AFOGADOS DA INGAZEIRA

Após classificação histórica, técnico vê Afogados sem 'nada a perder' ante Atlético-MG

Coruja se classificou à segunda fase da Copa do Brasil após vencer Atlético-AC por 3 a 0, no Vianão, onde também receberá Galo

postado em 14/02/2020 12:30 / atualizado em 14/02/2020 12:51

(Foto: Claudio Gomes/AIFC)
A cidade de Afogados da Ingazeira, localizada a 381 km do Recife, será palco do maior jogo da história do jovem clube que leva o nome da cidade. Após superar o Atlético-AC por 3 a 0 em sua estreia por competições nacionais, a Coruja terá um confronto contra o Atlético-MG na segunda fase da Copa do Brasil. Celebrando o resultado, o treinador do clube sertanejo, Pedro Manta valorizou o trabalho da equipe, valorizou o momento histórico para a região do Sertão do Pajeú, e prometeu um time forte para o confronto, no qual não vê nada a perder.

A vitória do Afogados sobre o Atlético Acreano, na noite de quinta-feira, é, de longe, a principal da curta história da Coruja. Clube mais jovem da segunda fase da Copa do Brasil 2020, o Tricolor tem apenas seis anos e terá, no Galo, apenas o segundo adversário de Série A de sua história. A relevância da região do Sertão do Pajeú, uma das mais pobres do estado, em receber um clube do porte do Atlético-MG para um jogo tão importante foi reforçada por Pedro Manta.

“Jogar contra um grande clube do cenário nacional, de Série A do Brasileiro, de tanta tradição, de tantos títulos, é um marco histórico para o Afogados. De 15 dias para cá, em uma cidade que tem uns 38 mil habitantes (37.259, segundo o IBGE), foram vendidas quatro mil camisas do Afogados. O que a gente vê da camisa do Afogados na rua é brincadeira”.

Nesse cenário acolhedor à Coruja, Pedro Manta também reforçou a importância do clube mandar esse jogo em seu estádio, o Vianão. “Já após o jogo, eu liguei direto para o presidente e falei para que ele não tirasse o jogo daqui (Afogados da Ingazeira). O jogo tem que ser aqui, com a nossa logística, com a nossa realidade, comendo a nossa carne seca, na nossa região sofrida e a gente vai brigar por isso”.

ATLÉTICO MINEIRO

Ciente da possibilidade de enfrentar o vencedor do confronto entre Atlético-MG e Campinense, na segunda fase, Pedro Manta revelou que membros da comissão tricolor já acompanharam o jogo do Galo, disputado um dia antes, em Campina Grande/PB, a 260 km de Afogados. Ele ainda revelou a possível data do confronto.

“Teve pessoas nossas, do clube, que foram ver o jogo entre Campinense e Atlético (MG) e a gente está também começando a monitorar o Atlético. Claro que agora a gente vai virar a chave, a gente vem para o Pernambucano. Temos um jogo na quarta-feira contra o Santa Cruz. Vamos aguardar a determinação da data, já dizem que pode ser no dia 4 (de março)”, afirmou Manta. 

Ele também revelou alguns pontos chave para um bom jogo contra o Galo Mineiro e não demonstrou temer uma derrota. “Vamos usar a força do nosso estádio, do nosso mando de campo, da nossa equipe. É uma equipe muito rápida, a gente soube equalizar. Já no jogo contra o Náutico alguns jogadores eu poupei, como é o caso do Thalison, do Erivelton, do Márcio. E vamos ver, a gente não tem nada a perder. Se a gente não conseguir, não muda nada”.

IMPORTÂNCIA FINANCEIRA

Com a classificação à segunda fase, o Afogados garantiu uma premiação de R$ 650 mil, referente à participação na próxima etapa do torneio. Com o novo aporte, Pedro Manta vê o valor como um “divisor de águas”, que permitirá a equipe fazer investimentos a longo prazo.

“Você tem um orçamento melhor, pode se planejar de outra forma e, com certeza, o Afogados pode mudar de patamar, não só a nível de você qualificar ainda mais o elenco, mas também se preparar para fazer um trabalho de base, ir em busca de um terreno para se construir um CT. Tem que encaminhar esse recurso para alguma coisa que dê retorno, dê futuro ao clube”.

Com um elenco de apenas 22 jogadores de linha, Manta também ponderou sobre a possibilidade de reforçar o elenco tricolor, uma vez que o time tem, além da Copa do Brasil, as disputas do Pernambucano e da Série D. “Como o calendário nosso é bem recheado, a gente tem ‘panos para a mangas’ para conversar com a diretoria e ver também essa condição de trazer alguns atletas pontuais, no máximo dois ou três atletas, para qualificar o nosso grupo, que é bom”.