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ATLETISMO

Nas passadas de Esmeralda

Com 17 anos, saltadora de Lagoa da Prata é primeira revelação do centro de treinamento da UFMG, que leva o nome de campeã

postado em 22/05/2013 08:30 / atualizado em 22/05/2013 11:59

Estado de Minas

Desde que Esmeralda de Jesus, o maior fenômeno do atletismo feminino mineiro, parou de competir, em 1987, e Lucimar de Moura, também velocista (prata no Pan de 1999), pendurou as sapatilhas, o estado não tinha uma atleta de tanto potencial como Núbia Soares, de 17 anos. Natural de Lagoa da Prata, ela acaba de bater o recorde sul-americano de menores no salto triplo, que pertencia a outra brasileira, Keila Costa. A mineira saltou 13,43m, numa prova oficial do calendário brasileiro, no Centro de Treinamento da UFMG, na Pampulha, onde ela treina. A marca anterior era de 13,23m, obtida em Santiago, no Chile, obtida em 2001.

Núbia é considerada um fenômeno e seus resultados impressionaram dirigentes e técnicos da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), que apostam no jovem talento para os Jogos Olímpicos Rio’2016.

Curiosamente, Núbia é orientada pelo mesmo treinador que possibilitou a evolução da Esmeralda, o polônes Leszek Szmuchrowski, o idealizador e coordenador do Centro de Treinamento da UFMG, cuja pista leva o nome de Esmeralda de Jesus.

Descoberta pelo professor de educação física e técnico de atletismo da Prefeitura de Lagoa da Prata Abel Mendes, ela acabou encaminhada para treinar com Leszek e se transformou no primeiro talento garimpado pelo novo Centro de Treinamento, que será a base da China e da Itália durante os Jogos do Rio, em 2016, justificando o investimento na estrutura de ponta.

O CT da UFMG foi inaugurado em agosto do ano passado. Em menos de um ano, vem sendo feito um trabalho de detecção de talentos coordenado por Leszek, que lembra que são realizadas competições nos fins de semana, a melhor maneira de se descobrir atletas.

Belo Horizonte era carente de um espaço como o CT da UFMG. Antes deste, havia ali a pista do Centro Esportivo Universitário (CEU), que não era adequada, pois o piso era de pó de tijolo. Foi na pista antiga que Esmeralda foi descoberta e de onde saiu para bater o recorde brasileiro dos 100m, com 11s7, no Pan-Americano da Juventude, em Quito, Equador, em 1975. A marca não foi homologada pela Federação Internacional de Atletismo (Iaaf), embora o tempo seja reconhecido, pois na época não havia a medição de vento, o que hoje é exigido.

Esmeralda foi ouro nos Jogos Pan-Americanos de Caracas’1983, nos 100m. Aliás, subiu ao pódio por três vezes, naquela edição, sendo ainda bronze nos 200m e prata no revezamento 4x100m. Foi ainda recordista mundial do salto triplo entre 5 de junho de 1986 e 2 de maio de 1987, com 13,68m, superada em Indianápolis, Estados Unidos, em outra edição dos Jogos Pan-Americanos.

EVOLUÇÃO

Agora, chega a vez de Núbia, que é uma aposta de Leszek. “Ela tem todas as condições para levar o Brasil ao pódio na Olimpíada do Rio. Tem apenas 17 anos e já bateu os recordes brasiliro e sul-americano de menores. No atletismo, é ainda infantil. Com mais três anos de treinamento, tem muito a crescer e alcançar uma marca que a leve ao pódio no Rio.”

Núbia teina em sua cidade natal durante a semana, sob a supervisão de Abel Mendes, que é orientado por Leszek. Nos finais de semana, os treinos acontecem no CT da UFMG, onde além de treino na pista, recebe orientações sobre seus saltos e recebe a programação da semana.
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