Vôlei

Com apito, mas sem dinheiro

Pagamento aos árbitros, fiscais e mesários, que era feito pelos clubes, foi centralizado na Confederação Brasileira, mas entidade ainda não repassou um centavo na temporada

postado em 20/01/2012 07:00

A Superliga Nacional de Vôlei é um grande sucesso. Mas isso parece se resumir somente à quadra, com jogos espetaculares, tanto no torneio masculino quanto no feminino, competições marcadas pelo equilíbrio, o que faz desta temporada, tecnicamente, a melhor de todos os tempos, além de possibilitar a comparação com as principais ligas europeias, como as de Itália e Rússia.

No momento em que a competição das mulheres chega à nona rodada, no entanto, com as três equipes mineiras em quadra – o Minas enfrenta o São Caetano-SP na Arena JK; o Mackenzie pega o Macaé no interior do Rio de Janeiro, e o Praia recebe o Rio do Sul-SC, em Uberlândia, todos os jogos às 20h –, os bastidores da competição andam agitados e o esporte experimenta sua primeira grande crise: as taxas de arbitragem não estão sendo pagas e existe o temor de uma greve.

O problema é grave. A competição, um dos exemplos de organização no país, começou em novembro, mas até hoje, nenhum jogo foi pago. Os árbitros denunciam que uma mudança na logística da competição, adotada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), foi o que causou o problema.

Até a edição 2010/2011 da Superliga, os árbitros recebiam dos clubes mandantes depois dos jogos. No fim do mês, cada entidade reunia os recibos e os encaminhava à CBV, que ressarcia os pagamentos feitos. Mas a partir da edição 2011/2012 a confederação decidiu que os pagamentos de arbitragem – incluem-se os dois árbitros, os quatro bandeirinhas e os funcionários da mesa (anotadores) – seria feito por ela mesma. O que não seria problema se o dinheiro estivesse sendo repassado regularmente, o que ainda não aconteceu.

Reuniões têm sido feitas nos quatro estados que têm equipes disputando a competição – Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina – e documentos já foram enviados à direção da CBV, no entanto nenhuma providência foi ainda tomada.

A resposta passada a juízes, bandeirinhas e anotadores é sempre a mesma: a de que o presidente da entidade, Ary Graça Filho, está em férias e fora do Brasil. Ontem, a entidade admitiu que o problema existe, mas que já estão sendo tomadas providências. Segundo a assessoria de imprensa, o pagamento deverá ser efetuado ainda hoje, com a garantia de que não haverá mais atrasos, com os pagamentos sendo efetuados mensalmente.

Paulistas Esse não é, no entanto, o único problema que aflige o esporte, que até hoje, desde que se organizou, só trouxe alegria ao torcedor. Um escândalo surgiu em São Paulo. O presidente da Federação Paulista de Vôlei (FPV), Renato Pêra, está sendo acusado de extorsão. A denúncia foi feita por árbitros da ativa e alguns já aposentados.

Segundo a denúncia, o dirigente cobra taxas para que árbitros, fiscais e anotadores entrassem nas escalas. O valor estaria estipulado em R$ 100 por profissional a cada partida, o que é chamado na surdina, nos bastidores, de “estágio”. Tal prática, segundo os árbitros, teria sido institucionalizada em 2010. Ironicamente, essa taxa é conhecida entre os funcionários da FPV por TRP, abreviatura de “Taxa Renato Pêra”.

Entre as muitas denúncias, os árbitros alegam que foram ameaçados numa reunião, em abril do ano passado, no Ibirapuera. O dirigente teria dito que se qualquer informação da reunião vazasse para a imprensa, eles sairiam perdendo. E também, alguns árbitros foram perseguidos e afastados da entidade, por não concordarem com as decisões.

Noite de final reeditada 

Existe uma grande expectativa com relação à rodada de hoje e amanhã da Superliga Nacional Feminina de Vôlei, já que os resultados da anterior, terça-feira, mudaram radicalmente a classificação. O Rio, de Bernardinho, que era o terceiro, assumiu a liderança com a derrota do Vôlei Futuro, que caiu para segundo, com o Osasco em terceiro. O Minas foi ultrapassado pelo Sesi-SP com a derrota para o Rio por 3 a 0.


No time mineiro, que enfrenta o São Caetano, a preocupação é com a falta de estabilidade. As duas equipes, aliás, fizeram as finais de duas edições do torneio – 1991/92, vencida pelo time paulista, e 1992/93, quando o Minas, que tinha Andréa Marras, Leila, Ana Flávia, Ana Paula, Hilma, Arlene, Mariana Ceni, Fernanda Doval, Márcia Fu e Cilene deu o troco e conquistou o troféu pela primeira vez.


O técnico Jarbas Soares Ferreira tenta dar equilíbrio ao time, que vinha com uma campanha perfeita e cinco vitórias quando foi derrotado pelo Vôlei Futuro por 3 a 0. Depois venceu o Osasco, 3 a 1, mas terça perdeu para o Rio, por 3 a 0. Nas duas derrotas, apagões principalmente no segundo set. No Maracanãzinho, derrota por 25/12.


A levantadora Claudinha diz não entender o que acontece, mas acredita que é hora de se esforçar mais. “Temos de melhorar. Todas nós sabemos disso e para que isso aconteça é preciso trabalhar, mais ainda do que estamos fazendo. Gosto do lema do time masculino do clube:  o ‘Não podemos largar o osso’. Temos de adotá-lo também.”


Já o Mackenzie, que vem de vitóriano clássico contra o Praia (3 a 1), busca afirmação. Quer superar o Macaé, independentemente do fato do jogo ser na casa do adversário, no litoral fluminense.


O técnico Ricardo Picinin aposta na continuidade de crescimento da equipe. “Começamos pegando só pedreiras: Vôlei Futuro, Osasco e Rio. Depois iniciamos um processo de recuperação e, dentro dele, a vitória sobre o Sesi por 3 a 0 foi muito importante. Estamos em sexto e queremos subir mais.” O Mackenzie soma quatro vitórias e quatro derrotas. É o sexto colocado. No Praia, a aposta do técnico Spencer Lee e das jogadoras é na sétima jogadora, ou seja, a torcida, para poder vencer o Rio do Sul-SC. O time tem três vitórias, todas dentro de casa.