Seleção Brasileira

Texeira e seus capítulos de polêmicas

Presidente da CBF estava envolvido em vários casos de corrupção

Thiago de Castro

Ricardo Teixeira reununciou nesta segunda-feira, por motivos de saúde
A gestão de Ricardo Teixeira na CBF é marcada por denúncias graves e capítulos mal explicados. Contudo, ele nunca pareceu fraquejar em 22 anos e foi visto como um dos homens mais influentes e poderosos do Brasil.


Em julho do ano passado, por exemplo, em entrevista a Revista Piauí, Teixeira se mostrou pouco incomodado com pressões externas, da sociedade e parte da imprensa, e denúncias de corrupção. “Caguei de montão”, afirmou, sobre o assunto, na época.

Ele afirmou que só ficaria incomodado quando as denúncias aparecessem no Jornal Nacional, da Rede Globo.

Relembre alguns casos polêmicos que envolveram o nome de Ricardo Teixeira e CBF:
Vôo da Muamba

A Seleção Brasileira campeã do mundo em 1994 desembarcou em Brasília em vôo fretado, no mês de julho daquele ano. Ricardo Teixeira se empenhou para que nenhuma bagagem do avião fosse inspecionada pela Receita Federal e conseguiu.

Entre as “muambas”, estavam equipamentos comprados para a choperia El Turf, no Jockey Clube do Rio de Janeiro, de propriedade de Ricardo Teixeira.

Em 2010, após ação civil do Ministério Público, ele foi condenado em Primeira Instância.

GALERIA DE FOTOS: IMAGENS HISTÓRICAS DA TRAJETÓRIA DE TEIXEIRA NA CBF

Bancada da bola

Desde os anos 90, a CBF é acusada de patrocinar campanhas políticas de deputados e senadores em troca de favorecimento quando estes são eleitos. Desta forma, Ricardo Teixeira conseguiria em troca a sua manutenção na presidência da entidade sem grande pressão política e investigações sobre corrupção da sua gestão.

Duas CPIs

Ricardo Teixeira teve que prestar esclarecimentos na CPI do Futebol e da Nike. Ele foi acusado por lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, apropriação indébita e evasão de divisas.

Nova CPI

Em março de 2011, o deputado federal Anthony Garotinho tentou abrir uma nova CPI para investigar irregularidade na gestão de Ricardo Teixeira na CBF. Ele chegou perto de recolher as 171 assinaturas de parlamentares necessárias para a abertura da CPI.

Garotinho afirmou que conseguiu o apoio de 117 deputados. Mas 13 teriam desistido após pressão de Teixeira. O deputado divulgou então a assinatura de 104 que mantiveram a assinatura.

A CPI pretendia investigar, dentre outras coisas, irregularidade no Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014.

ISL

Em audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, em outubro de 2011, o repórter da rede britânica BBC, Andrew Jennings, acusou o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, e o ex-presidente da Fifa João Havelange, de receberam propinas para assinaturas de contrato da entidade máxima do futebol mundial com a ISL, uma das maiores agências de marketing esportivo do mundo. Segundo o jornalista, ambos confessaram à Justiça suíça o recebimento e fizeram um acordo para devolver parte do dinheiro e pagar uma multa que foi destinada a uma instituição de caridade.

Ricardo Teixeira teria recebido US$ 9,5 milhões em propinas por meio de uma empresa de fachada de Lichenstein, chamada Sanud. Jennings chegou ao valor por meio de um cruzamento de dados da CPI do Futebol de 2001 que teria mostrado o cartola recebendo dinheiro desta empresa e de uma lista atribuída à ISL, na qual haveria repasse de propina para a mesma Sanud.