Volei

Cruzeiro conta com a força de jogadores nascidos do Nordeste para levar título

Douglas Cordeiro, Daniel e Maurício nasceram na região nordeste do Brasil

Douglas Cordeiro, Maurício e Daniel contam segredos da força do nordeste



Existe um mito no Brasil de que o Nordeste não revela atletas para os chamados esportes especializados. Três jogadores do time de vôlei do Cruzeiro, o meio de rede Douglas Cordeiro, o ponteiro Maurício e o levantador Daniel, jogam essa teoria por terra, pois têm orgulho de suas origens e são exemplos de uma realidade que ignora a tendência daquela região do país.

Sem clubes que trabalhem esportes à exceção de futsal e handebol, os três começaram a praticar o vôlei na escola. Douglas, de 33 anos, nasceu no Recife, no entanto começou a jogar em Fernando de Noronha, onde morava com a família. “Eu estudava na escola do arquipélago. O técnico era o professor Chico. Com ele, deu os primeiros toques na bola. Aí não parou mais. “Meu pai me mandou para o Recife, para estudar, pois achava que teria uma base melhor para fazer o vestibular.”

Douglas foi matriculado no Colégio Contato, onde pode aprimorar sua técnica. “O treinador era o Guga. Não me esqueço dele. Me destaquei no campeonato colegial e fui para o Colégio Boa Viagem. O treinador era o Murilo Amazonas, que foi o cara que revelou Marcelo Negrão, Maurício, Carlão. Ele me encaminhou para o Sport, meu primeiro time.”

Um treinador mineiro, Marcos Lerbach, acabou levando o central para o Fluminense, em 1997. Jogou lá por duas temporadas, quando foi trazido para o Minas, chegando como juvenil. “No ano seguinte à minha chegada, fui para o time adulto, com o Cebola. Fomos tricampeões, em 2000, 2001 e 2002. Aliás, esses são meus únicos títulos da Superliga. Quero muito conquistar o quarto, agora.”

Quem tem a mesma origem é o ponteiro alagoano Maurício, de 23 anos, que nasceu em Maceió. Sua história com o vôlei começou no Colégio Marista, em Maceió, mas ele conta que o verdadeiro estímulo veio de dentro de casa. “Minha mãe, Marilda, foi jogadora da Seleção Brasileira. Ela sempre me estimulou. Me lembro do primeiro técnico, o Ricardo, que me deu muita força e foi quem me levou para o CRB.”

Com 14 anos, ele veio para Belo Horizonte. “Minha mãe é amiga do Pelé, do Minas, e pediu para que eu fizesse um teste. Ele comandava o infantil e me ajudou muito. Joguei lá no infantil e juvenil. Quando o Mauro Grasso chegou, me puxou para o adulto. Eu tinha retornado do Mundial Juvenil em 2009 e tinha sido escolhido o melhor jogador da competição. E logo no primeiro ano, disputei a primeira Superliga, em 2006, e fomos campeões. Do Minas, fui para o Pinheiros e voltei nesta temporada para o Cruzeiro, que quero ajudar a conquistar o título.”

O levantador Daniel, de 28 anos, é de Campina Grande, na Paraíba. A exemplo dos dois companheiros, sua história com o vôlei começou dentro de casa. Sua mãe, Célia, era técnica de vôlei. Treinava um grupo de meninas e meninos carentes, na cidade de Puxinanã.

Desde pequenos, ele e a irmã, Mari Paraíba, ponteira do Minas, acompanhavam a mãe quando ela ia dar treino. Desde cedo, dava toques na bola e logo estava jogando no time do Colégio CDI. Da escola, foi para o clube da cidade, a AABB, e de lá foi para o São Caetano, em São Paulo.

“Depois do São Caetano, fui para o Banespa, em 2004. Joguei lá duas temporadas. Era o terceiro levantador. O titular era o Vinhedo e o Joel o reserva. O time foi campeão, aqui em BH, ganhando do Minas. Fomos vice-campeões. Em 2007, vim para o Minas”, conta o levantador, que espera poder comemorar seu segundo título.

BRINCADEIRA E no grupo de jogadores cruzeirenses, quando se fala em nordestinos, surge logo uma brincadeira, feita pelo meio de rede Rogério. “Você está esquecendo de um dos nossos nordestinos. O Sánchez. Cuba fica mais ao nordeste do Nordeste brasileiro”, diz e cai na gargalhada, o que mostra que o clima entre eles é muito bom. “O que impera aqui é a amizade.”