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ROLAND GARROS

Teliana ainda sonha

Jogadora de origem humilde fica muito perto da chave principal do Aberto da França. Caso haja uma desistência, ela disputará torneio em Roland Garros e dará fim a jejum

postado em 25/05/2013 08:33 / atualizado em 25/05/2013 08:36

Divulgação
O sonho brasileiro de quebrar o longo jejum de 20 anos sem disputar a chave principal feminina de um Grand Slam de tênis sofreu um duro golpe ontem, mas ainda não acabou. Se antes dependia exclusivamente de Teliana Pereira – uma pernambucana de 24 anos, filha de um pedreiro que trabalha na construção de quadras –, a chance de voltar a figurar entre as melhores do mundo depende agora da desistência de uma das 128 tenistas confirmadas no Aberto da França, que começa amanhã, nas quadras de saibro de Roland Garros.

Teliana (nº 129 no ranking) foi derrotada, na manhã de ontem, na decisão do qualificatório, pela ucraniana Yulia Beygelzimer (210ª), por 2 a 1 – 6-0, 3-6 e 6-3. Com o resultado, a tenista ficará treinando até a semana que vem em Paris esperando por uma vaga de lucky-loser (perdedor sortudo, em português) nome usado para o substituto de uma tenista da chave principal que desiste antes de o torneio começar.

“Não joguei bem como ontem (quinta-feira) e não aproveitei minhas chances no terceiro set”, lamentou a brasileira, que ficou muito perto de se tornar, pelos seus próprios resultados, a primeira brasileira a jogar o Grand Slam em 20 anos. A última tenista nacional a disputar um Grand Slam foi a paulista Andrea Vieira, que furou o qualificatório do US Open’1993. Andrea foi também a última a entrar na chave e vencer uma partida em Roland Garros, em 1990.

DO AGRESTE A PARIS Medalha de bronze na chave de duplas do Pan do Rio’2007, ao lado de Joana Cortez, Teliana nasceu em Águas Belas, no agreste pernambucano, mas sempre treinou em Curitiba, para onde mudou-se com a família ainda muito nova. O primeiro contato com o tênis foi graças a seu pai, que conseguiu um emprego como pedreiro na Academia Paranaense de Tênis. Incentivada pelo proprietário, começou a trabalhar como boleira (apanhadora de bolas) ao lado de seu irmão José Pereira, que também joga tênis profissionalmente – ocupa o 417º lugar no ranking. Ele pisou em Paris pela primeira vez em 2002, com apenas 13 anos, para disputar a chave de júnior de Roland Garros. Na oportunidade, fez um jogo-treino contra a anfitriã, Amelie Mauresmo, ex-top-5 do ranking.

Após bom início de carreira, sofreu lesões e precisou operar os dois joelhos. Caiu de 213ª para 540ª do mundo. Este ano, vive o melhor momento. Única brasileira entre as 300 primeiras no ranking, a pernambucana conseguiu grande ascensão, atingindo o 116º posto (hoje é 129ª). Venceu torneios menores em Buenos Aires, Sevilha e Rosário. Se tornou a primeira tenista brasileira em quase 25 anos a chegar à semifinal de um torneio WTA, com a campanha em Bogotá.