Seleção Brasileira

Raio-x da 'era Teixeira' dentro de campo

Ex-presidente da CBF ganhou duas Copas em 23 anos no cargo

Thiago de Castro


O primeiro grande torneio que a Seleção Brasileira disputou com Ricardo Teixeira como presidente da CBF foi a Copa do Mundo de 1990. A eliminação nas oitavas de final para a Argentina foi considerada um fracasso. Este não foi o único episódio trágico da “era Teixeira” em campo. Por outro lado, o Brasil teve grandes conquistas em sua gestão.


No Mundial seguinte, em 1994, a equipe de Carlos Alberto Parreira, com o brilho de Romário no ataque, conquistou o tetracampeonato. Em 2002, Ronaldo foi o craque do penta do time montado por Felipão. Foram os dois auges recentes do futebol nacional.

O triunfo de 1994 encerrou um jejum de 24 anos, iniciado com o épico tricampeonato de 1970. Em 2002, o destaque foi para a recuperação da auto-estima perdida pelo Brasil personificada no camisa 9 Ronaldo. Em 1998, na noite que antecedeu a final da Copa do Mundo contra a França, o craque teve problemas que, para alguns, até hoje não foram bem explicados. Somado-se a isso, houve também lesões físicas que colocaram em xeque o retorno do alto nível de seu futebol.

A Seleção Brasileira da “era Teixeira” ainda ganhou cinco Copas América (1989, 1997, 1999, 2004 e 2007) e três Copas das Confederações (1997, 2005 e 2009).

Fracassos marcantes

Apesar dos grandes títulos, a Seleção Brasileira também teve momentos de dificuldade. Além da derrota na Copa de 90 e de 98, outros fiascos fizeram parte dos últimos 22 anos.

Ainda em Copas do Mundo, a de 2006 tem grande destaque negativo. Houve a polêmica e badalada preparação em Weggis, interior da Suíça. A Seleção, recheada de craques, foi eliminada para a França nas quartas de final. O “quadrado mágico”, formado por Kaká, Ronaldinho, Ronaldo e Adriano, não vingou. Em 2010, o time de Dunga perdeu para a Holanda nas quartas de final, com direito a expulsão do questionado volante Felipe Melo.

Os Jogos Olímpicos também representam uma pagina difícil para o futebol do país. Nigéria e Camarões foram os algozes em 1996 e 2000. Em Sydney, a Seleção de Luxemburgo foi eliminada na prorrogação com dois jogadores a mais em campo.

Para a Olimpíada de 2004, o Brasil sequer conseguiu se classificar. E não faltavam bons jogadores, como Diego, Robinho, Nilmar e Maicon no Pré-Olímpico.

Nove homens no comando do futebol

Ricardo Teixeira escolheu nove treinadores desde 1989 para o “segundo cargo mais importante do país”.

Estiveram no comando do futebol brasileiro Sebastião Lazaroni (1989 a 1990), Falcão (1991), Carlos Alberto Parreira (1991 a 1994 e 2003 a 2006), Zagallo (1994 a 1998), Vanderlei Luxemburgo (1998 a 2000), Emerson Leão (2000 a 2001), Felipão (2001 a 2002), Dunga (2006 a 2010) e Mano Menezes (desde 2010). Ernesto Paulo, em 1991, e Candinho, em 2000, foram interinos por um jogo.

Quem mais comandou a Seleção na “era Teixeira” foi Parreira, em duas passagens, com 103 jogos disputados. Emerson Leão foi o que menos durou no cargo, com apenas dez partidas e uma saída polêmica. Desde então, ele elegeu o presidente da CBF como um dos seus desafetos no mundo do futebol. O melhor aproveitamento entre todos é de Zagallo, com 80% dos pontos conquistados (55 vitórias, 13 empates e seis derrotas).

Craques e recordes


As últimas décadas da Seleção Brasileira tiveram nomes históricos dentro de campo. Dois jogadores bateram recordes importantes.

O lateral-direito Cafu ultrapassou Rivellino, em 16 anos atuando pelo Brasil, com o maior número de jogos pela Seleção. Foram 142 partidas, três finais de Copa do Mundo, com dois títulos. Em 2002, ele era o capitão da equipe.

O atacante Ronaldo encostou em Pelé em número geral de gols. São 115 do Rei do Futebol contra 98 do Fenômeno com a Amarelinha. Mas, em Copas do Mundo, ninguém balançou as redes mais do que o camisa 9.

Foram 15 gols de Ronaldo em três edições. Ele superou o alemão Gerd Müller, dos anos 70, que tinha 14.