COLUNA DO JAECI

Chance de ver o cara

'Vamos ao jogo. Ver Messi em campo, ao vivo e em cores, não é todo dia'

postado em 21/06/2014 10:15 / atualizado em 21/06/2014 10:30

Jaeci Carvalho /Estado de Minas

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Vi Lionel Messi jogar in loco umas quatro vezes, pela Liga dos Campeões da Europa. Estive com ele apenas uma vez, juntamente com o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell. Ele foi amável e simpático. Ainda o considero o melhor do mundo, embora o português Cristiano Ronaldo tenha sido eleito no ano passado. Mas eleição da Fifa, como água de salsicha, não serve para nada. Essa nova formação de cabeças de chave do Mundial, por exemplo, é ridícula, pois se baseia num ranking sem o menor sentido. Quando tínhamos os campeões como cabeças de chave, a história era outra. Não quero, porém, falar de dona Fifa, que manda no país atualmente, e sim do privilégio que os belo-horizontinos terão de ver hoje o craque argentino no Mineirão. O adversário, Irã, não importa. Além de Messi, veremos um belo time, para mim um dos finalistas.

Tenho amizade com o técnico do Irã, o português Carlos Queiroz, a quem abracei ontem e disse o quanto gostaria de vê-lo avançar neste Mundial. O time dele não é bobo, mas será bem difícil protagonizar uma surpresa. Quando voltava de Dubai, em outubro, encontrei o treinador no avião. Batemos longo papo, ele, eu e o preparador físico da Seleção Brasileira, Paulo Paixão. O português está se tornando um novo Bora Milutinovic, ao dirigir seleções diferentes em Copas. Quem sabe o Brasil não lhe dá uma chance um dia? Técnico moderno, conhece o futebol como poucos, depois de ter sido assistente de Alex Ferguson no Manchester United e treinador do Real Madrid. Polido e educado, é um cara excepcional. Com ele, o time brasileiro ganharia outra cara e forma.

Voltando ao jogo desta tarde, Messi deve estar com sede de gols e de belas jogadas. Considerado por alguns um fracasso até aqui na Seleção Argentina, sabe que terá a última chance de mostrar ao mundo que não é apenas jogador de clube. Contra a Bósnia, esteve tímido, como todo o time, mal escalado por Sabella. No segundo tempo, porém, com a entrada de Higuaín e Gago e a troca de esquema, do 3-5-2 para o 4-3-3, a equipe cresceu sensivelmente e venceu bem. O camisa 10 se soltou e apareceu. E já deu a ordem, obedecida pelo treinador: o time será novamente ofensivo hoje, diante de adversário sem tradição.

Irei ao Mineirão para ver nova exibição de Messi e sugiro que os belo-horizontinos levem máquinas fotográficas e celulares. Registrar o momento histórico será de muita valia. Vejam o que é o destino: o “cozinheiro” Alex Atala “jogou” para cá seleções teoricamente ruins, mas não é que BH está na moda, recebendo Argentina, Chile e Uruguai nos CTs de Galo, Raposa e na aconchegante Sete Lagoas, além de jogos com o estádio lotado, como o show da Colômbia na Grécia e o de hoje? Acho que o Homem lá de cima olhou o esforço que fizemos para deixar um legado para a população da cidade e resolveu que estaríamos na vitrine. Vamos ao jogo. Ver Messi em campo, ao vivo e em cores, não é todo dia. Sorte a ele e ao amigo Queirós.

Enquanto isso, a Seleção Brasileira, que teve um dia de folga, mas não treinou em campo no dia da reapresentação, devido ao mau tempo em Teresópolis, vai juntando seus pedaços para vencer Camarões e iludir a torcida. Não tenho dúvidas de que ganharemos, e bem, mas essa vitória poderá custar caro nas oitavas. Felipão, radical, não deverá mudar o time. Sabe que as chances de golear são grandes e, na cabeça dele, poderá recuperar o futebol de Fred, Paulinho, Daniel Alves, Hulk e outros absurdos. O destino já está traçado. Não por jogadores de búzios, cartomantes ou futurólogos, mas por termos equipe fraca, com futebol de quinta categoria. Não iremos longe, mas a classificação, pela fragilidade do grupo, está garantida.

Deveremos pegar Chile ou Holanda em BH. Pela história e o respeito dos chilenos por nós, se os enfrentarmos avançaremos. Se forem os holandeses, temo até uma goleada histórica com humilhação jamais vista.

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