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À espera de polícia e MP, Cruzeiro quer 'materialidade' para buscar 'dinheiro perdido' em antiga gestão

Presidente comentou como andam investigações conta administração Wagner

Bruno Furtado Paulo Galvão Rafael Arruda Tiago Mattar
Sérgio Santos Rodrigues aguarda resultados de investigação - Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press
Presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues garante não ter esquecido das suspeitas de irregularidades envolvendo a diretoria de Wagner Pires de Sá, ex-mandatário que renunciou ao cargo em dezembro de 2019. A nova gestão do clube aguarda os trabalhos de investigação da Polícia Civil e do Ministério Público para buscar meios de recuperar o “dinheiro perdido” entre 2018 e 2019.



Em entrevista ao Superesportes, Sérgio, que é advogado, explicou que precisa da materialidade das provas, no caso, para avançar nas medidas que podem ser tomadas pelo Cruzeiro. Inicialmente, ele contratou um escritório de advocacia para representar a Raposa nas questões criminais.

“Nomeamos o escritório criminal do Doutor Ariosvaldo Campos Pires, que foi um dos maiores criminalistas do país. O Fred Pires (filho de Ariosvaldo), que é um grande cruzeirense, veio integrar o time para juntarmos procuração nesses inquéritos. Pediu acompanhamentos e reuniões, buscando da forma mais efetiva possível”, disse.

“Está sempre no final (a investigação). A gente ouve falar que ‘já, já sai alguma coisa’. Foge do nosso controle. Infelizmente ainda estamos reféns do sistema, e acredito que a pandemia piorou muito. Mas tal como o torcedor, espero que seja feito o quanto antes. Acredito que tenham dados de transferência de dinheiro, quebra de sigilo, Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) , essas coisas. Precisamos dessa materialidade para buscar o dinheiro perdido. Queremos não apenas a punição criminal, mas também a recuperação do dinheiro que supostamente foi desviado ou gasto de forma irregular”, complementou.



Superintendente de relações institucionais e governamentais do Cruzeiro, o deputado estadual Leo Portela se reuniu recentemente com os delegados que cuidam das investigações. Nessa quarta-feira, ele afirmou que Sérgio Rodrigues anunciará, na live desta quinta, as medidas que serão tomadas pelo clube celeste na área cível. “O pau vai torar, estamos na cola deles”, escreveu o parlamentar.

Ex-dirigentes do Cruzeiro - entre eles o próprio Wagner Pires de Sá, o ex-vice de futebol Itair Machado e o ex-diretor-geral Sérgio Nonato - são investigados por suposta participação em cinco crimes:  falsificação de documentos, falsidade ideológica, apropriação indébita, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, "o marco das investigações é a gestão iniciada em outubro de 2017". Logo, a administração do ex-presidente Wagner Pires de Sá está sendo objeto de análise.



Em maio, o Cruzeiro entregou um relatório com mais de 600 páginas ao Ministério Público. Trata-se de todo o trabalho desenvolvido pela Kroll, especializada em gestão de risco, investigações corporativas, compliance e cibersegurança. A empresa citou uma série de irregularidades.

No último ano da gestão de Wagner Pires de Sá, o Cruzeiro apresentou um déficit recorde de R$ 394.100.974 em 12 meses, conforme levantamento realizado pela Moore Stephens Consulting News Auditores Independentes. Segundo os auditores, há 'incerteza significativa' quanto à 'capacidade de continuidade operacional do clube' celeste.

A entrevista

Sérgio Santos Rodrigues concedeu entrevista exclusiva ao Superesportes/Estado de Minas. Na conversa, presidente do Cruzeiro falou sobre finanças, contratações, patrocínios, entre outros temas relacionados ao início de sua gestão. Veja o que já publicamos: