Uma das principais atrações do UFC: Glover vs Bader, em 4 de setembro, no Mineirinho, Ronaldo Jacaré disputará a segunda luta pelo Ultimate Fighting Championship com o apoio dos fãs brasileiros. Será a oportunidade para o capixaba, que tem no jiu-jítsu a principal arma, conquistar mais espaço na categoria peso-médio. Para isso, no entanto, ele terá que passar por cima do japonês Yushin Okami, ex-desafiante do então campeão da divisão, Anderson Silva. O duelo será o segundo mais importante do card em BH.
Em entrevista exclusiva ao SUPERESPORTES, Ronaldo Jacaré, atual número cinco da categoria, fala com respeito sobre o oponente, terceiro melhor classificado entre os médios. Mas prometeu não decepcionar os fãs que estarão no Mineirinho, para subir degraus na divisão e se firmar como potencial candidato a uma futura disputa de cinturão. Oito vezes campeão mundial de jiu-jítsu, o capixaba espera repetir no UFC o sucesso no extinto Strikeforce, no qual conquistou o título dos médios.
SUPERESPORTES - Você vai disputar a segunda luta consecutiva no Brasil pelo UFC. Depois da boa vitória em Jaraguá do Sul-SC (bateu Chris Camozzi por finalização), se sente mais confiante para o duelo contra Okami em BH?
Ronaldo Jacaré - A minha confiança só tem aumentado. Não só pelo fato de eu ter me apresentado bem na minha estréia no UFC, mas pelo fato de eu estar treinando e evoluindo. Estou numa condição física excelente e tenho certeza que isso vai refletir positivamente dentro do octógono do UFC, mais uma vez.
SUPERESPORTES - O duelo no Mineirinho será entre os números três (Yushin Okami) e cinco (você) do ranking do peso-médio do UFC? Você considera que o vencedor ficará mais perto de disputar o cinturão? Ou mesmo que isso não aconteça de imediato, deixará o ganhador mais em evidência na divisão?
Ronaldo Jacaré - A probabilidade de o vencedor ficar em evidência no ranking é notória, até pelo fato de serem dois atletas bem no ranking, e isso vai dar uma visibilidade maior para o campeão. Quanto à disputa do cinturão, acredito que vai demorar mais para eu disputar, porque haverá a disputa em breve (revanche do Anderson Silva), e o próximo a tentar o cinturão, depois dessa disputa, será o Vitor Belford, o Dana White já disse isso.
SUPERESPORTES – Como você vê a categoria peso-médio atualmente, com um novo campeão, Chris Weidman? Acha que haverá uma rotatividade com o cinturão, ou Anderson Silva vai recuperá-lo na revanche e se firmar novamente como campeão?
Ronaldo Jacaré - A probabilidade de o Anderson Silva se firmar como campeão é grande. Mas a gente não pode esquecer que o jogo do Chris Weidman é um jogo que complica o modo de lutar do Anderson. Acho que isso pode complicar um pouco para o brasileiro. De qualquer forma, acredito numa vitória do Anderson, por nocaute.
SUPERESPORTES - Você ganhou a maioria das lutas na carreira profissional (11) por finalização. O jogo de chão será a grande arma para encarar Yushin Okami em BH? Ou os fãs mineiros poderão ver alguma surpresa?
Ronaldo Jacaré - Estou em uma constante evolução e vou sempre ter alguma surpresa boa para os meus adversários e fãs. Meu jiu-jítsu se mantém afiado e eu continuo melhorando como lutador de MMA. Eles (adversários e fãs) podem apostar que serei um atleta que lutarei em todas as áreas.
SUPERESPORTES – Você conquistou o cinturão dos médios do Strikeforce e chegou ao UFC como candidato a disputar o título, em um futuro breve. Como você encara os elogios? Prefere se manter focado nos adversários, ou realmente já pensa em uma eventual chance de ‘title shot’?
Ronaldo Jacaré - Eu prefiro, com certeza, me manter focado, e abraçar as oportunidades que o evento (UFC) me dá. Encaro os elogios de forma bem natural, mas procuro abstrair a crítica positiva ao meu trabalho, porque o elogio passa. Eu preciso deixar a vaidade de lado, absorver os elogios e me concentrar na evolução da minha luta.
SUPERESPORTES – Você é um lutador de origem humilde, com uma história de vida que emociona, como a de vários colegas de profissão que também passaram por dificuldades. De que forma você aproveitou isso para a carreira profissional? Como é a realidade de um atleta de MMA no Brasil, com a crescente exposição na mídia? Mudou alguma coisa ou ainda há dificuldades?
Ronaldo Jacaré - A luta é superação. Às vezes, o lutador treina e supera seus limites. Eu já estava acostumado a me superar diante das dificuldades da vida. E levei isso para luta. Quanto à realidade de um atleta de MMA, digo que não é fácil pelo fato de estar muito exposto, e muitas vezes não ser bem remunerado. Falo em relação ao que acompanho dos novos talentos que lutam no Brasil. Acho que eles (organizadores de eventos) deveriam valorizar um pouco mais nossos atletas que sofrem tanto para lutar. O cenário pra mim mudou, mas eu tive que sofrer muito para chegar ao ponto que estou hoje. Estou feliz com o que eu ganho.
SUPERESPORTES – Como você analisa o jiu-jítsu no cenário atual do MMA? O estilo brasileiro ainda é muito respeitado pelos praticantes. Ainda é um diferencial para as lutas? Ou é preciso ter equilíbrio com as outras modalidades?
Ronaldo Jacaré - Eu vejo o jiu-jitsu como uma arte indispensável para um lutador em evento de MMA. Quem não sabe jiu-jitsu, não sabe lutar MMA. O jiu-jitsu é a principal arte para lutar MMA. Se o lutador não souber jiu-jítsu, ele não consegue lutar MMA, isso já foi provado com o Royce Gracie. Um bom exemplo disso é que todos os campeões do UFC são bons de jiu-jítsu. Mas, sem dúvida, é preciso ter um equilíbrio com as outras lutas.
SUPERESPORTES – Como será o reencontro com os fãs brasileiros em BH? Você prefere lutar no Brasil ou retornar aos EUA?
Ronaldo Jacaré - O reencontro com a torcida brasileira certamente será grandioso, vou fazer eles vibrarem com a palma do Jacaré, minha marca registrada. Sempre prefiro lutar onde a minha torcida está, no Brasil, é claro. Por outro lado, curto também o desafio de lutar fora do meu país, buscar novos desafios com a torcida contra.
SUPERESPORTES – Okami já foi desafiante pelo cinturão dos médios e, mesmo com algumas fases irregulares na carreira, é muito respeitado pelos oponentes. O que esperar do duelo no Mineirinho? Enfrentar japoneses, que têm muita garra e procuram equilibrar bem as modalidades, representará uma dificuldade a mais?
Ronaldo Jacaré - O público pode esperar uma luta muito completa, em todos os andares. Com certeza enfrentar um japonês é bem difícil. O Okami é um lutador que pode surpreender, ele pode lutar em pé, de repente buscar o clinch. Daqui a pouco, está lutando no chão. Isso complica o jogo do oponente. Eu tenho que pensar muito para enfrentar um lutador com o estilo dele. É diferente de lutar com um atleta que só tem uma arte, eu sei o jeito que ele vai se comportar. Reforço que quando o lutador sabe lutar em todas as áreas, ele pode complicar qualquer oponente.
SUPERESPORTES - Como é o Ronaldo Jacaré fora do octógono? Procura se desligar dos duelos, ou é difícil separar a vida profissional?
Ronaldo Jacaré - Quando está próximo da luta, fica difícil me desligar dos duelos, porque estou sempre dando entrevista ou fazendo algo relacionado ao evento. Por exemplo, agora de manhã, estou respondendo suas perguntas, mas estou aqui com os meus moleques (risos). Os dois estão na minha frente. Agora, quando está longe da luta, eu me desligo fácil. O telefone praticamente não toca, procuro viajar também com a família.
SUPERESPORTES – Você tem um apelido curioso e é muito carismático. Como lida com os fãs?
Ronaldo Jacaré - Eu me relaciono muito bem com os fãs. O assédio das pessoas mostra que o meu trabalho está sendo bem reconhecido, é preciso ter um carinho muito especial com os fãs.
SUPERESPORTES - Fale um pouco mais sobre o seu apelido, que para muita gente provoca curiosidade....
Ronaldo Jacaré - O apelido surgiu quando comecei a treinar em Manaus, porque o símbolo da academia era um Jacaré. Como eu estava o tempo todo na academia, pois morava lá, alunos e funcionários passaram a me chamar de Jacaré. O apelido se consolidou, com o tempo, diante da minha pegada forte no jiu-jítsu, porque quando agarrava o quimono do oponente eu não largava, como um Jacaré que morde e não solta mais.