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Sobrevivente de incêndio critica Flamengo por dispensa por telefone

Felipe Cardoso foi um dos atletas com vínculo encerrado com clube; Vasco chegou a oferecer período de teste a jogadores dispensados

postado em 22/01/2020 10:23 / atualizado em 22/01/2020 10:27

(Foto: Reprodução/Instagram)


Sobrevivente do incêndio que vitimou 10 garotos da base do Flamengo alojados em contêineres no Centro de Treinamento do Ninho do Urubu
, em fevereiro de 2019, o meia Felipe Cardoso fez um longo desabafo em suas redes sociais após ser dispensado do clube por telefone. Ele relembrou os colegas mortos e criticou a postura do clube carioca: "Após refletir muito, cheguei à conclusão que somos apenas números para muitos".

"Aprendi mais uma dura lição da vida em busca deste sonho (de ser jogador de futebol) ao ser liberado pelo Flamengo, no dia 13/01/2020 por telefone, não entendi e chorei, gritei, culpei tudo e todos, não quis falar com ninguém por um período, a dor foi gigante em meu peito", diz trecho do texto postado por Felipe Cardoso.

"Após refletir muito, cheguei à conclusão que somos apenas números para muitos. Ninguém enxerga que somos jovens/adolescentes buscando uma vida melhor para nossas famílias dia a dia longe de casa, cada um com seus problemas e dificuldades pensando se nossos irmãos tem o que comer, se nossas mães estão bem, se nossos pais continuam firmes e fortes no trabalho em busca do sustento da casa, se nossos amigos sentem nossa falta e se torcem por nós", afirma o jovem atleta.

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Gostaria de iniciar agradecendo a Deus por minha vida!!! Começo falando de SONHOS e sua dura busca em alcançá-los. Desde os meus primeiros passos iniciei minha trajetória de ir atrás de um que deve ser o maior sonho de 10 entre 10 meninos no Brasil, ser jogador de futebol, cheguei ao Santos Futebol Clube aos 9 anos de idade e lá fiquei até início de 2019, aprendi muito e sempre serei grato por tudo e todos que lá estavam e me ajudaram. Em 04/02/2019 cheguei ao Clube de Regatas Flamengo, continuava vivendo um sonho e buscando o que muitos ou milhares como eu vivem dia a dia, não é fácil deixar família, amigos, seu lar, seu conforto mesmo que seja pouco, para seguir firme e forte em busca do tão sonhado desejo de se tornar jogador de futebol. Porém no dia 08/02/2019 está busca acabou para alguns que estavam ao meu lado %uD83D%uDE22 graças ao bom Deus eu e alguns colegas conseguimos nos salvar, me pergunto todo dia o porque daquela tragédia, rezo, choro e oro para os que não conseguiram se salvar pedindo que estejam bem ao lado de Deus, onde imagino que sonhos são mais fáceis de ser realizados. Penso em seus familiares, pai, mãe, irmãos, amigos que não terão mais abraços, ligações, contato e continuaram por toda vida pensando como seria se eles ainda estivessem aqui correndo atrás do que naquele terrível dia estávamos. Volto a agradecer a Deus pela minha vida e as demais que aqui ainda estão podendo continuar seguindo o nosso maior objetivo! Aprendi mais uma dura lição da vida em busca deste sonho ao ser liberado pelo Flamengo, no dia 13/01/2020 por telefone, não entendi e chorei, gritei, culpei tudo e todos, não quis falar com ninguém por um período, a dor foi gigante em meu peito. Conversei muito com Deus e enxerguei que teria que seguir não só por mim mas por todos que se foram naquela tragédia, meus eternos irmãos Athila, Arthur, Bernardo, Christian, Gedson, Jorge, Pablo, Rykelmo, Samuel, Vitor, nossos familiares e amigos %uD83D%uDE22. Algumas portas foram se abrindo graças a Deus, mas a dor e busca em entender tudo que está acontecendo na minha vida em menos de um ano continua maior. Após refletir muito cheguei a conclusão que somos apenas números para muitos.(continua)...

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Além de Felipe, de 16 anos, Wendel Alves, João Vitor Gasparin Torrezan, Naydjel Callebe e Caike Duarte Pereira da Silva também não tiveram seus vínculos renovados com o rubro-negro. O Vasco ofereceu aos garotos, entre 14 e 16 anos, um período de testes para que eles sejam avaliados e, possivelmente, contratados. Os atletas ainda não se manifestaram sobre o convite.

Briga na justiça


Em dezembro de 2019, O Flamengo foi condenado a pagar pensão mensal no valor de R$ 10 mil a cada uma das famílias dos dez jovens mortos no incêndio, em Vargem Grande, zona oeste do Rio de Janeiro. A decisão, em caráter liminar, atende a um pedido da Defensoria Pública e do Ministério Público do Estado do Rio, em processo em curso na 1ª Vara Cível da Barra da Tijuca.

Além dos familiares dos jovens falecidos - Arthur Vinícius, Bernardo Pisetta, Pablo Henrique, Vitor Isaías, Gedson Santos, Áthila Paixão, Christian Esmério, Rykelmo Viana, Jorge Eduardo dos Santos e Samuel Thomas - o Flamengo teve que incluir na sua folha de pagamento outros três atletas feridos no acidente.

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