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ATLÉTICO

Time histórico modificado, ausência do 'Rei' e goleada um mês após 'tragédia': relembre o único Atlético x Botafogo-PB

Equipes, que se enfrentam pela Copa do Brasil, duelaram em 1978

João Vitor Marques
A base do time de 1977. Da esquerda para a direita: Joao Leite, Marcio, Modesto, Toninho Cerezo, Alves e Vantuir. Agachados: Serginho, Danival, Reinaldo, paulo Isidoro e Ziza - Foto: Arquivo Estado de minas

De um lado, um time de tradição nacional. Do outro, um grande do estado da Paraíba. E, apesar do histórico de participações dos dois clubes nas mesmas competições, Atlético e Botafogo-PB - rivais na segunda fase da Copa do Brasil - só se enfrentaram uma vez. O duelo ocorreu há quase 40 anos, em 6 de abril de 1978.

O resultado? Vitória dos mineiros por 3 a 0, em partida válida pela quarta rodada da primeira fase do Campeonato Brasileiro. Danival, Paulo Isidoro e Marcelo Oliveira marcaram os gols.

O jogo, disputado no mesmo Almeidão que receberá as equipes nesta quarta-feira, conta com vários detalhes interessantes da história do Atlético. Relembre:

Ressaca da ‘tragédia’

Final do Campeonato Brasileiro de 1977, entre Atlético e São Paulo, foi decidido nos pênaltis - Foto: Arquivo Estado de Minas

Para muitos torcedores, o time da segunda metade da década de 1970 foi o melhor da história alvinegra. O Atlético fez uma campanha quase impecável no Campeonato Brasileiro de 1977.

Na primeira fase, liderou o grupo com folga. Na segunda, avançou com vitórias convincentes.
Chegou, então, o mata-mata. A semifinal foi contra o Londrina. A partida de ida terminou com triunfo alvinegro por 4 a 2, no antigo Mineirão. O empate por 2 a 2 no jogo de volta garantiu o Atlético na grande decisão.

O time mineiro chegou à final com uma campanha histórica. Em 20 jogos, nenhuma derrota e impressionantes dez pontos a mais que o São Paulo, rival na decisão. A campanha superior, entretanto, não garantia a vantagem do empate ao Atlético. 

A possibilidade de atuar no Mineirão lotado, entretanto, animava os comandados de Barbatana. O problema é que Reinaldo, o artilheiro daquela competição com impressionantes 28 gols, não atuou na decisão. O ‘Rei’ cumpria suspensão por ter sido expulso rodadas atrás, assim como o são-paulino Serginho.

O Atlético até terminou o Brasileirão invicto. O empate por 0 a 0 em Belo Horizonte levou a decisão para os pênaltis. Os jogadores alvinegros finalizaram para fora três vezes e não conseguiram o bicampeonato.

Aquele time que foi derrotado pelo São Paulo teve a base mantida para o Brasileirão de 1978 - ano em que a final da edição de 1977 foi disputada. O jogo contra o Botafogo-PB, entretanto, mostrou uma equipe atleticana com muitas modificações, ainda que a partida na Paraíba tenha acontecido apenas um mês depois da decisão, realizada em 5 de março.

Time dos sonhos modificado

Pouco tempo separou a final contra o São Paulo da vitória do Atlético por 3 a 0 sobre o Botafogo-PB. Apesar disso, muitas mudanças foram feitas pelo técnico Barbatana. Apenas seis jogadores atuaram nos dois jogos: João Leite, Vantuir, Marcelo Oliveira, Paulo Isidoro, Serginho e Ziza.

A equipe que disputou a final foi formada por João Leite; Alves, Márcio, Vantuir e Valdemir; Toninho Cerezo, Ângelo e Marcelo Oliveira (Paulo Isidoro); Serginho, Caio Cambalhota (Joãozinho Paulista) e Ziza.

O time do duelo contra o Botafogo-PB, por sua vez, teve João Leite, Heleno, Zé Preta, Vantuir e Romero; Hilton Brunis, Danival e Marcelo Oliveira; Serginho (Marinho), Paulo Isidoro e Ziza.

E Reinaldo?

Assim como ocorreu na decisão do Brasileiro, um dos grandes ídolos da história do Atlético não atuou contra o Botafogo.
Durante o ano de 1978, Reinaldo convivia com as recorrentes dores nos joelhos. O centroavante passou por seguidas cirurgias, responsáveis por encurtar a carreira do craque.

“Comecei a voltar a ter problemas no joelho. A radioterapia (tratamento utilizado anteriormente) não fazia mais tanto efeito e eu não podia me expor tanto, por ser um tratamento cancerígeno. Tratava apenas com remédios e enfaixando o joelho. Passei a treinar sempre de calça de agasalho para que ninguém visse o inchaço no meu joelho”, disse Reinaldo em entrevista ao filho Philipe Van R. Lima, que escreveu a biografia ‘Punho Cerrado: a história do rei’.

Apesar disso, não foram os problemas físicos que impediram Reinaldo de jogar contra o Botafogo-PB. O centroavante, na verdade, defendia a Seleção Brasileira do técnico Cláudio Coutinho.

Em 5 de abril - um dia antes da partida do Atlético -, Reinaldo foi titular contra a Alemanha Ocidental ao lado de Toninho Cerezo, que também desfalcou o time alvinegro. O Brasil venceu o amistoso por 1 a 0, com gol de Nunes.

Duelo atual

Thiago Larghi será o responsável por comandar o Atlético nesta quarta, contra o Botafogo-PB - Foto: Bruno Cantini/Atlético

Quase 40 anos se passaram. Agora, o Atlético reencontra o Botafogo-PB numa situação bem diferente. A equipe mineira tenta confirmar a recuperação iniciada com a vitória por 3 a 0 sobre o América, pelo Campeonato Mineiro.

Para isso, Atlético precisa seguir na Copa do Brasil.
A classificação pode ser conquistada em dois cenários: vitória no tempo regulamentar ou nos pênaltis, após eventual empate nos 90 minutos.

A delegação do Atlético está em João Pessoa, onde encerra, nesta terça-feira, a preparação para a partida da segunda fase, com um treino no Almeidão. O jogo está marcado para esta quarta-feira, às 21h45. O time que avançar enfrentará, na terceira fase, Figueirense ou Oeste-SP.
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