Seleção Brasileira

CBF e governo articulam projeto para reduzir dívida de clubes

Parceria entre CBF e Ministério dos Esportes tentará abater dívidas dos clubes, em troca de financiamento de modalidades olímpicas em suas dependências para camadas menos favorecidas

Agência Estado

Trocar dívidas impagáveis do futebol por resultados no esporte olímpico. Essa é a proposta que a CBF e governo brasileiro farão para reduzir a dívida dos clubes de futebol no Brasil que, na avaliação de pessoas dentro da própria entidade do futebol, está minando a qualidade do esporte no Brasil.


O representante do Brasil na Fifa e assessor da CBF, Marco Polo Del Nero, que também é presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), revelou que já trabalha com o Congresso e com o Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, um esquema para permitir que os clubes possam abater a sua dívida em troca de implementar e financiar modalidades olímpicas em suas dependências para camadas menos favorecidas durante um período de pelo menos dez anos.

Segundo Del Nero, que está na Hungria para o seu primeiro Congresso da Fifa, seria estabelecida uma espécie de cronograma e tabela. Financiando um certo número de modalidades e organizando campeonatos e torneios, o clube poderia descontar parte de sua dívida, principalmente no que se refere à dívida com o imposto de renda e o Fisco.

"A condição é de que seja uma atividade amadora. O clube pode escolher qualquer um dos esportes. Mas se optar por essa via para reduzir a sua dívida, será controlado para que haja garantias de que as exigências foram cumpridas", indicou Del Nero. O projeto reduziria a dívida em um prazo de dez a quinze anos, dependendo da quantidade de modalidades que o clube implementar.

Outra exigência: os projetos precisam ser direcionado aos jovens, principalmente das camadas mais carentes. Isso, na prática, substituiria a função que o Estado sempre tentou desempenhar, sem quase nenhum sucesso. "Os clubes estão mais equipados para isso", afirmou Del Nero. Segundo ele, o governo já apoia o projeto e o Legislativo também teria dado um sinal positivo. "Vamos ter agora de conversar com os clubes", indicou

Esse seria apenas parte do plano. Além reduzir a dívida acumulada até hoje, a ideia seria a de impedir que nova dívida se forme, estipulando regras e penalidades a clubes que atrasem salários. Del Nero, porém, admite que essa será uma outra etapa do projeto e que terá de ser implementada gradualmente. "Só temos esse caminho", indicou.

Na Fifa, Del Nero também quer apresentar a proposta de sustentabilidade financeira nos clubes. Sua ideia é a de que o tema seja introduzido na agenda no Congresso da Fifa, que começa na próxima quinta, em Budapeste. Na quarta, o presidente da FPF planeja levantar a questão em uma reunião interna da Conmebol, justamente para que tenha um peso considerável.

Na Europa, a Uefa já adota o modelo de "fair-play" financeiro e, a partir de 2013, clubes que não estiverem em dia com suas contas poderão perder pontos em campeonatos e mesmo ser suspensos. Nesta segunda, ao ser questionado sobre a ideia de uma lei de equilíbrio orçamentário para os clubes brasileiros, o presidente da Uefa, o francês Michel Platini, não economizou elogios. "Acho isso um grande ideia. É ótimo que tenhamos isso ocorrendo", disse.