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Personalidade e confiança: armas de Norma Dumont para estreia no UFC

Lutadora de BH encara australiana nos EUA e busca rápida projeção

postado em 29/02/2020 07:30 / atualizado em 28/02/2020 14:42

(Foto: Gilson Junio)

Depois de longa espera, chegou o momento da estreia. Norma Dumont, de 29 anos, viveu grande expectativa até pisar pela primeira vez no octógono do Ultimate Fighting Championship (UFC). A mineira de BH debutará na principal organização de artes marciais mistas neste sábado (29), em Norfolk, no estado da Virgínia (EUA). A adversária é uma atleta conceituada, a australiana Megan Anderson, que já foi campeã do Invicta, liga exclusiva para o MMA feminino. O confronto será válido pela divisão peso-pena (até 66kg), no card  principal do UFC Fight Night 169.

Norma assinou com o UFC em março do ano passado e passou por longa espera até os procedimentos exigidos pela organização, como treinamento específico e o programa antidoping sob supervisão da Agência Antidoping dos EUA (Usada). Enquanto se preparava, a mineira queria uma adversária de renome na estreia e foi atendida: Megan Anderson, de 30 anos. Campeã peso-pena do Invicta em 2017, a australiana se transferiu para o UFC e teve duas vitórias e duas derrotas na franquia sediada em Las Vegas.

Norma, conhecida como Imortal, está invicta - venceu as quatro lutas que disputou como profissional - e sabe da importância de uma estreia positiva no UFC. A mineira mostrou ousadia e personalidade ao pedir uma adversária bem ranqueada para iniciar a trajetória na organização e espera ser premiada com grande exibição e vitória. Em entrevista ao Superesportes/Estado de Minas, ela destacou a chance de ouro na carreira e projeta rápido crescimento no peso-pena da franquia. 

Ao mesmo tempo, ela lidou com dificuldades para encontrar um local ideal para treinar e precisou se deslocar até Contagem, onde trabalhou com afinco no CT Team Maori, um dos poucos a ter octógono disponível para a preparação. Norma critica a falta de estrutura para atletas de MMA em BH e pede mais investimento até na formação de novas lutadoras.

(Foto: Robert Nonato)


Confira a entrevista 

Depois de longa espera, chegou o momento da estreia. O que passa pela cabeça de uma atleta prestes a disputar a principal luta da carreira até agora?

Penso que treinei a vida inteira para este momento. Tô mais do que pronta! Chegou o momento de mostrar o meu trabalho para o mundo.

O longo tempo de treinamento ajudou a controlar a ansiedade? O fato de estar ao lado do marido (o head coach Johny Vieira, da equipe Team Rules) no dia a dia de trabalho e da família foi outro ponto positivo nesse sentido?

É sempre reconfortante ter meu marido junto em todos os momentos do meu treinamento. Ele é um cara que me entende bem, sempre ajuda, até a eu mesma me entender melhor. Treino com amigos, família, pessoas que gosto. Estou sempre bem e tranquila.

Qual a sensação de estrear no maior evento do MMA? Ainda mais nos EUA, onde tudo começou....

Ansiosa para ver tudo o que o UFC tem para mim e muito feliz de ser nos EUA. Sempre tive vontade de lutar lá.

A estreia será diante de uma lutadora mais experiente, acostumada a eventos de ponta do MMA. Além disso, Megan já foi campeã do Invicta e tem muita rodagem. Você joga a pressão para o lado da adversária?

Não. Nunca! A responsabilidade da vitória é minha. Para mim, não tem isso. Eu não aceito perder para ninguém, nem pra Megan. Não me interessa a experiência dela.

Enfrentar uma oponente conceituada e bem ranqueada logo na estreia é fator que motiva? Você pediu um desafio ousado na estreia e foi atendida....é a chance de mostrar o seu jogo na primeira luta?

Eu sempre estou motivada para lutar. Gosto disso. Gosto de sentir o gosto da luta. Dessa preparação até o grande dia. E, por fim, o grande dia! Passar pela Megan, me deixa em um patamar muito melhor dentro da organização. Ela está no meu caminho, só vejo isso.

A luta em pé seria a melhor opção contra uma atleta que vem do muay thai e também do jiu-jitsu? Ou uma surpresa no jogo de quedas também está no planejamento? Há alguma prioridade de estratégia?

Acredito que tenho mais qualidade sobre a Megan em ambas as áreas. Ela tem uma envergadura boa, mas não é uma atleta tão rápida e explosiva. Vamos aproveitar todas as falhas que ela tem.

(Foto: Robert Nonato)

Você já vislumbra o crescimento no peso-pena com uma vitória na estreia? Ou prefere pensar em conquistar espaço aos poucos?

Eu pedi uma adversária de peso exatamente pra isso. Quero entrar e chocar o mundo com uma bela vitória. Depois, vamos ver como fica minha posição dentro do UFC.

Amanda Nunes é a dona do cinturão, mas pode ser que ela nem defenda o título. Você considera que o peso-pena ainda não se desenvolveu no UFC como poderia?

Acredito que neste ano, de 2020, o UFC vai investir mais na categoria. Já começou o ano movimentando a categoria. Acredito que em breve teremos novos nomes.

Você pensa em deixar BH para treinar em outra cidade, seja no Rio ou até mesmo nos EUA, no futuro? Como é a estrutura para uma atleta de MMA na capital mineira? 

A estrutura aqui é bem complicada. Os mineiros ainda não aprenderam a valorizar os seus atletas de ponta. Está melhorando, mas em passos lentos. Não tenho vontade de mudar de estado, talvez, se pintasse uma ótima oportunidade, eu iria para os EUA.

O MMA feminino é uma realidade no UFC. Para você, como está a modalidade para mulheres aqui no Brasil? Temos grandes lutadoras, mas e o investimento nas atletas? Falta reconhecimento por aqui?

Temos grandes nomes no cenário nacional. Acredito que, nos próximos anos, vamos ter muitas atletas brasileiras nos grandes eventos. Ficamos no aguardo de o Brasil resolver investir mais no esporte. Nosso país é um berço enorme de grandes atletas.