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SANTA CRUZ

Descumprimento de intervalo de 66 horas entre jogos não deve resultar em punição ao Santa

Dos 22 relacionados para o jogo contra o ABC nesta quinta, pela Copa do Nordeste, 13 estiveram em campo terça diante do Salgueiro pelo Estadual

postado em 12/02/2020 18:48 / atualizado em 12/02/2020 19:19

(Foto: Paulo Paiva/DP)
Após a vitória sobre o Salgueiro na última terça-feira pelo Campeonato Pernambucano, o Santa Cruz volta a campo apenas 48 horas depois para receber o ABC, também no Arruda, pela Copa do Nordeste. Intervalo curto que, em tese, poderia causar um problema jurídico para o Tricolor já que dos 22 relacionados para a partida, 13 entraram em campo contra o Carcará. Isso porque o período desrespeita a regra imposta pela CBF no seu regulamento geral de competições, que é de um intervalo mínimo de 66 horas entre as partidas.

No entanto, dificilmente o descumprimento da norma resultará em punições ao Santa. Isso porque, segundo o presidente do sindicato dos jogadores de Pernambuco, Ramon Ramos, a entidade só poderá agir caso seja notificada por algum atleta que se sinta coagido a entrar em campo com um intervalo de descanso inferior as 66 horas estabelecidas. Do contrário, nada pode ser feito. 

Vale ressaltar que esse intervalo mínimo de 66 horas entre os jogos foi estabelecido em 2017 após acordo entre a CBF e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapafe). Este ano, o descumprimento da recomendação já foi feito em Pernambuco pelo Sport, que utilizou o atacante Ewandro, além dos zagueiros Adryelson e Cleberson após 48 horas de intervalo entre os empates com o Retrô (pelo Estadual) e Imperatriz (Copa do Nordeste). Titular nos dois jogos, Cleberson deixou a segunda partida com dores musculares.

“O atleta precisa entrar em contato com o sindicato para que possamos tomar alguma posição. Mas se o jogador demonstrar o desejo de entrar em campo com menos de 66 horas de intervalo não temos o que fazer”, pontuou Ramon.

De acordo com o advogado do sindicato, Artur Pedro Vieira, o clube sequer fica obrigado a apresentar um documento formal indicado a concordância do jogador voltar a atura sem a recuperação ideal. “O sindicato simplesmente respeita o pedido verbal dele de atuar. Já o jogador que se sentir obrigado a entrar em campo contra a sua vontade precisa formalizar essa denúncia para que possamos tomar as medidas necessárias”, completou.

Ainda segundo o advogado, caso seja denunciado, o clube poderá ser punido com multa ou mesmo suspensão, a depender da gravidade do caso. “Ao mesmo tempo temos que entender o momento difícil do nosso esporte. Se o jogador quer jogar e o sindicato não deixar, ele acaba ficando chateado com a gente”, encerrou Artur Pedro.