Vôlei

Fome de tetra

Tricampeão da Superliga, líbero Serginho aposta que união e maturidade do grupo podem ser decisivos para que o Cruzeiro saia vitorioso na final do torneio, contra o Vôlei Futuro

postado em 15/04/2012 10:41

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Se existe um jogador vencedor no vôlei mineiro ele é Serginho, de 33 anos, líbero que tentará levar o time de vôlei do Cruzeiro a seu primeiro título da Superliga Masculina de Vôlei – a final será sábado, em São Bernardo do Campo, contra o Vôlei Futuro. Uma das referências da equipe estrelada, Serginho disputa sua nona final da competição. Em sua melhor fase, o líbero busca o quatro troféu brasileiro da carreira, que começou no Minas, pelo qual se sagrou tricampeão da Superliga. Além da possibilidade de mais uma conquista, ele concorre ao prêmio de melhor da posição no mundo, premiação instituída pela Federação Italiana de Vôlei. Nesta entrevista, ele fala das alegrias e decepções vividas nas quadras.

Início

“Minha carreira começou por acaso. Eu era goleiro de futsal, como meu pai. Mas resolvi mudar para o vôlei. Achei que seria um grande problema lá em casa, mas não. Tive apoio de toda a família. Comecei como levantador. Só podia ser, pois sou baixinho para o esporte (1,84m) e sentia que não teria muita chance. Então, resolvi parar. O Cebola foi me buscar por causa do surgimento do líbero. Foi aí que voltei e passei a atuar nessa posição. Comecei no Minas e em 1999 fui para a Ulbra. A proposta era melhor, mas me sentia desvalorizado no clube gaúcho. No ano seguinte, voltei para o Minas. Fiquei lá até 2009, quando vim para o Cruzeiro.”

Maior vitória

“Considero a vitória sobre o Florianópolis em 2007, pelo Minas, a maior de todas, pelas circunstâncias. O time vinha de dois vice-campeonatos e a pressão era enorme. Era a terceira final consecutiva. Tínhamos ficado em segundo na fase classificatória e fomos para cima deles, contra tudo e contra todos. Ganhamos por 3 a 0.”

Maior derrota

“A maior derrota? Todas as finais em que perdi o título. Mas me decepcionei mais com uma em especial e nunca consegui esquecê-la. Estava no Minas e jogávamos a final contra o Banespa, em 2005. Vencíamos o tie-break, mas perdemos o jogo. Dizer que não existe uma diferença de uma derrota ou outra é mentira, pois essa doeu mais. Principalmente porque foi dentro de casa, no Mineirinho.”

Mágoa


“Ser de um time de Minas Gerais, às vezes, é complicado. A gente vê e assiste a muita matéria contra as equipes do estado. Até parece, às vezes, que somos estrangeiros. Mas isso para mim é motivante. Dá vontade de ganhar de qualquer maneira sempre que vejo isso.”

Suporte

“A família é o mais importante na vida de um jogador. Pelo menos na minha. Ganhando ou perdendo, a gente está sempre junto. Nos momentos mais difíceis é a sustentação, é de quem vem o apoio.”

Futuro

“Penso em ficar no esporte não como treinador, mas como empresário. Também vou assumir os negócios do meu pai (dono de uma corretora de seguros). Está na hora de ajudá-lo. Ele precisa descansar, viajar com a minha mãe, enfim, aproveitar a vida. Ele fez o maior esforço por mim. Está na hora de retribuir isso, dar a eles mais qualidade de vida, como fizeram por mim. Estou estudando administração de empresas na Faculdade Promove. Também frequento curso de inglês. Nas férias, pretendo fazer um intercâmbio, para acelerar o aprendizado da língua.”

Duas verdades

“No Minas, quando você ganha uma final, a coisa é tratada de uma forma. Mas quando começa a dar errado, é de outra. O Marcão (técnico), por exemplo, foi demitido no meio da temporada. Não esperaram chegar ao fim da competição. E nós fomos à decisão do título.”

Seleção

“Fui convocado uma vez para a Seleção Brasileira, em 2001. Fomos prata na Copa dos Campeões. Perdemos a final para Cuba. Mas entendo que nunca tive uma chance real na Seleção. Minha carreira ficou, com isso, restrita ao vôlei de clubes. Não fiz uma carreira internacional, embora tenha um título sul-americano e outro do Torneio Internacional da Bélgica. Gostaria de ter tido essa oportunidade, para poder evoluir mais.”

Prêmio

“A indicação para o prêmio da Federação Italiana, concorrendo a melhor líbero do mundo, me deixou lisonjeado, emocionado, empolgado, feliz como nunca estive no esporte. Agora sei que sou visto lá fora. Não preciso ganhar. Se eu puder ir à festa de premiação, e eles levam os cinco mais votados para lá, já estarei realizado.”

Rival

“Estou muito feliz aqui, como se estivesse começando. O Minas tentou uma reformulação completa para a temporada, mas não deu certo e nós os eliminamos. Desde que cheguei ao Cruzeiro, nosso vantagem sobre eles é de 12 a 4.”

Preterido

“Eu saí do Minas porque sentia que não era mais uma prioridade lá. Por isso preferi mudar. Não sentia que me queriam. Saímos eu e o Ezinho. Acho que estavam no caminho errado. Aliás, isso está provado, pois o Cruzeiro está no rumo que me parece certo. Tanto que estamos na segunda final consecutiva. O Minas, por sua vez, não ganhou mais.”

Cruzeiro

“Este ano, nosso time está mais equilibrado. Quem ainda não tinha jogado uma final e sentiu o prazer de estar lá, ou sentiu o medo de decidir, aprendeu. Já viveu isso e está pronto para ganhar agora. Todo mundo cresceu muito nesta temporada. Nosso time está pronto e temos uma coisa que é essencial para que um grupo seja vitorioso: a amizade. Estamos todos no mesmo barco, jogadores, o técnico Marcelo Méndez e o pessoal da comissão técnica e do clube.”