Hora de alerta geral

Para chegar ao segundo título, o Cruzeiro precisa mostrar maior regularidade. Para evitar o rebaixamento, o Atlético deve mirar-se nos exemplos do Grêmio e do Guarani

postado em 26/07/2005 03:00 / atualizado em 22/04/2010 10:17

Um terço do Campeonato Brasileiro já foi disputado e, levando-se em conta as últimas duas edições, também por pontos corridos, ficam algumas lições, que servem de incentivo e alerta. Entre elas, a de que o campeão já começa a se desenhar antes de a competição chegar à metade. Foi assim com o Cruzeiro, em 2003, e o Santos, no ano passado. No comparativo em relação ao descenso, no entanto, não há regra. Equipes que não rondavam a zona de rebaixamento na 14ª rodada, nas edições anteriores, acabaram caindo para a Série B, casos de Bahia (2003), Criciúma e Vitória (2004). Ocupar as últimas posições, no entanto, ainda que no início do campeonato, não deixa de ser mau sinal, uma vez que, entre os rebaixados, estavam times de campanhas irregulares, que adiaram a reabilitação e pagaram caro demais. Fica o aviso: se o Cruzeiro tem ambições de chegar ao segundo título, que tenha maior regularidade daqui para a frente. Já para o Galo, o sinal vermelho está aceso, com os exemplos do Grêmio, que ensaiou a queda em 2003 e sofreu com o descenso em 2004, e do Guarani, que já estava na zona de rebaixamento na 14ª rodada do último campeonato e não se recuperou. Reviravoltas ocorrem, mas não servem de modelo para desdenhar o fantasma da queda. Em 2003, o Goiás ocupava a lanterna, na 14º rodada. O treinador Cuca deixou o Paraná e assumiu o comando da equipe do Centro-Oeste, que venceu 16 partidas e terminou em oitavo lugar, garantindo até vaga na Copa Sul-Americana. A Ponte Preta, líder do atual Brasileiro, estava na zona de rebaixamento, no mesmo ano, beirou o descenso durante o restante da competição, mas escapou. Caíram os nordestinos Fortaleza, que já estava nas últimas posições (22º), e Bahia, que surpreendia na 14ª rodada, com um 11º lugar, porém não sustentou a boa campanha. Já as primeiras posições pouco se alteraram até o restante do campeonato. O Cruzeiro já era líder, com dois pontos a mais que o Internacional, segundo colocado. E assim se manteria praticamente até o fim, só perdendo a ponta, para o Santos, por uma fugaz rodada. Recuperou a posição imediatamente e partiu para o inédito título. O Colorado caiu para sexto, com o Santos, que era quarto, terminando vice-campeão. O São Paulo segurou a terceira posição e o São Caetano, que era sexto, subiu para quarto, dirigido por Tite. A campanha mais surpreendente foi a do Coritiba, que permaneceu em quinto e conquistou vaga na Libertadores. O Galo era sétimo e terminou no mesmo lugar, em sua melhor participação desde que o Brasileiro mudou de formato. No ano passado, o único time que estava entre os primeiros, na 14ª rodada, e não se manteve, foi o Figueirense, que terminaria em 11º. O vice-campeão, Atlético-PR, era oitavo e brigaria pelo título até as últimas rodadas. O São Paulo repetiu a boa campanha do ano anterior e, novamente, ficou em terceiro. A ascensão santista, que culminaria no título, já começava e, na 14ª rodada, era o time com mais vitórias, embora em terceiro lugar. O grupo dos rebaixados já tinha o Guarani, que não escapou, mas os outros três conseguiram se reerguer: Flamengo, Paysandu e Botafogo. Desceram Vitória, que era 11º; Criciúma (14º); e Grêmio (20º).