, mas esbarrava nos desejos da família. “Pedia meus pais para morar nos EUA, mas, obviamente, eles não deixavam, eu era muito novo. Minha mãe pedia para manter o foco nos estudos. Quando completei 18 anos, ela finalmente deixou. Comprei a passagem e encarei o sonho. Não sabia nada de inglês”.
Belfort: ídolo e mestre
O primeiro contato de Romulo Romano com o ídolo Vitor Belfort aconteceu no dia do seu embarque para os Estados Unidos. “O Vitor frequentava a mesma igreja da minha mãe, em BH. Foi uma
Belfort indicou a academia de Renzo Gracie, em Nova Iorque, como o primeiro passo para Romano iniciar a carreira. Contudo, o mineiro não tinha condições financeiras e precisou morar com um parente em Boston. Sua primeira equipe foi a Dragon's Lair.
“Tive a ajuda de um parente, consegui um emprego e comecei a treinar boxe e wrestling. Seis meses depois fiz minha primeira luta profissional, ainda com 18 anos, e venci um norte-americano mais velho. Confesso que fiquei com medo no início. No momento da pesagem, antes do evento pensei: 'só tem maluco nesse lugar, o que estou fazendo aqui?'. Mas na hora da luta perdi o nervosismo e o ringue virou a minha casa”, afirmou.
Romano ainda fez mais uma luta antes de retornar ao Brasil para renovar o seu visto. De volta ao país, ele foi convidado para treinar na Black House, no Rio de Janeiro. Na equipe, o lutador conheceu Cezar Mutante e se tonaram grandes amigos.
Depois de dois meses de treinamentos intensos, Romano voltou para os Estados Unidos e lutou outras duas vezes. Ele se casou, teve um filho e parou de lutar por um tempo. Mas o atleta estava predestinado e uma série de situações o levaram ao octógono novamente.
"Casei e fui morar na Flórida. Comecei a trabalhar com construção e fique sem tempo para treinar. O lutador para competir precisa se dedicar o tempo todo, então acabei parando para cuidar da minha família. Quando meu casamento terminou, falei: agora tenho que voltar a lutar de qualquer maneira, afinal, eu só deixei a minha família no Brasil para conquistar meu sonho”, revelou.
Depois de passar por outras equipes e conseguir o visto permanente, Romulo entrou em contato com Vitor Belfort e foi convocado para treinar com o seu ídolo. “Passei por momentos difíceis e achei que não conseguiria. O Vitor Belfort apostou em mim. Treinei com ele na Xtreme Couture, do Randy Couture, e depois ele criou sua própria equipe. Agora estou recebendo vários convites para participar de alguns eventos. Vou escolher o melhor e dar sequência na minha carreira”, concluiu. (UAI)
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