Ex-presidente Alvimar de Oliveira Costa confirma que ajudará em processo de transição de agremiação para Sociedade Anônima do Futebol (Foto: Arquivo pessoal - foto cedida ao Superesportes)



Presidente entre 2003 e 2008, Alvimar de Oliveira Costa, hoje com 60 anos, descartou voltar a ocupar cargos executivos no Cruzeiro, mas confirmou ao Superesportes que participará ativamente da transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol. O ex-dirigente disse que foi convidado pelo atual mandatário, Sérgio Santos Rodrigues, a ajudar no processo de transição de agremiação para SAF.



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"Mesmo sendo conselheiro benemérito, eu não seria inconveniente de participar de alguma coisa se não fosse convidado. O Sérgio me pediu e vou dar uma assessoria voluntária dentro daquilo que a gente conhece de gestão e de futebol. Vou participar ativamente na transformação do Cruzeiro em SAF", disse à reportagem.

Desde que se afastou da gestão do Cruzeiro, seja como presidente ou vice-presidente de futebol, Alvimar fez um compromisso com a família de não voltar a ter cargos executivos no clube. Essa promessa, segundo ele, está mantida. "Não penso mais em ter cargo no Cruzeiro. A gente nunca sabe o futuro, claro. Pode ser que no futuro eu me candidate, mas não é um projeto de vida que tenho. Hoje minha vida é cuidar dos negócios, pois sou produtor rural, e me dedicar à família, Meu negócio hoje é plantar feijão e milho (risos). E isso já me dá muito trabalho".

Aprovação no Conselho e críticas a Gilvan e Wagner


Na terça-feira, Alvimar confirmou presença na Reunião Extraordinária do Conselho Deliberativo que tentará aprovar a migração do Cruzeiro de agremiação para Sociedade Anônima do Futebol. Se o aval dos conselheiros for dado, o clube só passará a depender da sanção do Projeto de Lei 5.516/2019 pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, para se transformar em "clube-empresa".




Para o ex-presidente, esse é o único meio que o Cruzeiro terá para se reerguer das gestões de Gilvan de Pinho Tavares (2012/2017) e Wagner Pires de Sá (2018/2019), definidas por ele como "irresponsáveis".

"A SAF é a única solução do Cruzeiro do ponto financeiro e institucional. O que o clube conseguiu em 92 anos de história, com vida financeira organizada, foi destruído nas gestões do Gilvan e do Wagner, dois irresponsáveis. Eu tenho algumas ponderações sobre a lei da SAF, mas prefiro aguardar a aprovação dessa migração no Conselho do Cruzeiro para opinar. Não adianta falar se não for aprovado. Mas vai ser, até porque é a única saída do clube", opinou.

Além de ser ferrenho crítico de Wagner e do ex-vice-presidente de futebol Itair Machado, pela gestão temerária no clube entre 2018 e 2019, que elevou as dívidas a quase R$ 1 bilhão, Alvimar de Oliveira Costa atribuiu a Gilvan boa parte da culpa que momento de penúria da instituição.




"Na vida pessoal, nenhum cidadão faria o que o Gilvan fez institucionalmente com o Cruzeiro. Atrasar pagamentos a jogadores gera ações trabalhistas. Atrasar pagamentos a clubes gera ações na Fifa. Ele fez as duas coisas. Foi campeão, mas tornou o Cruzeiro inviável. E o senhor Wagner só acabou de fazer o serviço. Parece que foi ali com a intenção de arruinar o clube, que já estava em situação crítica".

O ex-presidente emendou: "A incompetência é uma questão mais subjetiva. No caso dos dois presidentes, Gilvan e Wagner, a irresponsabilidade foi algo marcante, inegável. O Gilvan deu três títulos ao clube, mas arrebentou o Cruzeiro. Não pagou ninguém. O Wagner fez o que fez. O Cruzeiro de hoje é reflexo das gestões desastradas dos dois e olha que o Gilvan teve participação até maior, sem querer aliviar para o Wagner, pois a dívida cresceu muito na gestão dele", disse.

Alvimar de Oliveira Costa ainda fez um mea-culpa ao lembrar que apoiou Gilvan nas eleições que o elegeram, em 2011 e 2014. Pinho Tavares havia trabalhado vários anos na área jurídica do clube nas gestões dele e do irmão, Zezé Perrella (1995-2002). "Assumo que apoiei o Gilvan, mas não imaginei que seria tão irresponsável na gestão. Teve condição de pagar as dívidas com muitas vendas, mas não pagou e ainda fez negócios que só comprometeram as finanças".




Futuro do clube e palpite na Série B


Embora reconheça o cenário "caótico" do Cruzeiro, Alvimar aposta que o clube se reerguerá nos próximos anos. Segundo ele, tradição, camisa e torcida são garantias dessa 'imortalidade'. "Vejam que a Portuguesa está aí disputando a Série D e as divisões inferiores do Paulista. E tem uma situação bem pior que a nossa. O Cruzeiro é muito grande, tem uma torcida enorme e essa saída, com a SAF. Dias melhores virão. Se tem um alento, é o que digo ao torcedor. Não é uma solução imediata, toda mudança desse porte requer tempo. Mas é o único caminho".

Já pelo conhecimento que tem de futebol, o ex-presidente considera improvável uma reviravolta nesta edição da Série B que culmine com o acesso. "Subir para Série A este ano? Não. Pela precariedade do time, pelos salários atrasados, acho que se a gente ficar entre os seis, os oito, está bom demais. Não sou daqueles que falo em queda para a Série C, apesar de estarmos lá embaixo agora. Mas acho que vai reagir para ficar numa posição próxima do G4. Eu não acredito em acesso".

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