SELEÇÃO BRASILEIRA

Tentando esquecer o histórico 7 a 1, Seleção encerra 'ano interminável' contra a Áustria

Brasil entra em campo nesta terça-feira para o seu último amistoso de 2014

postado em 18/11/2014 08:59

AFP PHOTO /JOE KLAMAR

O Brasil entra em campo nesta terça-feira para o seu último amistoso de 2014, ano que vai terminar permeado por fortes emoções, grandes esperanças e o maior vexame de todos os tempos da Seleção. Se o resultado na Copa do Mundo jamais será apagado, o time que enfrenta a Áustria, no estádio Ernst-Happel, em Viena a partir das 16 horas (de Brasília), atravessa atualmente um processo de reconstrução interna em sua longa busca para voltar a ter respeito internacional.

Mas o grupo já descobriu que só somar vitórias em amistosos não cicatrizará as feridas. “Ainda tentamos sair do inferno. Voltamos ao purgatório", disse José Maria Marin, presidente da CBF, em uma referência à frase que disse antes da Copa do Mundo alertando que, no caso de uma derrota, todos iriam ao inferno.

Neste clima, o técnico Dunga deixa claro que só um resultado interessa contra os austríacos: a vitória. A estratégia é vencer todas as partidas que disputar para voltar a dar confiança aos jogadores, reconquistar a torcida e até a credibilidade de patrocinadores.

Sob o comando do treinador, foram cinco jogos, cinco vitórias, 12 gols marcados e nenhum sofrido. Para garantir 100% de aproveitamento, o time que entra em campo é o mesmo da goleada por 4 a 0 sobre a Turquia, na semana passada. “Quanto mais confiança um jogador tem, mais ele vai render", justificou o treinador.

Marin também defende uma “renovação paulatina", para não queimar os mais jovens.

O trabalho de reconstrução do time passa por um novo comportamento dentro de campo e no vestiário. Nos últimos dias, em Viena, Dunga promoveu uma reviravolta no ritmo dos treinos, o que chegou a deixar os mais experientes sem fôlego. Adotou um sistema de treinos acelerados, com inovações: o uso de mais de dois goleiros, configurações variadas de campo e sempre com a meta de conseguir um time compacto, rápido e em que todos marquem.

“Esse é o futebol moderno", afirmou. “Temos de treinar como se fosse um jogo, no mesmo ritmo e pressão". Ele diz que a vontade dos jogadores de superar a mancha da Copa é tão grande que é obrigado a retirá-los do campo de treinamento. Outra marca dessa nova fase é a decisão de Dunga de alertar a todos que não existe vaga garantida. “As opções são muitas".

CICATRIZES

Apesar das vitórias e do discurso dos jogadores de que o grupo é unido, Dunga internamente enfrenta sérios desafios como o protagonizado por Thiago Silva. O ex-capitão atacou a falta de diálogo com ele após perder a braçadeira e o lugar no time. Também mandou alertas de que a renovação não pode significar um abandono dos “mais experientes".

Dunga respondeu e deixou claro que quer respeito pela hierarquia. Ou seja, não é o jogador que se convoca. “Estamos fazendo uma renovação".

No contexto internacional, a Seleção tem um longo percurso para recuperar a credibilidade. Os 7 a 1 sofridos no jogo contra a Alemanha ainda são parte de qualquer conversa sobre futebol e os jogadores sabem disso. “Não fizemos nada ainda", admitiu o lateral-esquerdo Filipe Luis. “Temos de ter os pés no chão", confirmou o zagueiro David Luiz.

 

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