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CHAPECOENSE

Dois anos após tragédia da Chapecoense, famílias das vítimas ainda buscam Justiça

Familiares das vítimas ainda não têm qualquer perspectiva de acordo

Estadão Conteúdo
Mara Paiva, uma das líderes da Associação dos Familiares, frisou que 'vai brigar até o fim' - Foto: AFP / NELSON ALMEIDA
Há dois anos, o mundo lamentava a tragédia com o avião da Chapecoense em que 71 dos 77 tripulantes morreram após uma pane seca, quando a delegação ia para a Colômbia disputar a decisão da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional. O tempo passou e as famílias ainda lutam na Justiça em busca de indenizações, sem qualquer perspectiva de quando o tormento acabará.

"Quem foi não vai mais voltar, mas vamos brigar até o fim para que, definitivamente, não acabe tudo em impunidade", disse Mara Paiva, uma das líderes da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo da Chapecoense.

Nesta quarta-feira, algumas famílias ingressaram com uma ação judicial contra o governo da Colômbia. Elas cobram a responsabilidade da Aerocivil Colômbia - equivalente à ANAC no Brasil -, empresa responsável pelo controle aéreo no país. Também há processos correndo nos Estados Unidos, Brasil e, em breve, deve acontecer também na Bolívia. A busca por Justiça se faz por meio de direitos nas esferas civil, criminal e trabalhista envolvendo a LaMia, seguradoras, Chapecoense e os governos desses países.

Quanto ao clube, há cerca de 45 famílias processando-o reivindicando direitos trabalhistas. Já ocorreram algumas audiências, mas o caso ainda está longe de ser solucionado.


Por enquanto, as famílias receberam o seguro de vida pago pela Chapecoense e CBF (no caso dos funcionários do clube) e pelas empresas de comunicação (jornalistas). A equipe desembolsou o equivalente a dois anos de salário para cada um dos que morreram no acidente e a CBF ainda pagou mais um ano de salário, como determinava a lei. E os familiares dos jornalistas receberam valores variados, de acordo com o que foi acertado anteriormente por cada empresa e empregado. Logo após o acidente, também foram realizados diversos eventos para doação de recursos às famílias e gerou algo em torno de R$ 40 mil para cada um.

Em fevereiro de 2017, a Tokio Marine, uma das seguradoras da LaMia criou um fundo humanitário com a intenção de fazer acordos com os familiares e findar alguns dos processos contra a empresa. Na primeira negociação foi oferecido US$ 200 mil (R$ 772,5 mil) e nenhuma família aceitou. Meses depois, em uma nova reunião, o valor subiu para US$ 250 mil (R$ 965,6 mil) e cerca de 20 famílias aceitaram o acordo, que visava o pagamento da quantia. Em troca, elas tinham que assinar um termo de quitação que impediria qualquer ação na Justiça contra a LaMia e sua seguradora.

O número exato de acordos e quais famílias aceitaram o valor é sigiloso, mas é sabido que a maioria continua sua busca pelas indenizações e de uma forma de tentar amenizar a dor, através da Justiça. "A gente sabia que poderia ter sido evitado e a falta de responsabilidade do homem é que mudou a vida de tanta gente. Tivemos famílias com núcleos destruídos", explicou Mara.

AJUDA


No dia 24 do mês passado, a Chapecoense e a Associação dos familiares apresentaram a Fundação Vidas, uma instituição que funcionará como um fundo financeiro para dar suporte às famílias enquanto as indenizações não saem. O foco é oferecer ajuda na área da saúde, educação (para os filhos de quem morreu), moradia e alimentação.


A fundação procura parceiros interessados em ajudar as famílias e ficou acertado que todo o valor arrecadado será repassado de forma igualitária para todos os parentes, em pagamentos mensais..