Adilson Batista em entrevista coletiva na noite deste domingo (Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)


Demitido do Cruzeiro após a derrota por 1 a 0 para o Coimbra, pelo Campeonato Mineiro, Adilson Batista resolveu desabafar em entrevista coletiva, ainda no Independência, local da partida deste domingo. O treinador disparou para todos os lados: sobrou para os jogadores que participaram da campanha do rebaixamento à Série B, em 2019; para integrantes do Núcleo Dirigente Transitório e até para outros atores da política do clube celeste.




Leia, na íntegra, a entrevista coletiva de Adilson Batista:

Pronunciamento sobre demissão

"Gostaria de dizer a vocês que não sou mais treinador do Cruzeiro. Acabei sendo demitido pelo Carlos (Ferreira, interlocutor do futebol). Gostaria de dizer que estarei na torcida, estarei acompanhando, torcendo para que o Cruzeiro consiga seu maior objetivo do ano que é o acesso. Mas deixar bem claro que fico um pouco chateado, não só com os resultados recentes, que também tenho culpa e participação. 

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Precisamos entender o processo. No início do ano tivemos uma reformulação. Tive a coragem de pedir para que determinados jogadores saíssem, enfrentei. Alguns não tinham e eu fiz isso. Ajudei nesse processo. O clube uma bagunça dentro do vestiário. Uma desordem. Atletas tomaram conta do clube. Derrubaram Mano Menezes, Abel, Rogério Ceni e tomaram conta do clube. 

Você chega, tem que limpar. Dei treino durante alguns dias, até resolver essa situação, coisa que a gente não queria. Não tínhamos comando lá em cima. Rezo para que o clube tenha logo um presidente. Está precisando urgente de um presidente. Hoje tem oito gestores e todos querem dar palpite no futebol. Alguns têm que cuidar do marketing. Era para fazer uma campanha para 300 mil, hoje só temos 45 mil (na verdade, são 57.973 sócios). 




Enfim, aí temos 65 dias de trabalho. Treina com 15 que não era para treinar. Chegam 11 jogadores dos juniores sem as devidas condições e você tem que ter paciência no processo de formação. Eram para estar aqui Jean, chegou ontem (em 6 de março, na verdade), Ariel era para estar, Ramon treinou comigo e não está. Aí você estreia alguns contra o Tupynambás, aí o torcedor não gosta de A, B ou C, demora para chegar outros jogadores. Hoje estou pedindo mais um meia, mais um extremo, mais um outro extremo, mais um lateral. Mas hoje não adianta. Para quem vai chegar, isso vai aparecer. E vai fortalecer, vai encorpar, vai melhorar. 

Estarei na torcida. Fico triste, porque peguei todas as dificuldades que você tem no início para montar um time. 90% do elenco renovado, 80% do elenco jovem, não conseguimos repetir escalações. Nas derrotas, mais erros individuais do que coletivos. Mas fico na torcida".

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Forma como sai e episódio de quinta-feira, da quase demissão

“Fui demitido pelo Samuel (Venâncio, repórter da Itatiaia). Parece que ele deu no Twitter. Parece que deu uma barrigada. É falta de respeito. Demissão não existiu, estava trabalhando. Se sou amigo do Zezé (Perrella, ex-presidente) ou do Pedro (Lourenço, patrocinador do clube), se incomodo alguma alguma ala, não sei. Preciso entender o processo. Se a direção assume futebol pela primeira vez, faltando experiência, não sei… Tem um monte de coisas aqui”

*Nota: Assim com a Rádio Itatiaia, o Superesportes noticiou a demissão de Adilson Batista na quinta-feira. A reportagem mantém a informação de que o Conselho Gestor do Cruzeiro decidiu pela saída do treinador e voltou atrás após interferência de Pedro Lourenço. 

O Cruzeiro ainda está uma bagunça internamente? 

“Não. Converso muito com o Carlos, Ocimar e Benecy. Quando digo que precisávamos agilizar algumas coisas, Ramon e Jean era para estar aqui, como o Ariel. O Angulo chega amanhã. Não foi falado há 30 dias? Tem que entender o processo e ser rápido. Não nos dão tempo para isso”

O que você fez para resolver os problemas de vestiário?

“Disciplina, organização, responsabilidade e comprometimento. Vocês (jornalistas) que estavam aqui deveriam ter cobrado isso e não teria acontecido o rebaixamento, com atletas derrubando treinador e tomando conta de vestiário. O torcedor não teria visto todas as dificuldades que estão agora”

Como você vê o futuro do Cruzeiro e o elenco que tem sido formado?

“Vai chegar e conseguir o objetivo. Vai encorpar. Disse que, contra a Caldense, no último jogo, deveria ter todos prontos. Tenho que dar ritmo no jogo. Jean e Ariel fizeram três coletivos. Acho que suportaram bem, deram condição boa. É um processo que o torcedor inteligente precisa entender. É isso que eu vejo”

Ataques ao Conselho Gestor

"Quando digo presidente, entendo as dificuldade e o esforço do Núcleo de assumir e enfrentar. Eu entendo e valorizo isso. Agora, todo mundo quer opinar dentro do departamento de futebol. Não está lá dentro. Você não repete escalação, você tem jogos que vocês faz com sete meninos, seis meninos. Hoje tinha cinco. E as pessoas não querem saber. Não estou transferindo para os meninos, mas tem que entender o processo. Mas infelizmente não conseguem, porque o externo não quer. Quem não tem discernimento vão atrás e prejudica um todo"

Críticas aos jornalistas

"O torcedor pega no pé do João, depois do Rafael... Nos clubes que trabalhei, nunca tive influência nenhuma nas minhas decisões. Sempre respeitaram. Estou no dia a dia, exponho, abro, troco o que seria interessante. Trabalhei para que vendêssemos o Cacá, não conseguimos. Trabalhei para que vendêssemos o Maurício, não conseguimos. Fui parceiro do clube, isso é importante. Esses meninos terão futuro bonito."




Até que ponto o Cruzeiro faltou respeito com o Adilson?

“Faltaram da vez passada. Agora, o resultado não veio, estamos em quinto e não vencemos o Coimbra. Faz parte do processo. Vou continuar torcendo pelo Cruzeiro. Sei a dificuldade que eles (gestores) vivem. Eu vivenciei isso, participei. Um exemplo: a volta do Ramon teve uma economia de milhões e isso é mérito. Coisa que não estava acontecendo aqui”

Rendimento diante do Coimbra

"Se eu entrasse com o mesmo time e empatasse, teria que haver mudanças. Não adianta ser profeta do acontecido. Precisa encorpar. Lancei quatro ou cinco contra o Tupynambás e ganhamos o jogo. Hoje, o Coimbra deu um chute e fez o gol. A bola desviou. Não olho por esse lado"

Motivos da demissão

"Não vejo jogadores como responsáveis pela minha saída. Vejo dedicação, entrega, empenho, responsabilidade. Torcedor, tem gente que gosta, que não gosta. Faz parte. Agora, tem que perguntar para o Conselho Gestor, para o Carlos, porque fui comunicado por ele"