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Nova gestão do Cruzeiro prepara plano para amortizar dívida de R$ 700 milhões

Passivo atual do clube gira em torno de R$ 660 milhões

Rafael Arruda Paulo Galvão Lauro Lopes
Nova administração do Cruzeiro se reuniu pela primeira vez nesta segunda-feira - Foto: Divulgação/Cruzeiro
Os conselheiros que vão participar do Núcleo Dirigente Transitório do Cruzeiro se reuniram pela primeira vez na manhã desta segunda-feira, na sede administrativa do Barro Preto, em Belo Horizonte. No encontro com duração de três horas, números da dívida geral do clube foram apresentados. O passivo, que está na casa de R$ 660 milhões, deve superar R$ 700 milhões tão logo as contas de dezembro de 2019 forem concretizadas. Um crescimento de 83% em relação aos R$ 383 milhões de 2017, ano em que Wagner Pires de Sá foi eleito presidente. A má gestão financeira foi uma das razões que levaram o ex-mandatário - pressionado por lideranças políticas no clube - a renunciar ao cargo na última sexta-feira.



Empresário do setor de transportes e prefeito de Betim, Vittorio Medioli será CEO do Cruzeiro. Ele deu detalhes da conversa com os conselheiros em entrevista na sede. “Foi boa a reunião. Analisando também a situação atual do Cruzeiro, tem uma dívida de mais de R$ 700 milhões, isso nos preocupa demais. Recebi uma convocação de todo o conselho deliberativo para assumir a vice-presidência executiva com a tarefa de montar um plano de recuperação financeira e de reestruturação para levar o Cruzeiro a outro patamar. Primeiro, tirar dessa situação de calamidade que se encontra. Coisa que não será fácil, pois temos uma situação muito complexa”.

Segundo Medioli, nesta terça-feira haverá nova reunião, na qual serão mostrados mais dados das finanças cruzeirenses. “Amanhã teremos, a partir das 8h30, mais uma reunião para analisar todos os números com detalhes e poder traçar esse plano de recuperação. Não vai ser fácil, precisaremos do apoio de 9 milhões de cruzeirenses e dos empresários que vestem a nossa camisa. Faremos um esforço para, até maio, recuperar a estrutura básica do clube, para que não se perca nesse vendaval que tomou conta”.

No organograma da administração do Cruzeiro, o presidente do Conselho Gestor é Saulo Fróes, enquanto Vittorio Medioli atuará como vice-presidente. O departamento de futebol será conduzido por Pedro Lourenço. Já as áreas administrativa e financeiras ficarão sob responsabilidade de Emílio Brandi. Oito integrantes completam a lista (veja no fim da matéria).



“Nós assumimos nesse momento como voluntários não-remunerados. É o esforço de colocar a ordem na casa e dar credibilidade onde há pessoas sérias. Tem o Saulo, Lourenço, Dalai (presidente em exercício) e toda a diretoria que vai assumir. Emílio Brandi vai assumir a vice-presidência financeira. O Pedro Lourenço vai assumir a vice-presidência de futebol. Juntamente com a família, com um grupo que ama o Cruzeiro e veste a camisa. Tentaremos recuperar o tempo perdido e a situação do nosso querido Cruzeiro”, frisou Medioli.

A ideia do Núcleo Dirigente Transitório é, em prazo de duas semanas, criar um plano de redução gradual do débito. Uma possibilidade seria a criação de um condomínio de credores, no qual um percentual de cada receita seria utilizado para amortizar as pendências e, consequentemente, diminuiria ações na Justiça. O grupo discutirá ainda a possibilidade de negociar um patrimônio do Cruzeiro.

“Esperamos, nos próximos 15 dias, elaborar um plano mais preciso para sinalizar aos credores aquilo que poderá ser feito, tanto na captação de recursos quanto na disponibilização de imóveis que possam servir para abater essa incrível dívida. Temos fé que, com esse espírito corajoso e voluntário, poderemos chegar muito em breve à saída desse túnel, que hoje não tem nem luz no final dele. Confio muito de chefiar essa força-tarefa em termos executivos, porque, ao meu lado, há essas pessoas de grande credibilidade, sinceras e honestas, que querem ajudar o Cruzeiro a sair dessa situação”, concluiu Vittorio Medioli.


Em 2020, o Cruzeiro disputará a Série B pela primeira vez na história. Com o técnico Adilson Batista, que não conseguiu evitar o rebaixamento em 2019, o objetivo é montar um grupo enxuto e reduzir a folha salarial de R$ 15 milhões com jogadores e comissão técnica. Para isso, a categoria de base ganhará espaço. Novo responsável pelo futebol, Pedro Lourenço falou sobre os planos da Raposa na próxima temporada.

“Nós vamos ter que conversar com todo mundo. Não tem como pagar atleta R$ 500 mil, R$ 1 milhão. Então, vamos ter que conversar com eles e ver o que é melhor, porque se nós não temos caixa, não tem como pagar. Se manter, a gente não tem como pagar. Temos que conversar com eles e encaixá-los em outros clubes, onde eles acharem melhor. Dentro de uma normalidade, todo mundo tem seu contrato, mas se não tem como pagar, são duas realidades. Espero que eles entendam isso, são pessoas inteligentes, eles já têm a vida feita”.

CONSELHO GESTOR


Núcleo dirigente do Cruzeiro

Presidente: Saulo Fróes

Vice-presidente: Vittorio Medioli

Departamento de futebol: Pedro Lourenço

Administrativo / Financeiro: Emilio Brandi

Sob a gestão de Emílio Brandi ficarão as seguintes áreas:

Financeiro: Alexandre de Souza Faria, Anísio Ciscotto e Aquiles Diniz

Administrativo: Saulo Fróes e Jarbas Reis

Informática: Saulo Fróes e Jarbas Reis

Jurídico: Walter Cardinali e Kris Brettas

Marketing e publicidade: Saulo Fróes e Carlos Ferreira

Social: Saulo Fróes e Jarbas Reis

Patrimônio: Pietro Sportelli